O anúncio de Jump Force na E3 2018 empolgou os fãs da Shonen Jump. Afinal, reunir grandes nomes de animês/mangás em um grande jogo de luta era quase como um “Vingadores Otakus”. Mas a realidade foi mais dura e fez os sonhos virarem pó.

Apesar do jogo ter seus momentos divertidos, estes não conseguem sustentar a proposta inteira. O resultado final acabou sendo um jogo muito simplório que deve satisfazer somente aos fiéis fãs dos personagens. E só.

O que tá acontecendo aqui?

A história de Jump Force não é nada complexa: em razão das ações malignas de misteriosos personagens, vários heróis foram transportados de seus mundos originais para um único universo, a Terra.

Nos acontecimentos, você assume o controle de um humano com poderes especiais e, então, inicia uma jornada de fortalecimento para derrotar os vilões.

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O seu personagem “interage” com outros heróis. Fonte: captura de tela.

A história é bem típica dos animês: existe o vilão, traumatizado por alguma questão do passado ou descrente que a humanidade tem futuro, enquanto os mocinhos são alimentados pela coragem, poder da amizade e superação.

Apesar de algumas reviravoltas (bem clichês), tudo é muito previsível e repetitivo. A narrativa se desenrola através de missões obtidas no lobby. Porém, são sempre as mesmas: vá para tal lugar, lute contra tal vilão ou seus serviçais, etc.

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No final das contas, tudo se resume a lutar contra personagens aleatórios. Fonte: captura de tela.

A progressão fica extenuante mais próxima do fim. Sabem-se lá os motivos, mas o enredo conta com missões totalmente aleatórias. Seria algo para preencher espaço, um “filler”. E acredite: Jump Force é mais da metade, “filler”.

Os pontos positivos são os personagens. É muito legal ver Samurai X interagindo com Zoro, Asta e Trunks em uma batalha de espadas, por exemplo. São sacadas que poderiam ser melhor aproveitadas.

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Ponto positivo para os 40 personagens selecionáveis. Fonte: captura de tela.

Assuma o seu lado na batalha

Um outro ponto bacana são as personalizações. Apesar do visual esquisito, existem várias opções de roupas, cabelos, tatuagens e acessórios.

E não só o visual é customizável. O estilo de luta também o é. Logo de início, você pode escolher entre ser um ninja, lutador de artes marciais ou um pirata. Isso somente define os combos básicos, já que as habilidades especiais podem ser alteradas a qualquer momento.

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Escolha as habilidades para compor seu arsenal. Fonte: captura de tela.
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E claro, as características visuais. Fonte: captura de tela.

É interessante ver um personagem utilizando o Kamehameha e, logo em seguido, usando um Jutsu de Fogo. Um ponto realmente positivo que permite a criação de ataques muito curiosos.

Só que o seu herói é muito esquisito. Ele não fala, não gesticula, não tem poderes próprios. Inclusive, na campanha, ele sequer tem voz. Quando alguém o questiona, ele sempre responde levantando os braços para cima ( ? ).

E não é só nos trejeitos dos heróis que o jogo decepciona. O visual do game está bem aquém dos jogos atuais. Em lutas, os cenários até que são “OK” e contam efeitos especiais, com cores fortes e explosões. Mas é fora das lutas que aparece a falta de capricho.

Todos os personagens possuem um visual meio que “emborrachados”. Além disso, as movimentações são duras – mesmo para um jogo 3D – e muito distantes de jogos como Dragon Ball FighterZ, por exemplo.

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Esse Yugi tá muito mal feito. Fonte: captura de tela.

É claro que o visual nem sempre define por completo uma experiência, mas no caso de Jump Force eles incomodam. Os braços de Goku, musculosos, parecem várias bexigas de plástico. Yugi veio com um rosto superficialmente quadro. Ichigo parece ter lagartas no cabelo.

Fan service

Ainda que tenhamos mencionado o jogo da Arc System Works como um parâmetro, não é muito justa a comparação. Jump Force é uma ideia muito mais descompromissada. A intenção dele não ser tão fluído, dinâmico e competitivo como FighterZ, mas ainda assim ele decepciona.

Os combates podem ser definidos muito pela escolha do personagem do que das habilidades. Os comandos são acessíveis e a curva de aprendizado até se alonga um pouco, mas nada muito profundo.

O que reforça ainda mais a proposta. Mesmo que você não seja um fã do gênero de lutas, ainda assim pode encontrar um pouco de diversão com seu personagem favorito.

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As lutas são divertidas e envolvem certos desafios interessantes. Fonte: captura de tela.

Os modos online, por enquanto, vem respondendo bem e sem travamentos. O que confirma que a Bandai Namco realmente investiu em melhorias, haja vista o BETA não ter se saído bem.

E claro, jogar com amigos localmente é muito mais divertido. Este modo também funcionou bem durante nossos testes.

Já contra a IA, as coisas se perderam. Existem as lutas fáceis e as difíceis. Só que não está totalmente equilibrado. Em alguns casos seus oponentes conseguem ser 100% efetivos em defesas, enquanto você, por mais que tente, não é capaz de igualar.

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Toguro é o exemplo de personagem apelão sem necessidade. Fonte: captura de tela.

Jump Force é um fan service. Mas isso por si só não é capaz de sustentar o título. Ainda que pacotes de melhorias e correções já tenham chegado, o jogo decepciona bastante em seus problemas técnicos.

Soma-se a isso o enredo esquecível, gráficos bastante decepcionantes e jogabilidade ruim…pronto. Você já tem uma receita que não vai cativar. E ainda tem a cereja do bolo. A edição completa do jogo custa a bagatela de R$ 400.

Seus pontos positivos ficam pela reunião de personagens de diversos universos interessantes. Na verdade foi uma tremenda de uma oportunidade perdida. Pode satisfazer aos fãs? Sim. Mas por bem pouco tempo.

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Avaliação
Geral
5.0