99Vidas: O Jogo: É Indie Mas…

Em uma tentativa sincera de reviver gloriosos marcos do passado, 99Vidas, jogo brasileiro é um bom incentivo para mercado nacional.

99Vidas – O Jogo é um título genuinamente brasileiro. Não apenas em sua superfície, mas em toda sua essência. Baseado nos quatro principais integrantes do site 99Vidas, o jogo da QUByte Game Studio, como sua própria descrição diz, é uma homenagem aos consagrados jogos do estilo Beat’em Up do passado.

O jogo conta a história de quatro guardiões que guardam uma relíquia ancestral chamada 99Vidas. Capaz de dar imortalidade a quem a empunhar. Mas ela acaba por cair em mãos erradas, e cabe aos seus responsáveis recupera-la e resguardar a integridade do universo.

Com um visual bacana para o estilo e uma trilha sonora saudosista de um lado, 99Vidas é uma expressão totalmente nacional. Não é perfeito no entanto – peca em alguns aspectos -, mas pode ser o começo de algo promissor para um futuro não muito distante.

  • Jogo: 99Vidas
  • Desenvolvido e distribuído por: QUByte Game Studio
  • Onde encontrar: Aqui (R$ 30,90 – Cross buy entre as três plataformas / Cross Play entre PS4 e PS3)

As 99Vidas

99Vidas é um artefato milenar de incrível poder. Aquele que o possuir terá o dom da imortalidade. Por conta disso, quatro são os guardiões (principais) designados para guardá-la. Cada um com poder sobre um determinado elemento.

Apesar de ser considerada uma lenda, um determinado ser (chamado convenientemente de Boss) encontrou e tomou para si a relíquia. Com seus asseclas, ameaça toda vida na Terra. Cabe aos guardiões encontrar e recuperar as 99Vidas. Com seu carro caindo aos pedaços.

Um vilão que deseja todo poder de uma relíquia ancestral para si, com o intuito de dominar o mundo. O jogo traz mesmo muito do passado. Fonte: Captura de Tela.

A história segue o padrão “vilão sequestra/rouba/mata algo importante do herói – herói sai em busca de vingança/redenção/reintegração”. Clichê, é verdade. Mas o jogo é exatamente sobre isso. Jogos como Streets of Rage, Double Dragon, Vigilante, entre outros que fizeram parte dos clássicos arcade, seguem esta mesma linha narrativa.

E isso não é ruim. Pelo contrário, traz realmente aquele senso de nostalgia tão alardeado quando o jogo foi anunciado. Uma das melhores características do título, inclusive, é sua história simplista e sem muitas reviravoltas. E com o jogo totalmente localizado para nosso idioma (obviamente), acompanhá-la acaba sendo divertido, como uma própria animação.

Já vi isso em algum lugar…

O jogo é um beat’em up puro. Em termos gerais, suas mecânicas são simples. Entre em uma área, bata em todos os inimigos até eles caírem, vá para a próxima, repita. Como os clássicos de antigamente, o jogador possui diversos meios para acabar com seus inimigos. Socos, chutes, golpes especiais, super golpes e as armas que são deixadas nos cenários.

Quebrar caixas/barris para encontrar comida/armas é conhecido. Fonte: Captura de Tela.

A inclusão dos super-especiais foi algo interessante. Cada personagem tem seu elemento nativo e cada super é baseado nesse elemento. As animações são bonitas e os golpes realmente são poderosos. Perfeitos para momentos de sufoco (e eles acontecem muito).

Golpes super especiais são uma adição interessante. Fonte: Captura de Tela.

Brasileiríssimo toque (e uma pitada de referências)

Uma das coisas mais bacanas de se observar em 99Vidas é a sua “abrasileiração”. Outros jogos nacionais, como Blade & Bones e Toren, careceram deste aspecto. Mas este título faz questão de mostrar de onde veio e homenagear suas origens. E, diga-se de passagem, são muitas as referências.

Nomes dos personagens e inimigos. Garotas que seguram um coelho de pelúcia. Nomes de estabelecimentos. Muito do que o jogo traz é uma referência à nossa terra. Soma-se isso às vozes dos personagens, e o jogador sente-se literalmente “em casa”.

Além destes, ainda há referências a diversos outros jogos e pessoas do mundo real. Inimigos que foram inspirados em outras mídias são frequentes (jogadores de futebol, lutadores, etc). E é bem divertido tentar ligar todas as possíveis referências com suas contrapartes do mundo real.

Clássico

99Vidas não esconde suas garras: o jogo não é tão fácil. O título mostra que não perdoa atitudes erradas e, em diversas vezes, você retornará ao sentimento de frustração de infância quando estava no fliperama e era surrado sem dó nem piedade.

Inúmeros inimigos surgirão, e por múltiplas vezes, você se verá sendo acertado por combos, agarrões, rasteiras, e outros golpes indefensáveis. E não existe um único movimento que possa fazer para se livrar destas investidas.

A não ser que seja o golpe especial (que usa parte da vida), e assim o jogador se verá em apuros sem sequer perceber. Perder todas as vidas para inimigos simples é algo corriqueiro. Verdade seja dita: a dificuldade tornou-se injusta em determinados combates, como contra os chefes. Não havia solução, apenas morrer.

O jogo tem a alcunha de “desafiador”. Mas o maior desafio será mesmo permanecer são após perder suas vidas para inimigos simples. Fonte: Captura de Tela.

Falando sobre eles, as lutas contra chefes possuem um padrão específico. É preciso acertá-los em determinados momentos. Cita-se a batalha contra o quinto chefe, que é de longe a mais técnica de todas. Timing, precisão, feeling, é preciso unir todas as suas habilidades para vencê-lo.

A batalha contra o último boss é, absolutamente, a mais difícil. Será preciso muita paciência para que os controles não saiam voando pela casa, pois a derrota é uma sensação que frustração, não de falha técnica. Um balanceamento da dificuldade seria a mais ideal, até para não provocar uma experiência traumática.

O sorriso daquele que vai te matar inúmeras vezes. Fonte: Captura de Tela.

Quase lá

Quanto a jogabilidade, apesar de algumas falhas poderem ser contornadas, afinal você  fica entretido no combate frenético que se verá chutando, socando, pulando, usando as ações comuns e deixando de lado, por exemplo, as armas que caem no chão.

As melhorias poderiam ser melhores desenvolvidas, como a possibilidade de aquisição de novos golpes ou até mesmo novos poderes especiais. No que tange à arvore de skills, é possível apenas melhorar os mesmos golpes para serem mais fortes ou comprar mais vidas.

Como todo jogo arcade, o problema da perspectiva ainda está presente. Às vezes, você errará golpes devido ao posicionado. Assim como Streets of Rage, quem nunca morreu após errar um golpe devido a estar abaixo do inimigo?

Melhorar apenas os golpes principais acaba sendo a melhor opção. Fonte: Captura de Tela.

Brasil-sil-sil!

99Vidas é o começo de um mercado que deve ser incentivado. O jogo não está livre de falhas como: a dificuldade às vezes injusta, repetitividade, limitação de recursos e até controles travados, mas serve como pontapé inicial.

Além, é importante ressaltar a possibilidade de jogá-lo acompanhado (local ou online, para até 4 jogadores), contribuindo positivamente para uma experiência mais divertida entre amigos. Os gráficos são saudosistas (não busque aqui visual de altíssima definição), lembrando bastante outro título do gênero, Scott Pilgrim Vs. The World.

Para os interessados em caçar troféus, ainda há uma platina a ser conquistada. Apesar de estar bem longe de ser fácil, bem longe mesmo. E por fim, o jogo é todo localizado.

99Vida vale pela experiência. Não somente para ajudar a fortalecer a indústria de jogos brasileira, que começa a caminhar a passos mais largos.

VEREDITO: É Indie Mas…Vale a experiência e o incentivo.

O que é bom:

  • Relembrar o visual saudosista;
  • Trilha sonora;
  • Adição de super especiais;
  • Referências.

O que não é bom:

  • Dificuldade um tanto quanto injusta;
  • Limitação de recursos;
  • Repetitividade.

Para quem jogou e gostou de:

  • Streets of Rage (série);
  • Scott Pilgrim Vs The World: The Game
  • Double Dragon.