O grande ponto a ser debatido sobre Madden NFL 20 é o quanto ele é uma real evolução da franquia. Uma das séries mais aguardadas dos games todo ano, especialmente nos Estados Unidos, ela ganha mais um título sob aquela ótica de “só mudam os jogadores de time”, já impregnada na cabeça de muitos jogadores.

Há casos em que, sim, isso parece verdade. Em outros, não, é uma crítica super simplista a mudanças que, realmente, para leigos, ou jogadores extremamente casuais, não são fáceis de notar. Madden NFL 20 parece ser mais a segunda opção do que a primeira. Poderia, sim, ter evoluído em aspectos mais claros. Mesmo assim, há melhorias significativas a destacar.

Contudo, não é um jogo perfeito. Há ainda pontos que deixam a desejar. Especialmente em termos de inovação mesmo. O modo Franchise, por exemplo, evolui pouco. A nova Carreira (chamada de Face of the Franchise) tem “boas intenções”, mas não chega a prender. E fica, de certa forma, uma sensação de que mudanças grandes mesmo só na próxima geração.

First Downs e Passes Incompletos

A análise de Madden NFL 20 é como uma partida real de futebol americano. Tem seus first downs e touchdowns, mas também há alguns passes incompletos. Contudo, não chegamos a observar defeitos que sejam tão negativos quanto um fumble ou uma interceptação, mas há uma série de pequenos detalhes que fariam as jogadas serem mais eficientes.

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E esses altos e baixos são identificados em quase todos os quesitos a serem analisados. De gráficos a jogabilidade. Há somente uma exceção: o áudio. A trilha sonora e a narração das partidas merecem todos os elogios possíveis. As músicas têm aquela pegada bem urbana e de grande identificação com a NFL.

Seguindo na questão de apresentação, os menus estão muito mais bonitos, também nessa linha urbana, de street art, e as animações pré-jogo também são super bem feitas. Porém, após as partidas elas deixam a desejar na criatividade. São sempre as mesmas, e nem são  realistas – com treinadores derrotados se irritando muito, independente do jogo.

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Visualmente, o jogo está mais bonito do nunca in-game. Uniformes, estádios, jogadores, é tudo extremamente bem construído. Contudo, em cutscenes, especialmente do novo modo carreira, Face of the Franchise, há uma certa decepção. Os rostos não são lá dos melhores, nem mesmo as estruturas corporais.

Há ainda aquelas cenas em que há pequenos bugs visuais, durante os jogos, quando uma determinada parte do corpo de um jogador “entra” pelo outro, atletas somem na hora de comemorar um touchdown e aparecem em outro lugar, para dar início à animação que é ativada após o lance… São só detalhes, mas incomodam um pouco.

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O mesmo é sentido no gameplay em si. Madden NFL 20 talvez seja o mais realista, com a jogabilidade mais apurada da série. Apesar disso, ainda há o que ajustar. Passes longos de determinados jogadores estão bem “roubados”, e o jogo corrido está eficiente demais. Nos jogos online, inclusive, há muita gente correndo com os quarterbacks toda hora.

A sensação é de que o título está favorecendo muito mais o ataque do que a defesa. Ainda nessa questão do jogo corrido, e até com alguns recebedores, os jogadores ofensivos têm, aparentemente, sempre vantagem em relação aos defensores no físico. É comum avançar algumas jardinhas a mais mesmo após sofrer o contato.

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Fora algumas jogadas da CPU que não fazem muito sentido – e nenhum jogo de esporte é tão dominado pela CPU quanto Madden. São tantos jogadores e variações táticas que fica mais complicado de fazer tudo manualmente. Por isso, é importante que a IA seja a mais afinada possível, o que não acontece em alguns casos, dependendo da dificuldade do jogo.

Cara da Franquia

Nos modos de jogo, não é diferente. Altos e baixos. A começar pelo Face of the Franchise, ou Cara da Franquia, o Modo Carreira de Madden NFL 20. Substituindo Longshot, que era uma espécie de A Jornada, de FIFA, o novo modo tem um ritmo mais acelerado e com as cutscenes e o enredo não sendo tão envolventes.

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Isso é uma faca de dois gumes. A jogabilidade está mais no foco, há como evoluir melhor seu personagem, e adição das habilidades X-Factor deixa tudo ainda mais imprevisível. É possível ganhar boosts em seus jogadores de acordo com as características escolhidas. A experiência ficou mais “RPG”.

Sem falar nos diálogos que geram recompensas. Antes de um jogo contra os Packers, por exemplo, Aaron Rodgers manda uma mensagem no celular do jogador que você criou. Aí você escolhe como responder: respeitoso, desafiando ou desrespeitando. Dependendo do que acontecer, uma meta é colocada para a partida, e se você cumprir, ganhará mais XP.

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A grande questão é que a parte de background do modo, que começa bem interessante, mas não mantém o nível. A própria passagem do jogador pelo futebol universitário não tem tantos jogos quando poderia. E mesmo esses diálogos via celular depois são repetitivos, quase sempre com as mesmas frases. Uma pena.

O modo Franchise, então, parece ter sido deixado de lado. O Ultimate Team teve algumas melhorias interessantes, com ainda mais recursos. Drafts, coleções, progressões. É muito mais completo do que antes. A Franquia, no entanto, está igualzinha a de Madden NFL 19. Semelhante ao que aconteceu com as críticas a alguns modos de FIFA 19 x FIFA 18.

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É bacana o fato de ter várias possibilidades diferentes de jogar Madden, que ainda tem, é claro, as partidas online (que no Brasil não são tão divertidas, devido a problemas com a conectividade, já que a maioria dos adversários é dos EUA, e isso gera delays em certos comandos) e exibições offline.

Madden NFL 20: vale a pena?

Madden NFL 19 foi um grande jogo. Talvez por isso a EA tenha decidido não mexer tanto no jogo para Madden NFL 20. Ou também porque, ao que tudo indica, o foco está em 2020, já que vem aí a nova geração dos consoles.

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No Meta Critic, o jogo tem nota 79 de média nos reviews de jornalistas, com mais de 20 críticas. Mas na avaliação do público, com mais de 180 ratings, ele possui média de 1,7. Apesar disso, o título é um sucesso de vendas.

Resultado de imagem para selo recomendado meups4E, para os jogadores realmente ligados à série e ao esporte, ainda é um título que merece o título de recomendado. Claro, poderia ter sido mais criativo, e tem alguns detalhes bem relevantes a serem ajustados, o que pode ser corrigido em upgrades durante a temporada.

Ficou um gostinho de “quero mais”, mas não dá para crucificar nenhum game anual que passe essa impressão nesse ano. É preciso ser realista. São títulos de fim de geração. É hora de fazer um pacotão do que deu certo, um ajuste aqui, outro ali e pronto.

Novidades intensas mesmo, provavelmente, só no Madden NFL 21. Quem sabe até no 22.

Madden NFL 20

8

Geral

8.0/10

Vantagens

  • Gráficos in-game
  • Simulação tática
  • Novos recursos Superstar
  • Ultimate Team melhorado

Desvantagens

  • Pouca inovação nos modos
  • Pequenos bugs visuais
  • Jogabilidade com apelações
  • Visual das cutscenes