Enquanto o controle jaz no meu colo, eu me lembro de toda jornada que enfrentei em Metro Exodus, até o final. Uma jornada difícil, penosa, mas de certa forma recompensadora e gratificante.

É diferente pensar como esta sequência se tornou extremamente diferenciada, a ponto de ofuscar sobremaneira os jogos anteriores. Tudo indicava que este seria o mais ambicioso dos três jogos. As impressões não estavam erradas.

Trazendo elementos e personagens do passado, ampliando o já vasto leque de possibilidades de gameplay, com uma história envolvente, Metro Exodus surpreende por manter o legado da saga neste que pode ser o capítulo final da franquia.

O homem deixa a guerra; A guerra não deixa o homem

Artyom, o personagem principal, agora é membro da Ordem Espartana, grupo de soldados de elite da nova sociedade, que vive sob os escombros de Moscou. Além de suas responsabilidades como soldado, tem aquelas como marido.

Casado com Anna, filha do líder de sua ordem, Artyom tem aspirações muito maiores que continuar enclausurado dentro dos túneis apertados, escuros e perigosos que sempre viveu.

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Ter como sogro um comandante militar é uma coisa complicada. Fonte: Metro Exodus

É esse desejo incontrolável que desencadeará uma sucessão irrefreável de eventos, que os levarão ao Êxodo. Mas que eventos seriam esses? Que acontecimentos se abateram sobre todos?

Entre novos aliados e velhos inimigos, o jogador vai vivenciar uma narrativa envolvente, que mostra claramente os horrores das consequências da guerra. Consequências essas que, assim como a radiação, duram para sempre.

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O melhor ponto neste aspecto é que o enredo é competente. De forma clara e direta, o jogador é apresentado aos personagens, sua parte na jornada, e suas principais motivações, ao mesmo tempo que lhe é dada a liberdade de “adivinhar” outra boa parte dela.

E por fim, o jogo conta com aquele sutil sistema cármico, que recompensa o jogador conforme suas ações, boas ou más, com finais diferentes. Compensa jogar mais de uma vez, só para ver o que acontece se você for mais cruel (ou piedoso).

O mundo é meu quintal para explorar…

A ambição de Metro Exodus vai além de sua narrativa. Todo jogo foi concebido para ser grandioso na sua essência. A começar pela liberdade de escolha e exploração.

Uma vez que o jogador não está confinado apenas aos túneis e a cidade de Moscou, foi necessário repensar a maneira de abordar o gameplay. Como um jogo single-player genuíno, o título traz uma grande liberdade na escolha de basicamente tudo.

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Diversos elementos voltam dos jogos anteriores, como a necessidade de se explorar para encontrar recursos, construir armas e equipamentos com sucata encontrada – apesar de o jogo estar BEM mais generoso neste sentido.

Com isso em mente, vai da escolha do jogador prosseguir pela história direto ou investir um tempo a mais vasculhando todos os locais possíveis. As recompensas para isso vão desde novas armas e itens até um pouco mais de conhecimento sobre o mundo fora da cidade.

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Apenas lembre-se: o mundo exterior está vivo, não gosta de você e vai devora-lo vivo no menor descuido. Literalmente falando.

Efeito Fallout/MGS/S.T.A.L.K.E.R. e afins…

E em se tratando de um mundo aberto e orgânico, Metro Exodus é um show. Apesar de vastos, os mapas são sempre recheados com elementos que os tornam “atrativos”. Eventos e inimigos estão por toda parte e funcionam independente da existência do jogador.

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O título é uma mistura acertada de FPS, survival horror e sobrevivência. A exploração é casada com confrontos constantes e (in)esperados a quase todo momento. O lema “sobrevivência do mais forte” é uma constante aqui.

Neste aspecto, o jogador também tem escolhas. A abordagem mais furtiva garante uma probabilidade maior de sobrevivência. Além disso, a escolha do horário do dia tem papel fundamental. A escolha dos equipamentos e armas também tem muita relevância.

A noite, você é menos visível e menos inimigos humanos estão acordados. Mas as feras e monstros mutantes estão mais ativos e são mais perigosos. Durante o dia, os humanos serão sua principal preocupação.

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Mas isso não importa quando é necessário se aventurar por túneis e bunkers. Aqui é onde entra o survival horror. Sustos e tensão tomam conta, especialmente quando a munição está baixa. Cada tiro é a diferença entre a vida e a morte.

Inteligência nada artificial

Para que estes elementos se casem de forma satisfatória é necessário que haja boa conexão entre eles. A inteligência artificial do mundo é essa conexão.

Deixar corpos serve de alerta a outros inimigos. Ligar uma lanterna deixará patrulhas em prontidão, e eles vão investigar. Até mesmo desligar fontes de luz tem efeito, chamando a atenção de quem quer que esteja perto.

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As feras agem como bando. Eles irão se aproximar sorrateiramente, chamar por reforços, e atacar pelas costas. Morrer por não ter visto aquele ataque vindo das laterias, de um monstro patrulheiro, não será algo raro.

Claro, existem deslizes observados neste ponto. Bugs ocasionais ocorrem especialmente com soldados, que travam em uma movimentação sem fim ou começam a voar. Inimigos podem desaparecer e até aparecer sem qualquer aviso.

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Nada, contudo, que chegue a estragar a experiência.

O lixo de um é o luxo do outro

Você está em um mundo pós-apocalíptico, devastado pela guerra nuclear. Não espere por uma loja vendendo tecnologia de ponta. Aqui, é necessário vasculhar tudo para conseguir suprimentos, armas, munição e equipamentos.

É possível fabricar uma infinidade de coisas, melhorar seus equipamentos, após coletar partes específicas, em qualquer estação de trabalho espalhada pelo mundo.

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Corpos, cabanas e locais abandonados guardam itens que podem ser usados para tudo. E por falar nisso, é sempre bom ficar de olho nas armas. Armas sujas e equipamentos danificados tendem a ser bem menos eficientes.

A viagem pelo olho de um observador

Algo que realmente impressiona na execução do jogo é seu trabalho audiovisual.

A trilha sonora é extremamente acertada, com momentos de silêncio intercalados com uma trilha sonora dinâmica. Os efeitos de sons e músicas mudam conforme a situação, escalando para momentos épicos durante as batalhas mais intensas.

Os gráficos são bem feitos, com elementos do cenário bem construídos, texturas e efeitos de partículas e fumaça elaborados de forma realista. A passagem do tempo acontece de forma orgânica e é visualmente bela de se assistir.

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Como o jogo se passa no período de um ano inteiro, as paisagens externas também se modificam, para acomodar as diferentes estações. É belíssimo ver o inverno nuclear se transformar em uma bela primavera.

Neste quesito, há algo a se pontuar. Os efeitos de luz e sombra são, por assim dizer, problemáticos. Em determinados momentos você será visto, mesmo estando completamente oculto. Isso vai acabar por estragar, por diversas vezes, sua estratégia de abordagem.

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O fim da jornada…?

Metro Exodus é surpreendente. Não apenas porque evolui todos os aspectos de seus antecessores. Mas o faz de forma ousada e competente. Apresentando uma narrativa cheia de peso, o jogo não decepciona.

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O melhor é que ele conta com um competente trabalho de dublagem, trazendo maneirismos e sotaques tipicamente russos. E para ajudar aos que pouco ou nada entendem de inglês, o jogo conta com a localização de menus e legendas, que certamente ajudarão a entender mais do que se passa ao seu redor.

Poucos são os pontos a se considerar em Metro Exodus, além dos problemas já descritos. Talvez um personagem preso no cenário aqui, ou uma travada de jogo ali.

E é provável que, ao fim de sua jornada, você esteja como eu. Com o controle no colo, pensando em tudo o que viveu até aqui.

Avaliação
Geral
8.0