Just Cause 4 é um caos. E é justamente isso o que se espera de um jogo da franquia. Só que acontece para o bem e para o mal. Do lado positivo, a jogabilidade famosa, de variados veículos, muitas explosões e o gancho que te leva a qualquer lugar. Do outro, visual medíocre, enredo pouco atrativo e missões pouco inspiradas.

Quando vimos aqueles trailers super divertidos e bem bonitos de Just Cause 4, parecia que ele seria uma grande evolução em relação a Just Cause 3. No entanto, acaba bem parecido com seu antecessor. Tem um mundo aberto até interessante, mecânicas boas de gameplay e tudo, mas que não cativa e fica longe do nível de AAAs de 2018.

Falta inspiração

O enredo de Just Cause 4 é bem genérico: Rico Rodriguez, o protagonista, é mais um daqueles quase super-heróis que, praticamente sozinho, tem que enfrentar um grande exército controlado por um vilão. Nada de novo, nem de muito cativante. Tem até mais elementos “familiares”, toda uma proposta de revolução na região, mas nada demais.

A história se desenrola em Solis, uma região na América do Sul que parece bastante a Bolívia de Tom Clancy’s Ghost Recon Wildlands. São vários ambientes diferentes, com seus exércitos bem postados, protegendo colecionáveis, bases, etc. A diferença é que você não mata chefões do tráfico, mas sim os governantes da região.

O ditador Salvador Mendoza usa a Mão Negra, exército particular, comandado por uma nova personagem, Gabriela Morales, para manter o poder na região e tentar controlar o clima extremo da área – que é um dos grandes diferenciais do game. Os eventos de JC 4 são uma continuação direta de JC 3.

Rico só vai para Solis porque descobre que seu falecido pai tinha uma relação com os membros da Mão Negra. Então, ele vai em busca de respostas na América do Sul. Lá, depara-se com Mendoza, que apareceu no primeiro Just Cause, e com Sebastiano Di Ravello, do Just Cause 3.

Ou seja, até mesmo os personagens são “requentados” de outros jogos da série. Por mais que isso possa ser bacana em alguns pontos, por vermos uma sequência para a história de Rico, mais inovação não faria mal. Resumidamente, falta inspiração para o enredo de Just Cause 4 – e isso se repete em outras áreas.

Especialmente no design das missões. É comum jogos de mundo aberto terem algumas tarefas meio repetitivas, mas em Just Cause 4 é quase tudo assim. São inúmeras vezes em que você tem, por exemplo, que invadir um determinado local, que tem duas portas, para resgatar os reféns presos em cada uma delas.

A quest principal até tem seus momentos, mas as batalhas contra exércitos, que são só enfrentar ondas de inimigos mesmo, e as sidequests são muito genéricas e repetitivas – tendo graça apenas se você se planejar para fazer novos tipos de explosões e desastres que quebrarão tudo o que aparecer pela frente.

Até os gráficos, que pareciam lindos nos trailers, estão abaixo do esperado – e isso no PlayStation 4 Pro. A ambientação é bem feita, e os diferentes tipos de locais, como as praias, os desertos e a nave merecem elogios, é verdade. Porém, o nível de detalhes, tanto dos cenários como dos personagens, é apenas mediano.

É semelhante a Ghost Recon Wildlands em mais esse aspecto. Só que a diferença do jogo da Ubisoft é de março de 2017, enquanto Just Cause 4 é de dezembro de 2018 – ano em que tivemos diversos games com gráficos espetaculares, mesmo com mundos abertos enormes, como Assassin’s Creed Odyssey, Marvel’s Spider-Man e RDR2.

A jogabilidade salva

Na jogabilidade, sim, vemos algo um pouquinho mais inspirado – mesmo que também não seja lá tão diferente de Just Cause 3. Primeiro, o jogo não tem microtransações e loot boxes, o que já merece elogios. Vai ter DLCs posteriormente, é verdade, mas não há compra de itens.

Segundo, porque o arsenal de Rico está ainda melhor. Ele segue tendo um gancho, o pára-quedas e wingsuit, só que tudo com mais possibilidades. Especialmente, é claro, seu gancho: cheio de novos apetrechos, como balões para fazer coisas flutuarem e a opção de se arrastar para qualquer lugar de um veículo (tipo a porta de um avião).

Por falar em veículos, a lista completa é extensa, mas você pode andar em carros de luxo, carros esportivos, aviões, helicópteros, barcos, motos, triciclos e por aí vai. Seja comprando, solicitando um piloto ou roubando mesmo. Essa variação deixa tudo mais dinâmico no traslado entre um ponto e outro.

Entre as armas, as possibilidades também são grandes. Pistolas, fuzis, rifles, SMGs, lança-granadas, lança-foguetes e por aí vai. Não faltará poder de fogo para Rico dar cabo dos inimigos. E o bacana é que os combates são intensos, em ritmo acelerado, normalmente contra vários inimigos que têm uma boa inteligência artificial.

O sistema de mira é bem feito, e não tão automático, a troca de tiros é realista para o nível de um jogo de aventura (apesar de nada ser hitkill em Rico) e todo o sistema de controlar veículos e usar o gancho para se locomover entre um local e outro também funciona muito bem.

Só que o grande destaque mesmo é sair explodindo tudo! O caos! É por isso que Just Cause faz algum sucesso desde seus jogos anteriores – e não é diferente no capítulo mais novo da franquia. Sem dúvidas, você vai se divertir jogando Just Cause 4 – e isso se dá devido a todas essas boas possibilidades da jogabilidade.

O grande problema é que, depois de um certo tempo, isso acaba perdendo a graça. Não dá para se divertir só explodindo tudo por horas e horas porque o enredo não é tão bom e as missões são cansativas. Para quem está acostumado com Just Cause, ótimo. Para quem tem tanta coisa para comprar nesse ano, não é o suficiente.

Na média

É muito complicado gastar R$ 249 (na PlayStation Store brasileira) em Just Cause 4 em um ano tão cheio de títulos consagrados. Muita gente ainda não conseguiu jogar tudo o que queria em 2018 – que teve o  God of War, Red Dead Redemption II, Marvel’s Spider-Man e Assassin’s Creed Odyssey, por exemplo.

Se for o seu caso, espere uma promoção e deixe Just Cause 4 para o fim da lista. Por mais divertido que ele possa ser, não consegue fazer frente aos principais jogos dessa categoria de “Aventura” no ano. Afinal, além desses blockbusters, ainda tivemos outros bons jogos, como Shadow of the Tomb Raider e Hitman 2, que estão à frente de JC4.

Avaliação
Geral
7.0