Disponível na Brasil Game Show para testes, o PlayStation VR foi uma das atrações mais concorridas da feira e nós tivemos a oportunidade de testar o equipamento que promete revolucionar a maneira como jogamos videogame.

Neste artigo, trazemos nossas impressões iniciais sobre o gadget e o que esperamos sobre ele no futuro.

Na feira, os jogos disponibilizados eram: RIGS, VR Worlds, Until Dawn: Rush of Blood, Battlezone, Wayward Sky, Rez Infinite e Batman: Arkham VR. Conseguimos experienciar todos os eles.

A partir de todos estes testes é que moldamos este hands-on.

Are de Testes_VR

Peso

Logo de início, o que mais surpreende é o peso. O PlayStation VR é incrivelmente leve. A julgar pelas imagens e vídeos, existia apreensão de ele poderia ser um pouco desconfortável neste sentido, mas é justamente o contrário.

Existe um certo contra-peso. Enquanto o visor parece frágil, a parte traseira, onde se faz os ajustes de acordo com a cabeça, é mais pesada, propositalmente. Isso faz com que o equipamento se ajuste muito bem.

De maneira geral, ele é muito confortável. As almofadas traseiras e laterais são adequadas, os ajustes de posicionamento também são simples e a parte frontal se acopla no nariz e olhos hermeticamente. Mesmo aqueles que usam óculos, não encontrarão problemas nestes aspectos.

Nesta parte de conforto e digamos, usabilidade, o capacete da Sony causou uma impressão bastante positiva, surpreendendo até.

Visão 360º

Ao “vestir” o equipamento, logo nos primeiros segundos, tem-se a sensação de estar assistindo a um filme em 3D, mas logo ela se vai. No começo é preciso ajustar o foco, prender ou soltar o arco que passa por trás da cabeça e se adequar ao posicionamento. Mas, é bem simples encontrar o local mais confortável.

PlayStation VR

A facilidade continua a surpreender.

Quando tudo estiver nos conformes, a contemplação é inevitável. Você movimenta a cabeça pra cima e enxerga o teto, olha pra baixo e enxerga seus pés, olha pro lado e observa as mãos.

Rapidamente o mundo externo fica em segundo plano e a tão falada imersão se faz presente. A tal Realidade Virtual é mesmo algo singular. Vídeos e palavras não conseguem repassar a sensação, é preciso, literalmente, ver para crer.

Naquele instante de tempo, você está dentro do jogo. Chega a ser estranho, algo como no filme Tron: O Legado.

Os jogos

Os títulos presentes, tirando o RIGS, ao que parecem são propostas focados em apresentar a experiência de RV ao público, logo são jogos bastante acessíveis e simplistas. Nenhum deles apresentava visual rebuscado ou memorável.

São jogos para família, aqueles que você mostra para amigos em algum tipo de reunião. Servem mesmo como “cartão de visitas”.

Foge um pouco à regra o título da Guerrilla Games. RIGS é um pouco mais técnico e tem uma curva de aprendizado mais acentuada.

No game, você assume o controle de um mecha e deve digladiar contra outros em arenas semelhantes a estádios de futebol. Uma espécie de “Gladiadores Futurista”.

É, de longe, o jogo mais bonito.

O controle da mira é com olhos. Basta olhar e atirar com os gatilhos. Nos direcionais ficam a câmera e o movimento da máquina.

Os acostumados aos FPSs vão sentir o baque. Controlar a mira com olhos exige treino de coordenação motora. Os impulsos sempre fazem com que o direcional da direita seja usado, gerando uma confusão de câmeras, mira e posicionamento.

Em virtude disso, foi o jogo que mais causou desconforto nas pessoas. Apesar de poucos pedirem para parar o gameplay, houve sim aqueles que não se sentiram bem.

Particularmente, o redator que vos escreve, não se adaptou bem às mecânicas e as constantes mudanças de câmera e mira. Claro que julgar toda uma experiência por 5 minutos de jogatina é imprudente. Faltou mesmo tempo para adaptação.

Os destaques ficam por conta de Battlezone e Batman: Arkham VR. O segundo já falamos dele aqui. O primeiro é uma batalha entre tanques, muito divertida.

Neste, os controles são mais tradicionais. Talvez por isso a adaptação foi imediata e sem rodeios. Duelar contra tanques é bem interessante, apesar do visual não ser o “estado da arte”, o game repassa mesmo a sensação de estar em combate.

No jogo você precisa destruir lugares, tanques inimigos e aviões de combate. Com tudo isso acontecendo ao mesmo, a experiência foi divertidíssima e empolgante. O fim da experiência veio acompanhada com “quero mais”.

Já em Rush of Blood, como explicamos no artigo linkado acima, as reações foram mistas em virtude dos ajustes do PlayStation Move. Se os sensores forem mal sincronizados, o posicionamento das armas fica comprometido, gerando desconforto.

Caso tudo corra bem, é também uma boa experiência. A bordo de um carrinho de mineração, tem-se a sensação de estar mesmo em uma montanha russa. Talvez este seja o jogo que possa explicar melhor porque as pessoas podem passar mal, já que o cérebro “entende” que estamos em movimento, quando na verdade o corpo está parado.

Em um dos nossos artigos, já explicamos sobre isso e recomendamos fortemente a leitura dele.

Fios e cabos

O PlayStation VR funciona através de fios. O óculos é ligado por cabos em uma Unidade de Processamento (UP), que por sua vez é conectada ao PS4.

Também já falamos sobre ela em um outro artigo e claro, recomendamos:

Mas o fato é que não incomodou. Talvez por ficarmos sentados a todo instante e estarmos imersos no jogo, os fios sequer eram lembrados.

Houve inclusive uma ocasião onde o jogador, ao sair da cabine de testes, esqueceu-se dos fios e acabou por lançar o PS VR ao chão. Foi uma cena triste.

Mas e aí?

Como você pode ver, as primeiras impressões foram bastante positivas. O aparelho é bastante acessível e entrega mesmo uma experiência diferente daquilo que estamos acostumados.

Contudo, é justamente por isso que devemos manter os pés no chão.

Você deve ter percebido que os jogos testados eram todos mais introdutórios, aqueles que visam apresentar a tecnologia. É necessário acompanhar como os grandes nomes como Resident Evil 7, Gran Turismo Sport, DriveClub VR, Final Fantasy XV e tantos outros farão uso dos recursos.

Além disso, a examinação da novidade foi muito limitada no que se refere ao tempo. Cada gameplay levou cerca de 5 a 10 minutos. Seria necessário testar por horas a fio. Às vezes, uma experiência de poucos minutos pode causar uma impressão e uma jogatina mais duradoura mostrar uma realidade diferente.

Outro ponto a ser mencionado. Na Brasil Game Show, o óculos era ajustado pelos solícitos consultores da PlayStation. E quando você coloca o equipamento, você não enxerga nada mais do ambiente exterior. O PlayStation Move e DualShock 4 eram colocados em nossas mãos pelos consultores. Vida fácil.

Questiono: como isso vai funcionar na casa dos jogadores, quando não ninguém puder ajudar?

Ao que parece, o PlayStation VR será um complemento ao que já temos. Não será fundamental para os videogames, pelo menos no curto prazo, mas será divertido ter um em casa para novas experiências.