Quando você compra um jogo de Hitman, você sabe exatamente o que esperar: várias cidades diferentes, muitos alvos a serem assassinados e, principalmente, as maneiras mais criativas do mundo de matar alguém. E é exatamente isso o que Hitman 2 irá lhe entregar, caso decida comprá-lo a partir do próximo dia 13 de novembro.

Dá pra dizer que Hitman 2 é a “experiência definitiva” do Agente 47. Um jogo recheado de conteúdo, que traz até as missões do seu antecessor, em versões “tunadas”, e dois novos modos de jogo. Tudo com a ambientação e a jogabilidade que são mais do que tradicionais na série.

Hitman 2 é o Agente 47 em sua essência. Paciente, criativo, letal. Pode ser metódico demais para alguns. Chato para outros. Mas para quem curte, é certeza de horas de muita diversão planejando os mais diversos tipos de assassinatos nos mais variados cenários possíveis.

Um mundo de assassinatos

Quando Diana Burnwood diz “47, bem-vindo a…”, você sabe que está desembarcando em mais uma aventura cheia de “atrativos”. Era uma tarde chuvosa em algum lugar da Colômbia. Fui enviado para lá para abater três chefões do crime organizado – cada um em uma área totalmente diferente da região.

Disfarces são atrações à parte em Hitman 2 (Foto: Reprodução Thiago Barros)

Ouvi de uns soldados que a primeira vítima queria falar com um xamã local. Fui até ele, o atraí para fora de um ritual e, sem ninguém ver, o abati e me disfarcei com sua roupa. De lá, fui abençoar uma obra, onde estava a mulher. Fiz isso e, logo depois, armei um acidente para uma peça de concreto cair em sua cabeça. Ninguém suspeitou de nada.

Para assassinar o segundo alvo, ouvi a dica de dois turistas: um tatuador famoso estava na área. Fui atrás dele e descobri que a presença não era por acaso. Ele iria tatuar outro dos meus alvos. Logo fui atrás dele, nocauteei, roubei suas roupas e rumei para a casa do criminoso. Quando ficamos sozinhos, furei-o com a maquininha da tattoo.

Saí correndo da mansão e já me disfarcei de novo, pois encontrei com seguranças no meio do caminho. Vestido como um soldado da milícia, fui até uma fábrica de cocaína, onde me esgueirei pelas folhas de coca e arremessei uma chave de fenda na cabeça daquele que seria meu último alvo. Depois, foi só pegar um helicóptero e voar dali.

Torne-se um tatuador e mate o alvo (Foto: Reprodução Thiago Barros)

Esse é o nível de imersão de Hitman 2. Você se sente ali. Especialmente quando um plano sai direitinho como você imaginava. A sensação é muito recompensadora. E o melhor de tudo: poderia ser tudo totalmente diferente. Os alvos são os mesmos para cada missão, mas a maneira como você os derrota pode variar muito.

Isso é o que torna Hitman 2 tão interessante. São só seis missões no “Modo História” desse jogo, mas cada uma delas pode levar horas para ser totalmente explorada. Pra descobrir cada detalhe, cada forma de assassinar seus alvos. E, claro, para morrer ou ser detectado muitas e muitas vezes antes de acertar seu plano.

São tantas armas, tantos acidentes e tantas coisas para explorar, que se você gostar desse estilo de jogo, com certeza irá gastar várias horas em Hitman 2. Ainda mais se não jogou o game anterior e comprar o “Legacy Pack”, com missões dele, ou se tiver jogado e, mesmo assim, quiser reviver aquelas missões.

Hitman 2 conta a origem do Agente 47 (Foto: Reprodução Thiago Barros)

Por trás de tudo isso, a motivação para o 47 e Diana estarem indo atrás de tanta gente em tantos lugares diferentes: descobrir mais detalhes sobre a origem do agente careca mais mortal dos videogames. O enredo não é lá essas coisas, mas te mantém curioso, envolvido, durante cada capítulo até o desfecho. Ou seja, cumpre seu papel.

Em time que está ganhando…

Esqueça o polêmico formato episódico do “Ano 1”. Hitman 2 é um jogo completo. Mais do que isso, conforme dissemos anteriormente, pode-se dizer que seria “a experiência definitiva” do Agente 47 na atual geração. Sim, é um pouco “mais do mesmo”, mas não tem como fugir disso. E até que os desenvolvedores tentaram.

Hitman 2 é um jogo bastante completo (Foto: Reprodução Thiago Barros)

Com Sniper Assassin e Ghost Mode, duas novas experiências multiplayer na franquia, Hitman 2 tenta dar uma variada, uma chacoalhada no padrão da série. Sniper Assassin segue os moldes do conteúdo já lançado, e pode ser muito divertido. O Ghost não deu para testar, por não encontrarmos adversários.

No primeiro, você fica de longe, com um rifle de precisão, mirando em alguns alvos que terá que assassinar, mas sempre tentando manter a discrição – até pra evitar que eles fujam. No segundo, o objetivo é assassinar um alvo antes do seu rival. Ele na tela dele, você na sua. Quem cumprir a missão primeiro ganha.

E na própria história mesmo, assim como no Hitman de 2016, o novo jogo busca dar uma diversidade grande ao gameplay. Não somente nas variações de assassinatos, como principalmente nas ambientações. Cada cenário é totalmente diferente do outro. Isso faz com que a jogabilidade tenha que se adaptar de missão em missão.

Modo Sniper é bem divertido em Hitman 2 (Foto: Reprodução Thiago Barros)

Além disso, continuaremos tendo os alvos elusivos – começando com um interpretado pelo ator Sean Bean. Ele é um objetivo extra, por tempo limitado, que aparece em um mapa e tem que ser assassinado quando você o encontra. Caso não consiga, ele vai sumir e você não poderá mais derrotá-lo e ganhar os bônus por isso.

Ou seja, Hitman 2 mantém o que foi bom no seu antecessor e adiciona uma coisinha aqui e outra ali. Não é inovador, mas certamente é uma experiência interessante para quem curte a série. Até mesmo quem não curte ou nunca jogou, mas tem curiosidade, pode encontrar nele uma ótima oportunidade para um primeiro passo.

Hitman 2 tem alguns assassinatos bem criativos (Foto: Reprodução Thiago Barros)

Agora, para muita gente, o jogo pode parecer somente um Hitman 1.5. Ele poderia ser chamado, por exemplo, de Hitman Season Two, não Hitman 2. Afinal, é uma evolução em relação à Season One, de dois anos atrás, mas talvez não justifique ser um game totalmente novo, até mesmo por continuar a história do anterior.

Sarrafo alto

Em termos técnicos, Hitman 2 não se compara ao nível dos principais jogos desse ano, como Spider-Man, God of War, Red Dead Redemption e até Assassin’s Creed Odyssey. Os gráficos são bonitos, com texturas bem definidas, iluminação realista e mais atenção ao Agente 47 em si, mas ainda parecem muito o que vimos no jogo de 2016.

Gráficos são bons, mas lembram o anterior (Foto: Reprodução Thiago Barros)

O destaque no aspecto visual fica por conta da ambientação. Há mapas grandes, que são bem detalhados e mostram diversos ambientes diferentes. Prédios, favelas, casas luxuosas, locais muito movimentados, selvas… Você encontra de tudo em Hitman 2 – e com um nível de fidelidade justo para o tamanho do título.

As cutscenes, porém, são decepcionantes. Elas são apenas imagens estáticas, que vão sendo substituídas enquanto as palavras são narradas. Normalmente, esse tipo de cena costuma ter gráficos lindos e ser a parte mais impressionante, visualmente, de um jogo. Nesse título não é o caso. Elas até têm artes bacanas, mas ficam abaixo do esperado.

A própria jogabilidade não tem muitas novidades. Os movimentos do 47 ainda são “meio travados”, mas é uma característica da série. Assim como a IA – bem inteligente em uns momentos e muito tapada em outros. Há casos em que o Agente 47 é descoberto até de máscara, e outros em que basta estar atrás de uma planta para conseguir disfarçar.

Você também pode usar a força bruta (Foto: Reprodução Thiago Barros)

Outro ponto decepcionante é a ausência de dublagem. A WB Games costuma dar muita atenção ao Brasil, mas infelizmente, esse título não conta com o áudio em português do nosso país. Há menus e legendas, mas nada de vozes. E em um jogo como Hitman 2, a atenção a cada detalhe conta muito. Logo, entender o idioma falado seria importante.

Recomendado, mas poderia ser mais baratinho…

No geral, Hitman 2 é uma experiência bem completa para quem curte o Agente 47, mas pode afastar quem não é tão fã assim pelo preço. Até porque ele foi lançado em um ano bem ingrato, e depois de todos os principais títulos do período. E, não, ele não é melhor do que seus “concorrentes”.

Isso pode fazer com que muita gente deixe ele passar por enquanto. O que é bastante compreensível, pois a versão básica do jogo custa R$ 249,99. A completa, com duas expansões e o Legacy Pack, sai por R$ 349,99.

E quem sabe até não rola um ‘descontinho’ legal na Black Friday, apesar do lançamento oficial do jogo ser duas semanas antes dela, no dia 13? Caso isso aconteça, aproveite, porque o game vale a pena, sim. Tanto para os fãs do assassino careca como para os que ainda não o conhecem.

Não é um baita jogo e é muito parecido com o seu antecessor, mas ainda assim tem seu valor. Hitman 2 honra o nome da franquia, que está desde 2000 fazendo sucesso sendo exatamente assim. Um jogo de paciência, inteligência e criatividade. Onde o mais legal não é simplesmente matar, mas sim como fazê-lo.

E nenhum outro jogo da série nos dá tantas possibilidades para isso quanto esse.

Avaliação
Geral
8