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One Piece: Burning Blood: Vale a pena?

por Thiago Lima
One Piece: Burning Blood: Vale a pena?

Para os que curtem animês e mangás, chegou a produção da Spike Shunsoft, distribuído pela Bandai Namco, com versão para PlayStation 4, que é o game de um dos personagens mais interessantes da arte de animação japonesa: One Piece: Burning Blood.

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O herói de borracha com chapéu de palha, retorna ao mundo dos games com mais uma de suas aventuras. Dessa vez, de uma forma bem diferente da última, o pirata traz consigo mais de 40 personagens de sua tripulação, todos jogáveis e com características que os tornam únicos dentro do universo One Pierce.

A aventura principal de Luffy e seus amigos é a de percorrer os episódios do arco da Batalha de Marineford, em lutas individuais contra os representantes do Governo Mundial e da Marinha que atravessam seus caminhos. Cada um desses episódios leva o protagonista a avançar no seu objetivo: encontrar o One Piece e se tornar o grande Rei dos Piratas.

Experimentamos o novo game e aproveitamos para mostrar um pouco do que achamos da experiência proposta.

História

Para quem já é fã do animê, Burning Blood é uma obra para ser contemplada e experimentada como uma nova forma de encarar a história das aventuras de Luffy e seus amigos piratas. Entretanto, para esses jogadores em especial, vale um aviso importante: o game pode conter spoilers do conteúdo do animê, portanto aqueles que ainda não estão atualizados devem manter prudência.

Esse pequeno problema só seria um obstáculo para aqueles fãs mais criteriosos, que preferem acompanhar o progresso da aventura exclusivamente pela animação.

Já para aqueles que não conhecem muito do mundo das aventuras de Luffy, é importante uma primeira contextualização básica sobre o personagem principal e de alguns dos pontos fundamentais do universo One Pierce. Deixando claro que o objetivo não é o de apresentar toda a história do animê até chegar ao ponto de partida do game, mas apenas um resumo básico para introduzir um pouco das características de alguns personagens, para aqueles que nunca tiveram contato com a história, mas têm a curiosidade de conhecer o game.

One Piece é uma série de mangá japonês escrita e ilustrada por Ejichiro Oda, publicada no Japão pela revista semanal Shonen Jump, desde julho de 1997. Trata-se do retrato das aventuras, com traços fortes e até um tanto quanto exóticos para o padrão dos mangás, com personagens bastante curiosos e carismáticos, sendo o protagonista chamado de Monkey D. Luffy, um jovem engraçado que passou a ter o corpo “emborrachado” após comer a “Fruta do Diabo”.

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Luffy é um pirata de profissão e faz parte de uma tripulação tão interessante quanto ele, conhecida como Piratas do Chapéu de Palha, com quem explora diversos locais do mundo em busca de um grande último tesouro (que inclusive dá nome à sua série) conhecido como One Piece, o que lhe daria o direito de ser o próximo Rei dos Piratas, que segundo Luffy, lhe traria maior liberdade no mundo.

A profissão de Luffy o ajudou a propagar sua reputação pelo mundo, onde ficou conhecido como um dos maiores causadores de problemas dos sete mares após ter desafiado a força do Governo Mundial – defendido pela Marinha e seu grupo de fuzileiros navais – saindo como vencedor na maioria dos conflitos em que participou, sobrevivendo aos ataques às três maiores instalações de seu adversário, passando a ser rotulado como um “futuro elemento perigoso” e participante de um seleto grupo de piratas, da nova geração, que mais preocupam o Governo Mundial.

Justamente nesse tortuoso e famigerado caminho que Luffy e sua tripulação trilham em busca do One Piece, enquanto que diversos problemas acontecem e os levam a caminhos secundários e não menos importantes na sua busca.

Nessa pegada, o game se desenvolve apresentando, como aventura principal, um dos mais importantes arcos da história de One Piece, conhecido como a Batalha de Marineford, uma guerra que uniu alguns dos piratas mais influentes do universo One Pierce, ao lado de Luffy, para combater a Marinha e os aliados do Barba Branca, que mantém o irmão de nosso herói de borracha como refém.

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A história do jogo é explicada por meio das cutscenes, em que os personagens interagem com diálogos típicos de animações japonesas e também por imagens nos estilo mangá, durante as transições das fases, fazendo com que os jogadores não se percam durante os acontecimentos, batalhas e lutas constantes.

O gameplay

Antes de aprofundar na análise do gameplay, vale o destaque para um item, que pode até passar desapercebido por muitos, mas que trouxe uma lembrança tão positiva que é digna de reconhecimento. Ao jogar o arco de Marineford, o jogador tem a oportunidade de verificar seu progresso no mapa principal em cada um dos episódios no qual avança. Até aí nenhuma novidade, mas o desenho do mapa e os avanços feitos, lembram muito o  conceito do mapa de Super Mario World (ponto para Burning Blood!).

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Após este breve momento de saudosismo e de entender um pouco melhor a história de One Piece, chegamos ao momento de falarmos do jogo propriamente dito. A parte jogável do game são os combates, as lutas entre os personagens, contando com a ajuda de outros personagens em determinados momentos, mas somente quando solicitado e apenas um lutador, por vez, é controlado.

Os comandos são os básicos dos games de luta e dos gêneros de animação japonesa, com pequenas variações de acordo com a especialidade de cada personagem. Essa característica não deixa o game se transformar em um grande desafio de aprendizagem, sendo que os primeiros estágios servem como fases de treinamento para o jogador, aprendendo a como executar os principais golpes dentro da luta.

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Assim, defesa, soco forte e fraco, chute forte e fraco, golpes a distância, movimentos de quebra de defesa/ataque e os especiais compõem o arsenal de movimentos que podem ser executados durante o combate dos personagens, podendo ser combinados em combos matadores, sempre com o objetivo de levar o adversário à nocaute ou pelo menos causar o maior dano possível até o final da luta.

Se por um lado é um modelo interessante para o gamer menos experiente, em que é possível aprender rapidamente os comandos do jogo e o modo do combate, por outro lado, acaba oferecendo um gameplay fácil e simples de pegar o tempo da luta e efetuar as principais técnicas, tornando-o um pouco repetitivo, com variações apenas de acordo com o nível de dificuldade dos adversários.

Porém, é importante ressaltar que isso não é um “defeito” específico de One Pierce Burning Blood. A  maioria dos jogos inspirados nos animês e mangás japoneses tem essa mesma característica, sendo possível concluir que é uma preferência e potencialização desse modelo de gameplay.

Logo, para os que curtem o modelo de luta proposto, o “defeito” pode ser um motivador para compra ou teste do game.

Ainda quanto ao gameplay, um problema que realmente pode ser uma preocupação no game, é quanto à responsividade dos comandos. Para esse tipo de game de luta, a resposta necessita ser rápida, já que as batalhas são executadas a um nível frenético de velocidade. Contudo, alguns comandos, como no caso da defesa (o que foi mais perceptível) ficou a desejar, deixando a ação de defender com um tempo diferente do padrão, precisando ser um pouco antecipada para que funcione efetivamente.

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Tirando essas pequenas preocupações, o game possui uma fluidez bem satisfatória, que faz o usuário se adequar ao novo ritmo proposto para que as horas de diversão sejam garantidas.

Por outro lado, um dos pontos fortes do jogo é a variedade de modos de jogo disponíveis, que são desbloqueados logo após o usuário ter jogado o modo história do game pela primeira vez e ter compreendido os comandos básicos ensinados nos primeiros tutoriais. São eles:

  • Batalha de Marineford: enredo específico desse arco da história de One Piece;
  • Batalha Livre: opção para quem curte o versus mode, com diversos lutadores à disposição;
  • Versus Procurado: é um modo em qje alguns personagens estão bloqueados e os desafios nas lutas tem como uma das recompensas os seus desbloqueios e as berries, a moeda do game que pode ser usada na Base Pirata (loja do jogo);
  • Batalha de Bandeiras Piratas: aqui é preciso escolher uma bandeira para defender e conquistar o poder com sua tripulação;
  • Online: onde as lutas podem ser feitas com a interação multiplayer;

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Comparação com o último game

Os fãs de One Piece, os que gostam e colecionam seus outros jogos, sentirão uma diferença básica entre este mais recente capítulo e o anterior, lançado em 2014, One Piece: Pirate Warriors 3, também distribuído pela Bandai Namco. o antecessor é um jogo com modelo mais parecido com um hack’n slash, no qual o personagem percorre um caminho lutando com hordas de inimigos, que por vezes, são dizimadas em poucos golpes.

Para os que ainda não conhecem a outra aventura do Chapéu de Palha no mundo dos games, basta conferir o vídeo de lançamento de Pirate Warriors 3 para conhecer um pouco mais sobre o game:

Nesse sentido, Burning Blood de aproximaria mais de outros games como Cavaleiros do Zodíaco: Alma de Soldado ou Naruto: Ultimate Ninja Storm 4 do que de seu antecessor, principalmente quando avaliamos a experiência do gameplay.

Comparação com outros games do gênero

Um ponto que precisa ser avaliado é justamente a aproximação da experiência do game com outros jogos do mesmo gênero. Essa avaliação se justifica pelo fato de que o título nipônico pode aproveitar e “surfar” na onda de sucesso de outras produções, ou pode “afundar” na repetição e na falta de uma experiência inovadora ao usuário, principalmente para aqueles que não são tão fãs do universo One Piece.

Assim, o lado positivo é que o jogo lembra bastante a experiência de Naruto: Ultimate Ninja Storm 4, uma obra também baseada em um animê que inovou em sua abordagem e vem sendo um sucesso entre os jogadores. Sem falar que Naruto ainda prestou uma singela homenagem aos fãs brasileiros com um jogo totalmente dublado, que por si só, já oferece uma experiência muito diferenciada, mesmo para aqueles que defendem que os verdadeiros fãs curtem o áudio japonês.

Quanto aos comandos e a jogabilidade, para se ter uma noção mais exata de como funciona o jogo, podemos citar o game J Stars Victory Vs, já que os comandos para lutar com Luffy e seus amigos (que participam desse outro jogo) são os mesmos, seguindo um mesmo padrão de jogabilidade. Sendo assim, para quem conhece esse game, não haverá surpresas para se adaptar.

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One Pierce: Burning Blood tenta entrar nesse seleto grupo de títulos apreciados e elogiados por fãs fora do lado ocidental do planeta, repetindo a fórmula de sucesso de outros que vieram do mesmo país e se aventuraram em culturas muito diferentes. Mas é justamente essa forma distinta de pensar que podem levar os jogadores a desejarem uma experiência diferente, julgando o jogo como mais uma repetição de outras produções e encurtar a sua longevidade em suas bibliotecas.

Gráficos

One Pierce: Burning Blood, como já dito anteriormente, é uma animação, mas contém toques em 3D, que se adequam melhor à movimentação e velocidade do gameplay proposto, sendo bastante envolvente e que prende a atenção dos jogadores.

Quanto ao desenho dos personagens, talvez seja o título de One Pierce que mais se aproxima da realidade dos animês, que possuem traços fortes, com sombras tracejadas e dinâmicas de movimentos diferenciadas, encantando pelo belo acabamento.

Houve um cuidado de apresentar o maior número de personagens possíveis para as aventuras e lutas, sendo que nenhum deles foi deixada de lado, ou feito de qualquer jeito somente para completar o quadro de participantes. Assim, todos foram elaborados de forma bastante fidedigna.

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Já os cenários talvez pudessem ser um pouco mais trabalhados ou caprichados. Isso é uma indicação de que o centro das atenções são realmente as lutas, onde a movimentação e os comandos dos personagens são o foco dos trabalhos gráficos.

O que é mais visível, quanto ao cenários, são as consequências das lutas. Golpes mais fortes e especiais deixam marcas nos ambientes, como estruturas que quebram ou corpos que caem ou se arrastam pelo chão, seja causando destruição de alguns itens, seja levantando poeira, fumaça ou água. Mas acontece que nenhuma dessas consequências é totalmente definitiva. Um bom exemplo são as pedras, que ao serem atingidas, se quebram em vários pedaços, mas que, ao mudar de lado ou ângulo de visão, os seus restos somem ou, simplesmente, as pedras reaparecem, como se nada tivesse acontecido.

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Podemos dizer que são apenas detalhes? Claro que sim. Mas, são esses detalhes que constroem um grande jogo que mostram o cuidado com a parte gráfica. Também são detalhes que podem ser corrigidos, mas para quem já jogou, pode ficar marcado como um pequeno arranhão na imagem do título.

Legendado

Está aí um ponto que poderia ter sido copiado do último game do Naruto. A dublagem em português do Brasil faz uma grande diferença na experiência do gameplay, principalmente para um jogo importado de uma cultura japonesa, sendo tão diferente da nossa.

E quando a dublagem é feita pelos mesmos profissionais que fazem a da versão do animê, a experiência fica ainda mais verdadeira, trazendo o jogador para uma participação efetiva na história com a qual está acostumado a conviver. Vide o exemplo do game dos Cavaleiros do Zodíaco, em que os dubladores originais trouxeram todo um ar de saudosismo ao game, tendo a dublagem, um dos pontos fortes do jogo.

Mas, como não se pode ter tudo e o investimento em dublagem depende de uma série de decisões estratégicas da desenvolvedora, pelo menos, temos as legendas em português do Brasil, o que já é um enorme passo para agradar aos fãs, que mesmo com o áudio em japonês, o qual indica ser original do animê, ajuda aos usuários a terem uma experiência mais completa e aproveitar mais o jogo e a história como um todo.

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Outra curiosidade sobre o game, são as animações com imagens (fotografias) que ajudam na forma de contar a história. Essas pequenas cutscenes contém letras do alfabeto japonês, bem como quando acontece durante a realização dos golpes durante as lutas, aparecendo a todo momento, compondo fortemente com a ambientação, deixando-o ainda mais bonito e agradável de acompanhar. Mas não precisa se preocupar, as legendas traduzem todos os seus significados.

Avaliação

Enfim, vamos ao veredito sobre a performance do geral do game e seu nível de merecimento para estar presente em nossas line-ups de jogos.

São duas formas ou visões para fazer esse tipo de avaliação de One Piece: Burning Blood. A primeira ótica é a do fã incondicional do animê e do mangá. Nesse caso, não há muito o que discutir. Esses comprarão o game para curtir um pouco mais da experiência do universo One Pierce, colaborando com suas habilidades para que Luffy se torne o Rei dos Piratas.

Mas para a análise, essa visão não pode ser a principal. É preciso avaliar com um olhar mais clínico para saber se o jogo atende a critérios mínimos de custo-benefício, inclusive para aqueles jogadores que não são fãs da série, mas procuram uma nova forma de se entreter relaxando e procurando títulos com gameplays diferentes dos mais tradicionais.

Para todos os tipos de jogadores, que se enquadram nos perfis acima mencionados, a primeira avaliação é quanto ao preço do game. Na PlayStation Store brasileira, em mídia digital e completa, o jogo sai pela bagatela de R$ 249,99. Já em algumas lojas do varejo nacional, o jogo pode ser encontrado por um preço um pouco mais em conta, com preços que variam de R$ 199,99 aos mesmos R$ 249,99 da mídia digital. Lembrando que todos os preços foram aferidos na semana do lançamento.

Assim, para o que o jogo oferece, sem grandes novidades relevantes no gênero ao qual se propõem, o game se encaixa bem no perfil daqueles que podemos esperar uma boa promoção para adquiri-lo, não há uma virtude ou inovação tão latente ou expressiva que convença da urgência em sua aquisição, embora seja um título muito interessante de ser experimentado e estar presente na biblioteca de qualquer jogador.

Portanto, fique atento ao mercado para poder aproveitar One Piece: Burning Blood.

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Thiago Lima
Thiago Lima
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Jogando agora: Nada no momento.
Assessor administrativo por formação e redator gamer por paixão. Entusiasta da PlayStation e fã de The Last of Us, Uncharted e PES.