Não, não há nenhuma relação entre este novo Battlefield e God of War, mas se o guerreiro espartano, em uma eventualidade, encontrasse o jogo da DICE, ele certamente diria: “Garoto, você não está pronto!”.

Battlefield V não está completo e este é o seu maior “peso contra”. Ainda que o game ofereça uma boa experiência naquilo que entrega, falta jogo no jogo. De certa forma, isso já era bem previsível. Noticiamos aqui vários recursos que não estariam no lançamento. Relembre alguns:

Com tantos “só em 2019”, o que tem no Battlefield V de agora? O básico. Um multiplayer com as opções já conhecidas, uma narrativa bastante simplista e só um recurso novo aqui e outro acolá.

Faltou tempo para que os desenvolvedores pudessem entregar um produto mais robusto e isto certamente esvazia a experiência final. Fica uma sensação vaga, que inevitavelmente traz à mente a questão: vale a pena investir – agora – no jogo?

O bom e velho campo de batalha

Se falta inovação – e até ousadia – da DICE em oferecer modos e funções, sobra expertise na oferta de um arroz com feijão. Battlefield V é o que você espera de um jogo da série. Visual de ponta, sonoplastia quase irretocável, modos multiplayer com batalhas épicas, reviravoltas emocionantes e muita competição.

Trocar tiros continua sendo muito divertido e intenso. Os mais íntimos não sentirão quaisquer dificuldades de adaptação. Mesmo aqueles que deixaram a série de lado nos últimos anos vão se sentir em casa.

Multiplayer conta com seis modos no lançamento.

Com os tradicionais: Conquista, Cada Equipe Por Si, Dominação, Ruptura e Linha de Frente já bem comuns, não há nada de inovador por aqui. Novidade mesmo só nos Operações Grandiosas – anteriormente conhecido como Operações.

Nos Operações Grandiosas os jogadores são lançados em uma batalha de escopo inimaginável com tudo de Battlefield: armas, blindados e aviões. É uma luta que acontece ao longo de quatro dias. O que acontece no primeiro afeta o segundo de maneira substancial. Se sua equipe não conseguiu segurar uma vantagem no começo, no segundo dia vai começar em posição desfavorável, com menos recursos e suprimentos.

É aqui que, finalmente, algum frescor começa a surgir. As fortificações são destaques. Para assegurar um ponto estratégico você pode construir defesas e trabalhar em equipe para vencer. Colaboração, por sinal, nunca foi tão importante como agora.

Um jogador da classe Batedor tem como função, além de abater os inimigos, marcá-los para que os outros companheiros da linha de frente possam fazer uma contenção eficiente. Médico e Suporte são auto-explicativos, embora alguns simplesmente ignorem os propósitos de um médico no campo de batalha.

Duas boas adições:  a capacidade de se reviver um colega abatido. Qualquer classe pode ressuscitar um soldado (médicos são mais eficientes); capacidade de usar um kit médico. Agiliza e torna o gameplay mais colaborativo.

Também vale menção aos ajustes cirúrgicos na jogabilidade. Seu soldado agora pode “se jogar no chão” e ainda recuar quando está deitado. Muito úteis para escapar de “trocações” desvantajosas ou mesmo para escapar de uma emboscada.

Mas são apenas seis modos em oito mapas. Poucas opções para uma série que sempre ofereceu pacotes avantajados, mesmo para aqueles que não compravam as expansões. A notícia boa, se assim podemos descrever, é que Battlefield V não contará com um modelo de Passe de Temporada. Os conteúdos serão liberados ao longo do tempo de forma gratuita (esperamos que assim o seja).

E é aqui que você percebe o quão cru está o jogo.

O que poderia “virar o jogo” para um saldo mais positivo seria o modo campanha. Mas este acaba por ser mais um peso contrastante. A DICE havia prometido uma trama mais focada em histórias não contadas da Segunda Guerra Mundial. Os próprios mapas são desenhos inspirados em Teatro de Operações menos conhecidos como Noruega e Holanda.

As Histórias de Guerra acontecem entre os 1939 a 1944, quando a Alemanha empregava com muito sucesso sua blitzkrieg. Ou seja: não tem Dia D, Normandia ou mesmo Batalha de Stalingrado.

Você encarna pequenas narrativas que não irão impressionar em nada. Assim como em Battlefield 1, são mini-contos de pessoas comuns sobrevivendo as situações extremas. Mas o storytelling deixa muito a desejar em qualidade e, principalmente, em quantidade. São só 4 histórias – sendo que a primeira é uma introdução. O estúdio promete mais para o futuro.

Campanha narra histórias pouco motivadas.

Mas ainda assim é possível enxergar um pouco do “copo meio-cheio”. Existem momentos mais abertos na campanha, onde você pode seguir para objetivos não tão lineares. Com cenários bem maiores e mais opções. Pense em uma espécie de Far Cry da WWII (não nas mesmas proporções).

E como se já não fosse ruim um jogo inacabado, existem bugs aos montes. Soldados mortos com espasmos, corpos flutuando, problemas de conexões, respawn com problemas e instabilidade dos servidores. Situações que causam estranheza, já que a DICE sempre foi muito mais competente nestes aspectos.

Voar, voar. Subir, subir.

Perdeu a batalha, mas (ainda) não a guerra

Um conflito bélico regular – normalmente – é a reunião de muitas batalhas e a DICE saiu derrotada em seu batismo de fogo. Battlefield V está claramente incompleto. Os ventos podem virar e torná-lo uma opção viável? Sim. Vimos isso acontecer com muitos jogos na oitava geração: No Man’s Sky, DriveClub, Gran Turismo Sport, entre outros, são ótimos exemplos de recuperações bem sucedidas.

Só que a situação de momento não é esta. E este é o maior indicativo de que o estúdio sueco precisa rever suas jornadas. Observe que ao longo desta oitava geração somente dois títulos (de seis lançados) foram satisfatórios. Os demais: Battlefield: Hardline, Battlefront 1 e 2 e, agora, V ficaram muito aquém do esperado.

Avaliação
Geral
6.5