A experiência em Code Vein é uma montanha-russa. Cheia de altos e baixos.Há momentos mais intensos, outros para curtir a paisagem e até alguns “sem emoção” – antes de repetir todo o processo. É um jogo cheio de características que podem tanto cativar o jogador, por um lado, como também simplesmente deixá-lo desinteressado.

O título da Bandai Namco traz a fórmula “Souls” de combates desafiadores contra monstros apelões, mas não deixa de apostar na originalidade. Embora os conceitos sejam claramente inspirados nos games da FromSoftware, Code Vein possui uma mecânica de personalização de combate bastante vasta, ofertando um novo nível de batalha, e agrada nisso.

Porém, também é um jogo que sofre com quedas de desempenho severas (pelo menos, no PS4 padrão). A história segue um ritmo parecido com os animes, focando no drama, valor da amizade e superação individual. Por mais que tenha diversos momentos interessantes, segue uma cadência apenas morna.

Como dissemos, Code Vein é uma montanha-russa. Altos e baixos, prós e contras são muito evidentes. Para esclarecer melhor cada ponto, confira a nossa análise completa!

História anime

Code Vein é ambientado em um futuro distópico pós-apocalíptico em que os Revenants, humanos que foram biologicamente transformados, lutam contra os Perdidos, monstros que surgiram no “Grande Colapso”. Eles tentam sobreviver à insaciável sede de sangue com as Lágrimas de Sangue. Quem sucumbe ao desejo, também se torna um Perdido.

A história é desenrolada a passos lentos. Afinal, o game leva cerca de 30 horas para ser completado. A cada episódio ou descoberta, os jogadores são levados para novos locais com diferentes objetivos.

O enredo acaba se perdendo em determinados momentos devido aos objetivos que variam conforme a progressão. Uma hora, o jogador precisa encontrar a fonte das Lágrimas de Sangue. Ao encontrá-la, novos eventos acontecem e, então, é preciso caçar monstros. No final dessa tarefa, um outro objetivo é concedido.

[Análise] Code Vein: Vale a pena? 1

Apesar das missões serem interligadas uma com a outra, chega um momento que o jogador se pergunta: “Por que estou fazendo isso agora?” Muitas vezes, a jogabilidade se torna muito “automática”; quase robótica. Não existe um propósito esclarecido, tudo está sendo feito simplesmente porque o jogo mandou.

De certa forma, essa característica é herdada dos jogos Souls, que possuem uma narrativa subjetiva. Porém, Code Vein apresenta a intenção de um roteiro mais objetivo e, por isso, seria interessante uma abordagem mais direta em vez dessa clara “enrolada”.

Protagonista que não é protagonista

Os jogadores criam o protagonista que parece mais um coadjuvante. Mesmo que o personagem principal tenha os poderes que definam o destino do mundo, o herói não tem uma relação direta com os personagens do universo – até porque ele fica mudo o tempo todo – e parece ser apenas uma fonte de poder para que os NPCs consigam completar o objetivo de salvar a todos.

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É possível mudar totalmente a aparência do personagem em qualquer momento. Fonte: captura de tela.

É uma relação esquisita, mas o jogo tem essa pegada. O protagonista não é bem protagonista. E o antagonista? A gente conhece apenas na parte final do título. Nesse quesito, há uma séria falta de identificação com o game. Porque os “personagens principais” são, na verdade, os companheiros do herói criado pelo jogador.

E são nos companheiros que a história acaba tendo o maior foco. Em um mundo desastroso, perigoso, vil e destruído, o valor da amizade, da superação, do companheirismo são reforçados. Elementos do drama também são intensificados com flashbacks tristes.

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Os diálogos são sempre carregados com uma mensagem moral e sentimental. Fonte: captura de tela.

Quem acompanha animes sabe muito bem do que se trata. É uma forma de apostar no lado sentimental.

Combate Souls?

Tratar Code Vein como um “Dark Souls anime” é uma definição genérica do novo game da Bandai. Pode até valer numa resenha mais simples, porém ele não é só isso. São claras as inspirações no combate difícil e no level design interligado, mas o jogo mais aposta em conceitos inéditos do que na reciclagem de elementos de outros títulos.

As novidades se concentram na personalização do estilo de combate. Mais do que oferecer várias possibilidades de builds, ele permite alternar o estilo de combate a hora que desejar. No controle de um Revenant, é possível adquirir os Códigos de Sangue dos monstros mais fortes, por exemplo.

São itens equipáveis que carregam habilidades únicas e atributos específicos diferentes.

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O menu é bastante atrativo por mostrar os elementos de combate e o mapa do cenário. Fonte: captura de tela.

Ao longo de toda a história, inclusive no chefão final, é possível alternar entre os Códigos e, assim, criar novas estratégias. Então, no início do jogo, usei um Código focado em ataques próximos. No final do game, o meu item equipado era voltado para a resistência e ataques equilibrados.

Cada Código tem benefícios próprios e é possível ter mais de 150 habilidades quando o jogador coleta todas. Os golpes especiais não utilizam a estamina, mas sim um pouco do Sangue Negro, item que pode ser recarregado ao usar o parry na hora certa ou aplicar ataques poderosos.

Claro que o arsenal é importante nessa variação do combate, abrangendo desde baionetas até machados pesados. Além disso, os equipamentos oferecem outros atributos adicionais que auxiliam na sobrevivência.

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São várias as opções dos Códigos que permitem um estilo próprio de combate. Fonte: captura de tela.

Juntos somos fortes

Outro elemento interessante é o foco no combate em duplas. Code Vein quer que o jogador sempre tenha um parceiro. Durante as horas da jornada, o NPC oferece detalhes adicionais sobre o mundo e é uma inteligência artificial bastante útil nos confrontos, principalmente contra os chefões.

Os companions não são apenas “barreiras humanas” que distraem o inimigo, mas aplicam golpes poderosos e auxiliam de maneira muito efetiva. Além disso, o jogo tem uma mecânica de ressuscitar o parceiro. É por isso que os chefões são bem difíceis, porque o protagonista conta com um aliado bem funcional.

Tirando os chefões da equação, o game até que segue numa pegada justa. Não é difícil completar 100% das fases, a não ser em três estágios específicos que são grandes e cheios de inimigos.

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A parceria é um elemento importante na sobrevivência. Fonte: captura de tela.

O level design acaba seguindo a mesma ideia interessante da franquia Souls, interligando as partes do cenário enquanto a exploração acontece de maneira mais profunda. Na maior parte do tempo é divertido, porque os ambientes são “pequenos” enquanto os checkpoints ficam mais distantes. É um equilíbrio que deu certo.

Visual aprovado, já o desempenho…

A questão técnica de Code Vein também é uma experiência de “sobe e desce”. Enquanto os visuais de estilo anime são bem agradáveis, ainda mais na ambientação dos cenários grandiosos, o desempenho sofre quedas bruscas nos momentos mais intensos do combate.

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Os gráficos de anime combinaram bastante com o título. Fonte: captura de tela.

O jogo sofre engasgadas que atrapalham, até porque o timing na hora da esquiva é essencial para a sobrevivência. Além disso, a câmera insiste em ficar em lugares totalmente inapropriados para uma visão correta do campo de batalha.

Quando vários inimigos estão na tela, é preciso saber enfrentá-los e também estar preparado com a queda de frames. Parece que o jogo não aguenta muitas informações ao mesmo tempo. E como dito anteriormente, num jogo que aposta na experiência desafiadora, o bom desempenho é uma condição mínima para todos os jogadores.

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A câmera insiste, muitas vezes, em atrapalhar o gameplay. Fonte: captura de tela.

São defeitos que atrapalham a experiência, mas que o jogador acaba se acostumando com a situação (o que não deveria acontecer).

Outro defeito que incomodou foi a sonoplastia do game. Usualmente, o elemento é uma ferramenta para auxiliar a experiência. No entanto, o recurso em Code Vein acaba mais quebrando a imersão. As trilhas acontecem em momentos aleatórios ou em combates sem razão alguma. Além disso, os chefões não ganham aquele peso diferenciado,  parecendo ser “mais um confronto qualquer”.

Vale o investimento?

Definir se um jogo vale a pena ou não depende muito de como a experiência foi ao longo da jornada. Como o game é uma montanha-russa, é preciso analisar com cuidado e balançar os prós com os contras.

Code Vein é um jogo que investe no gameplay desafiador, mas possui elementos que auxiliam os jogadores na jornada. A personalização do combate é um recurso incentivado e bem acessível. No entanto, a performance é precária em diversos momentos.

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A história desenrola a passos curtos e o título já é grande sem considerar as missões secundárias (que são bastante descartáveis e não agregam em nada). A duração pode empolgar alguns, mas desanimar outros gamers que estão “sem tempo, irmão”.

Embora seja um jogo de mundo aberto, o game investe mais numa ideia de exploração objetiva. “Faça tal coisa para descobrir tal caminho e seguir a jornada”. Os pontos interligados são bacanas, mas não são inéditos.

Na PlayStation Store, Code Vein está pelo valor R$ 249,90 – um preço salgado para representar o conjunto da obra. Não é que o jogo seja ruim, mas também não entrega tudo o que se espera de um título desse nível no PlayStation 4 – ainda mais nesse “final” de geração.

Como Code Vein não mantém um desempenho alto estável, nossa recomendação é: “Espere uma promoção” e vivencia essa montanha-russa já ciente de todas as suas “variações”.

Code Vein

195,07
7

Geral

7.0/10

Vantagens

  • Combate original e personalizável
  • Visual bonito

Desvantagens

  • Quedas de performance
  • Problemas com a câmera
  • Ritmo lento na história
  • Sonoplastia desconexa