Não é raro ver alguém sentando na poltrona ou sofá da sala de casa para rever desenhos, filmes ou séries televisivas que um dia marcaram suas vidas. O sentimento de nostalgia toma conta da pessoa nessas horas, batendo uma imensa saudade dos tempos vividos em outrora. E é assim que Dragon Ball Z: Kakarot trabalha a mente dos fãs.

O RPG retrata toda a jornada de Goku na fase “Z” do anime. Desde suas lutas contra os conterrâneos sayajins, até a Genki Dama final contra Kid Boo. E com a proposta de fazer o jogador praticamente assistir novamente a obra de Akira Toriyama, o jogo cumpre bem este papel.

Uma nova-velha história

Antes do jogador sequer ter a chance de selecionar “Novo Jogo”, a CyberConnect2 introduz Dragon Ball Z: Kakarot com uma cinemática cheia de referências ao anime. Aliás, a música usada – “Cha-La Head Cha-La” – é a mesma da primeira abertura da saga “Z”. Praticamente como se estivéssemos assistindo um episódio do desenho na finada “Band Kids”. Este é o primeiro ataque do estúdio ao sentimento nostálgico dos fãs.

Em seguida, é hora de vestir o uniforme laranja de Goku e partir para sua aventura. Sua esposa, Chichi, lhe pediu para coletar alguns mantimentos junto de Gohan. Mas como já é de se esperar do sayajin, ele dá uma paradinha para treinar e lembra do confronto com Piccolo, ainda na saga “Dragon Ball”. Ao finalizar a luta, ele diz esperar por embates ainda mais difíceis no futuro.

Dragon Ball Z: Kakarot

A partir daí, a trama começa a ser construída, não fugindo do que os fãs assistiram no anime. Ameaças surgem e cabe aos Guerreiros Z contê-las, uma após a outra. Primeiro os Sayajins, depois Freeza, os Androides e por fim, Majin Boo.

Apesar de parecer apresentar uma história batida, Dragon Ball Z: Kakarot aproveita seu longo gameplay para estendê-la. Entre cada saga existem os “intervalos”, onde os players descobrem fatos que ocorreram enquanto novos inimigos não surgem. Por exemplo, enquanto Goku volta de sua viagem a Namekusei, alguns contos de Gohan são revelados nesse meio-tempo. Um prato cheio para quem espera novos conteúdos da franquia.

Por outro lado, o título acaba ignorando praticamente tudo fora da saga “Z”. Dragon Ball Super e GT são inexistentes. O primeiro Dragon Ball até é lembrado, quando os jogadores pegam fotos espalhadas pelo mapa. Cada uma possui um texto, referenciando momentos como quando o protagonista conhece Bulma. Mesmo assim, ainda é pouco. Para contornar isto, a CyberConnect2 poderia ter feito a mesma coisa no começo do jogo: relembrar tais batalhas como flashbacks.

Quanto aos personagens, ponto positivo para o estúdio, que soube aproveitá-los bem. Apesar da aventura ser focada em Goku, os jogadores têm a chance de visualizarem a história através de outros olhos. Gohan, Vegeta, Piccolo e Trunks possuem seus momentos de brilho e são fundamentais na trama.

Lutas muito simples

Dragon Ball Z: Kakarot se apresenta com um sistema de combate em terceira pessoa, com a câmera atrás do personagem, lembrando um pouco do clássico Budokai Tenkaichi 3 (PS2). No entanto, ao contrário do antigo game, os jogadores não terão problemas em dominar as técnicas dos Guerreiros Z.

As lutas são simples até demais. Para atacar com socos e chutes, basta pressionar círculo sem parar, até finalizar o combo. Caso o oponente esteja no meio de um combo, o jogador consegue evitá-lo sem problemas ao se defender com R2 ou apertando ‘X’ para contra-atacar pelas suas costas.

Super Ataques, como o Kamehemeha também são de fáceis execuções. A única restrição é ter Ki suficiente para tal. Com a barra cheia, é possível mandar o inimigo pro espaço ao “spammar” ondas de Galick Ho ou Masenkos.

Dragon Ball Z: Kakarot

Frenesi, por sua vez, é uma das mecânicas mais interessantes do gameplay. Ao encher a barra, o personagem pode carregar o ki além do máximo permitido, entrando em um estado mais forte. Golpes físicos causam dano extra e finalizam a luta com maior rapidez, se bem usados.

Verdadeiramente, os únicos momentos em que o jogador se sente realmente ameaçado são em lutas contra chefões. Cada um possui  “quick-time events” que podem ser problemáticos. Particularmente, Dr. Gero foi um pouco irritante com sua habilidade de drenar vida. Mesmo assim, isto ainda não é suficiente para tornar o gameplay “difícil”.

Mas calma lá, nem tudo são críticas negativas. Dragon Ball Z: Kakarot tem um interessante sistema de buffs através da culinária. Ao cozinhar, os fãs podem mandar um pratão de carne para o estômago de Goku e seus amigos, recebendo pontos extras de vida, ataque e outros. Com isso, eles se preparam melhor pra luta, bem como acontece no anime.

Dragon Ball Z: Kakarot

Além disso, as Árvores de Habilidades também são muito legais de se customizar. Cada personagem tem sua variação de golpes, que podem ser desbloqueados ao alcançar determinados níveis e ao pagar com as chamadas Orbes Z.

Dragon Ball Z: Kakarot

Trilha sonora de arrepiar

Se tem um ponto em que Dragon Ball Z: Kakarot acerta em cheio é na sonoplastia. Não há um momento de desprazer ao ouvir trilhas conhecidas do anime. Com as músicas, a sensação nostálgica se faz presente seja ao voar tranquilamente pelo mapa ou ao enfrentar o temível Freeza.

Outro momento de destaque musical é ao começar um novo capítulo. Sempre que Shenlong aparece na tela, é hora de preparar os ouvidos para um deleite sonoro. A trilha é a mesma daqueles momentos no anime onde o narrador diz o nome do episódio.

Dragon Ball Z: Kakarot

O único lado negativo é a ausência de uma dublagem em PT-BR. Seria sensacional ouvir Wendel Bezerra pedindo energia para a Genki Dama final. Se esse fosse o caso, a nostalgia ganharia mais um ponto. É até estranho pensar que a CyberConnect2 deixou de lado as vozes conhecidas por aqui, ainda mais porque este mesmo estúdio produziu Naruto Shippuden Ultimate Ninja Storm 4, este com dublagem brasileira.

Dragon Ball Z: Kakarot vale a pena?

Dentro da sua proposta de reconquistar os fãs da saga, Dragon Ball Z: Kakarot se destaca. A história da saga “Z” não deixa muitos furos e até corrige alguns erros do próprio Akira Toriyama. Além disso, garante uma boa dose de horas de gameplay.

[Análise] Dragon Ball Z: Kakarot: Vale a Pena? 1Por outro lado, se você busca uma experiência mais desafiadora, talvez não seja o melhor momento para adquirir o game. Claro, isso não significa que o título não seja divertido, muito pelo contrário.

Se você é fã da franquia, não tenha medo de investir. Apenas erga as mãos para o céu e ajude Goku em sua Genki Dama. Caso não faça parte desse grupo, uma boa promoção deve bastar para adicionar o jogo à sua biblioteca.

Dragon Ball Z: Kakarot

7.9

Geral

7.9/10

Vantagens

  • História nostálgica
  • Ótima trilha sonora
  • Mecânicas interessantes

Desvantagens

  • Jogabilidade muito fácil
  • Outras sagas de Dragon Ball ignoradas
  • Ausência de dublagem PT-BR