Darksiders 3 apresenta a continuação da história dos cavaleiros do apocalipse. Depois de tempos sombrios para a franquia, após a falência da THQ, ser adquirida pela Nordic Games – atual TQH Nordic, e receber duas remasterizações, a saga ganha, finalmente, uma continuação.

Os jogadores encarnam Cólera (Fury) – a contraparte do cavaleiro Fome, a terceira cavaleira do apocalipse, e irmã de Guerra, Morte e Peste (Strife). Agora, será necessário caçar e deter os 7 Pecados Capitais, que escaparam quando o Chamado foi feito, como visto no primeiro jogo.

Prepare-se para uma jornada mais difícil que seus antecessores. Mas não alimente muitas esperanças de algo inovador. O gameplay está muito parecido com antes, com algumas partes bastante problemáticas. Gráficos medianos e parte sonora defeituosa completam o “pacote”. Ainda assim, é um novo Darksiders e tem seus méritos.

“E, havendo aberto o terceiro selo, ouvi dizer o terceiro animal: Vem, e vê. E olhei, e eis um cavalo preto e o que sobre ele estava assentado tinha uma balança em sua mão.”- Apocalipse 6-5

O fim do mundo como o conhecemos

Darksiders III segue a premissa do que se iniciou com Darksiders. Inspirado no apocalipse bíblico, Cólera entra em cena quando Chamado é feito – os sete selos são quebrados (ou assim se pensava) e o reino dos homens é palco do juízo final. No entanto, isso só deveria acontecer quando o terceiro reino (o dos homens) estivesse pronto. O que não acontece.

Com isso, a Terra é devastada, e o cavaleiro Guerra é considerado culpado. A história de Darksiders III acontece exatamente neste meio tempo, durante o julgamento de Guerra e a jornada do cavaleiro Morte para provar a inocência do irmão (Darksiders II). Por causa disso, Cólera (Fury) é convocada para resolver outro problema que surgiu.

Guerra está sob julgamento do Conselho das Chamas. Cabe a Cólera cuidar da bagunça. Fonte: Darksiders III

Os Sete Pecados Capitais, sete entidades extremamente poderosas, escaparam de sua prisão, e agora ameaçam o Equilíbrio – o balanço equivalente de todas as forças no universo. Como a cavaleira mais propensa à violência, impulsiva e alheia a quase tudo que não seja o combate, ela é a mais indicada para a tarefa.

No desenrolar da história, ela tem um pouco mais de conhecimento sobre o que aconteceu com a Terra após o apocalipse. Somos mostrados a humanos que sobreviveram, aos construtores, e um pouco mais da história dos Nefilim, raça da qual descendem os quatro cavaleiros.

Ulthane Blackhammer tenta salvar o que restou da humanidade. Fonte: Darksiders III

Como continuação, a história é interessante. Ver como ela se desenrola, as tramas e ramificações, e especialmente as traições que se desdobram. Apesar de um pouco sem sal em alguns aspectos, este pode ser considerado o melhor ponto do jogo.

Jogabilidade problemática

Se a história tem seus méritos, o mesmo não pode ser dito da jogabilidade. Para começar, alguns novos elementos tornaram-na um tanto mais complicados e frustrantes. Como a ausência de checkpoints. Morreu, volta para o último encontro com Vulgrim, o que pode ser bastante irritante, dependendo do quanto já se avançou.

Além disso, a cada morte o jogador perde todas as almas coletadas até aquele ponto, impedindo-o de evoluir nesse meio tempo. E para terminar, todos os inimigos retornam à vida. Ao alcançar as almas perdidas, pode-se recupera-las. Caso morra antes, um novo conjunto de almas é deixado, e é necessário coleta-los.

Morrer será uma constante. E não no bom sentido. Fonte: Darksiders III

Essa mecânica, parecida com Dark Souls, funciona bem em jogos da From Software, mais cadenciados. Mas é horrível em Darksiders III, um jogo que, entende-se, preza pelo frenético e visceral. Isso se mostra ainda pior quando o jogador se depara com enigmas muito complicados, ou muito complexos, para um hack n’ slash.

Essa situação causa uma quebra na jogabilidade totalmente desnecessária. Fora isso, a repetitividade da travessia dos cenários se mostra em Darksiders III. Tal qual os jogos anteriores, o jogador deverá enfrentar inimigos, passando de sala em sala, até chegar ao chefe final. Nada que já não tenhamos visto.

Os combates, agora, são travados em arenas, por vezes, bastante reduzida, o que prejudica bastante a movimentação e tomada de decisões necessárias para sobreviver. Isso, aliado à dificuldade desconexa já citada, dão a sensação de uma injusta sensação que o jogo não quer que você avance.

Um chicote que estala fraco

Citando os combates, estes sofrem de um mal peculiar. Alguns confrontos são mais difíceis do que se espera. Inimigos, por vezes, irão obliterar Cólera antes mesmo que o jogador possa reagir. Os controles também não ajudam, e tudo torna-se especialmente frustrante quando o jogo passa a exigir uma precisão que ele não permite que você tenha.

Cólera não tem um sistema de defesa, dependendo de sua esquiva para evitar ataques inimigos. Mas essa esquiva, por vezes, não funciona como deveria. A nível de comparação: eu – autor desta análise – morri cerca de 54 vezes para o primeiro sub-chefe Fúria. E eu platinei OlliOlli2, então entendo bem de controles precisos e jogabilidade rápida.

O jogo possui um bom arsenal, e as habilidades de Cólera são bastante diversas, com a utilização de elementos e armas diferenciadas. Além disso, os inimigos são variados, e excetuando o fato de as mecânicas de combate não ajudarem muito, oferecem um bom desafio.

Além disso, é possível evoluir Cólera, fornecendo almas a Vulgrim e aprimorar suas armas com Ulthane, o construtor. Itens ocultos e especiais são necessários, então a exploração também será uma constante. E por falar em exploração, este é outro ponto positivo do jogo.

Vulgrim está de volta. Por isso, não espere nada de graça. Fonte: Darksiders III

Os cenários são distintos e a ambientação é interessante. A exploração exige uso dos atributos e habilidades de Cólera. Como marca da série, não será possível acessar todas as áreas inicialmente, necessitando destravar habilidades diversas com a progressão do jogo. Novamente, nada de novo.

A (má) representação do apocalipse

Darksiders III é um título da oitava geração. Isso é fato. O que torna ainda mais estranho o jogo ser apresentado com gráficos tão datados. É impressionante (e inadmissível) que a THQ Nordic tenha deixado de dar o mais básico polimento ao jogo. Darksiders (o primeiro, para PS3) dá a impressão de ser mais belo que este.

Sob diversos aspectos, a Terra não parece ter sido dizimada pelo apocalipse, mas apenas invadida por forças alienígenas. Fonte: Darksiders III

Problemas com texturas, sombras, iluminação, cenários, personagens… Pode escolher. A ambientação é boa, mas prejudicada por gráficos que em nada condizem com a nova geração. Para completar, o som apresenta diversos problemas.

A sincronia das vozes é falha em determinados momento. Há constantes travamentos e cortes no trabalho sonoro. A dublagem dos personagens segue a qualidade da série, então pode-se considerar um ponto positivo neste mar de complicações. Mas não é o suficiente para fazer com que tais problemas sejam relevados.

O jogo é bem localizado, e a premissa é convidativa. Mas isso não salva o jogo do fracasso. Cólera não está contente Fonte: Darksiders III

Para finalizar, o jogo sofre de um problema já visto desde o primeiro jogo: ele é silencioso demais. Por muitos momentos, o jogador será deixado apenas com os efeitos sonoros, sem uma trilha que possa dar um clima mais imersivo ao título.

O julgamento final

Darksiders III é a sequência muito esperada e antecipada do segundo jogo da série. Depois da falência da THQ, os jogadores ficaram bastante preocupados com o futuro da série. Preocupação esta que, certamente, vai retornar após o lançamento deste jogo, dados os problemas presentes nele.

Controles imprecisos, gráficos datados, combates inconsistentes, jogabilidade morna, e apresentação prejudicada por todos os problemas acima citados. Fora que a narrativa é curta, e mal explorada. É interessante, mas deixa aquela sensação estranha de que “falta algo”, que poderia ter um “quê” a mais.

É necessário, contudo, ressaltar que o título também tem outros pontos positivos, como a localização dos menus e legendas, muito bem feita, e a mudança de cenários. O jogo anterior tinha ambientes gigantes, mas completamente vazios e desprovidos de vida. Darksiders III traz ambientes mais fechados e concisos.

Como fã da franquia, fica aquela sensação de decepção, especialmente com o potencial tão vasto da saga a ser explorado. Quisesse a THQ Nordic, teria entregue um jogo capaz de dirimir quaisquer dúvidas sobre o futuro da série. A única coisa que Darksiders III faz é nos fazer questionar se haverá um quarto capítulo.

Avaliação
Geral
6.0