Call of Duty: Black Ops 4 é um Call of Duty com jeitão de Call of Duty. Intenso, veloz, dinâmico, divertido, bem fluído e muito direcionado para os fãs fiéis da série, o jogo entrega um boa experiência, mas não avança muito.

Ainda que o modo Blackout tenha sido ‘vendido’ como uma grande novidade, a proposta geral patina na oferta de inovações. É mesmo um jogo muito focado para aqueles que gostam (muito) de jogatinas multiplayer. Você deve saber que, desta vez, não há uma campanha.

Intenso, veloz, dinâmico, divertido, bem fluído e muito direcionado para os fãs fiéis da série.

É ruim? Definitivamente, não!

Black Ops 4 é um ótimo Call of Duty. Os fãs certamente vão gostar da pegada “mais pés no chão”, sem os devaneios futuristas de Infinite Warfare ou mesmo do antecessor, Black Ops 3. Mas não espere nada além disso.

Tripé

Call of Duty: Black Ops 4 é um tripe: multiplayer tradicional, Zombies – também tradicional – e o tal Battle Royale. Juntos, formam um bom produto final, que não brilha tanto quando equilibrados todos os argumentos.

Call of Duty: Black Ops 4 oferece três recursos.

Como bem gosta Jack, o Estripador, vamos por partes.

O multiplayer é aquilo que você espera encontrar em todo Call of Duty. Partidas eletrizantes, repletas de reviravoltas e momentos épicos. E desta vez elas estão um pouquinho mais estratégicas em razão da volta dos Especialistas. Cada um deles conta com habilidades especiais capazes de virar uma partida ou garantir uma vitória. Existem aqueles que podem criar barreiras (úteis para proteger setores), outros lançam granadas, cães muito eficazes, carrinhos-bomba, etc. São várias possibilidades, e certamente uma delas vai se ajustar ao perfil de cada jogador.

Algumas mudanças também dão um frescor na fórmula. O nível de HP agora é de 150, o que obriga mais disparos e boa mira para liquidar com os soldados adversários. E a cura que não é mais automática. Ao ser alvejado, você mesmo pode restaurar sua energia através de um kit médico. Pode parecer simples, mas estas mudanças foram ótimas adições à fórmula.

BO 4 traz novamente os Especialistas.

Agora os próprios jogadores podem decidir qual o melhor momento para restaurar a energia, o que tornam as trocações muito mais inteligentes.

Os fãs mais mais ortodoxos da série ficarão felizes em saber que os famigerados “pulos duplos” e “wallride” não fazem parte da jogabilidade. Call of Duty: Black Ops 4 é muito “centrado” e não se envereda (tanto) em futurismos, embora conte com armas e equipamentos um pouco a frente do nosso tempo.

Os fãs mais mais ortodoxos da série ficarão felizes em saber que os famigerados “pulos duplos” e “wallride” não fazem parte da jogabilidade.

De toda forma, o gameplay está rápido e muito bem encaixado. Destaque para o equilíbrio e o sistema de progresso. Até o momento, nenhuma das armas está se sobressaindo (muito) em comparação as outras. É claro que as últimas a serem desbloqueadas são, naturalmente, melhores.

O que não se destaca são os mapas. BO 4 conta com 14 cenários em seu lançamento. Embora seja uma quantidade superior as entradas anteriores da franquia, quatro destes são remakes-remasters dos anteriores,  atestando que a Treyarch não se preocupou tanto em oferecer novidades inéditas ao jogo. A desculpa é a mesma de sempre: “cenários favoritos dos fãs”, mas na realidade a mensagem pode ser entendia somente como “preguiça” – ou falta de tempo – em oferecer mais.

O segundo ponto de sustentação é o modo Zombies. Desta vez ele chega com três grandes experiências: Blood of the Dead, Voyage of Despair e IX. Sendo que a primeira é um remake do Black Ops 2.

As duas outras novatas são narrativas inéditas e seguem o mesmo ritmo das experiências anteriores. Em suma, você em cooperação com outros jogadores, deve sobreviver as infestações de zumbis. As novidades ficam por conta da inclusão dos Elixires – poções que oferecem algum efeito a curto prazo. Eles são bem úteis para você escapar de hordas viscerais ou para algum tipo de vantagem – e pelos Talismãs que oferecem vantagens ainda melhores, mas são mais raros e podem, inclusive, ser fabricados no laboratório.

O ponto é que não há tanta inovação. É divertido? Sim, muito. Mas não espere encontrar muita coisa diferente do que já foi visto.

Modo Zombies continua divertido para se jogar com amigos.

E o último pilar, o tão badalado Blackout, o modo Battle Royale. É aqui que o jogo realmente oferece um sabor mais especial. Os desenvolvedores souberam captar a ideia de sobrevivência, introduzindo as mecânicas de Call of Duty.

Foi um tiro certeiro. É o bom e velho CoD com uma brisa nova, divertida e absolutamente competitiva. A busca pela primeira posição é intensa e repleta de temperos da série. O bom é que a luta não é tão cadenciada como como em outros Battle Royale, mas dinâmica e atraente. Ponto positivo ainda para o sistema de saques, que sofreu ajustes desde o BETA e agora está bem fácil e ágil, combinando perfeitamente com essência da experiência.

O crivo é que em Blackout, ao contrário de muitos do gênero, você sente que conquista a vitória por meio das suas habilidades e não é derrotado por aquele jogador que passou o tempo todo se escondendo até vencer um adversário no fim. Não que isso não aconteça, acontece. Mas é menos corriqueiro.

O modo só fica devendo no aspecto visual. Talvez em razão do tamanho do mapa e para manter a taxa de quadros, as texturas, paleta de cores e sombreamento, ficam devendo bastante. Perfeitamente compreensível, mas não menos decepcionante.

Battle Royale de Call of Duty está ótimo.

O modo Blackout só fica devendo no aspecto visual. Talvez em razão do tamanho do mapa e para manter a taxa de quadros.

De toda forma, é um tremendo acerto. A Treyarch soube capitalizar o hype e introduzir em Black Ops 4 com muita competência.

O melhor do Call of Duty

O melhor do Call of Duty, feito para os fãs. Mas fica ainda aquela sensação de que a série já vem muito desgastada e acaba por satisfazer somente aos seus fiéis. Black Ops 4, mesmo com seus problemas nos servidores e muito direto ao multiplayer, é um bom jogo e que acaba por passar uma sensação de que poderia ter ido mais além.

E isso não é em razão da ausência de uma campanha tradicional, mas pela falta de mais gordura. Os modos tradicionais já não saciam o desejo por mapas distintos – e que não sejam remasterizados -, o Zombies é divertido, no entanto, ainda que conte com mais experiências, bate na mesma tecla.

O diferencial ficou para o Blackout. Um Battle Royale que vem de encontro aos interesses dos jogadores, mas que sozinho não consegue sustentar o jogo por completo. Afinal, um tripé com duas pernas tortas pode não oferecer a estabilidade necessária por longos períodos, ainda que seja útil.

Avaliação
Geral
7.5