Depois de um longo hiato, SoulCalibur VI chega com o vigor de um jovem. O jogo de espadas, além de ser um genuíno representante da competente saga, também é uma ótima opção para os fãs menos adeptos ao estilo.

Não que você precise ser um jogador diferentão para apreciar jogos do gênero. É só porque – geralmente – é necessário investir muitas horas para se atingir um bom nível na execução de comandos. Mas este jogo foge um pouco disso. SoulCalibur VI é bem amigável para os novatos. Sua curva de aprendizado é mais linear que Dragon Ball FighterZ, por exemplo.

E isso é um grande diferencial do jogo. Que também consegue ser uma bela opção para os mais experientes. Por falar em experiência, os já mais habituados vão ser afeiçoar organicamente ao jogo.

Recomeço no sexto

O número VI poderia nem estar presente na descrição. Este jogo é uma espécie de reinício da série. Algo como uma releitura de todos os eventos. Mas a história é a mesma: uma batalha epopeica para ver quem fica com as lendárias (e amaldiçoadas) espadas Soul Edge e Soul Calibur.

E se você gosta de histórias, neste você vai encontrar dois modos. Uma narrativa mais  elaborada, e outras individuais para cada um dos personagens. Portanto, é muito para ser acompanhado. Em tempos onde os jogos de luta, a exceção de Injustice, apenas dão uma breve contextualização, SoulCalibur VI se destaca por entregar muito conteúdo.

Cada personagem tem sua história.

Mas não se empolgue tanto.

A história é contada em quadros estáticos com as falas dos personagens em texto. Não é uma animação dinâmica, o que desmotiva muito o acompanhamento dos acontecimentos e acaba por despertar uma sensação de marasmo. O bom é que os confrontos acontecem a todo instante e você, provavelmente, não ficará entediado por longos minutos.

Por outro lado, se falta inspiração na maneira como o enredo é contado, sobra qualidade técnica na jogabilidade. Na verdade não é nenhuma surpresa, já que a série sempre se destacou por oferecer mecânicas refinadas.

Esta nova versão entrega novidades bem interessantes como o Reversal, uma técnica que coloca o jogo em “câmera lenta” onde os jogadores disputam uma espécie de “pedra, papel e tesoura”.

Ainda que pareça um pouco esquisito decidir o sucesso ou fracasso de um golpe por meio da sorte – um componente subjetivo – a opção é mais profunda do parece. É preciso considerar vários aspectos como: distância do oponente, estilo de luta do seu personagem, tipo de ataque escolhido, entre outros. Isso tudo somado vai determinar quem vai vencer este mini-duelo dentro da luta.

Obviamente fica estranho em um ambiente tão competitivo. Imagine esse recurso decidindo um campeonato na EVO, por exemplo. Não parece muito justo, certo? Mas a opção dá uma chance para que os jogadores respirarem um pouco entre os sopapos.

Jogabilidade é refinada. Acessível para os novatos e profunda para os veteranos.

Novidade também são as habilidades específicas de cada lutador. Cada um deles conta com características bem distintas, tornando cada escolha muito importante. Também oferece singularidade no gameplay.

O VI capítulo também marca o retorno do Guard Impact, um comando que abre a guarda do adversário, ataques indefensáveis e o hit que arremessa o lutador ao alto de forma abrupta.

Talvez uma das principais qualidades do game seja sua curva de aprendizado. SoulCalibur VI é daquele tipo de jogo que mesmo que alguém não saiba absolutamente nada, e apenas esmague botões, vai se divertir bastante. As combinações – pelo menos as mais básicas – são bem fáceis e exigem muito pouco. O que torna a proposta bastante simpática.

Por outro lado, caso você queira um desempenho mais satisfatório, precisa investir muitas horas em treinamentos mais avançados. Neste ponto o jogo se mostra mais profundo e com ótimas opções para os mais competitivos. Talvez por ser tão dinâmico, SoulCalibur VI seja tão bacana.

Todos estes adjetivos são bem prostrados também no modo online. O netcode funciona de forma aceitável e permite que as lutas sejam bem competitivas e fluídas, embora em alguns momentos observa-se um desempenho não tão garboso. O ponto fraco é que as opções são mais limitadas.

Fechando o círculo, vem a opção de criação de personagens. Se você é criativo, alegre-se! As alternativas permitem a criação de um lutador bem completinho. Pode-se espelhar em um estilo já existente e partir para um modelo “para chamar de seu”. Rolou até umas esquisitices, onde os usuários estavam criando personagens que acabavam atrapalhando o gameplay, mas isso já foi corrigido.

Amplo sistema de personalização agrada.

E quando se fala em personagens, talvez seja aqui o ponto em que os jogadores brasileiros possam se distanciar um pouco. Por não ser tão popular quanto Street Fighter, Tekken ou Mortal Kombat, SoulCalibur pode não despertar tanto interesse. Mesmo que quase todos os principais nomes da série, como Mitsurugi, Zasalamel, Yoshimitsu, e diversos outros marquem presença, muitos ainda são desconhecidos.

Para tentar atenuar isso e captar novos adeptos, SoulCalibur VI traz a marcante presença de Geralt de Rívia, o bruxo de The Witcher. Que por sinal, é uma das melhores escolhas por ser bem equilibrado. Todos os seus golpes são inspirados no RPG de Ação.

Jogo conta com um bom número de lutadores.

SoulCalibur VI: o retorno da lenda

Em um ano que contou com a evolução constante de Street Fighter V, Dragon Ball FighterZ e a conclusão de Injustice 2SoulCalibur VI é mais uma ótima opção, mostrando que o gênero está em plena forma novamente.

O jogo da Bandai Namco é uma mescla bastante harmoniosa entre estilos: acessível para os iniciantes e bem intrínseco para os mais experientes. O único ponto em desagrado é seu preço, ainda bem salgado. O que pesa na avaliação é que suas qualidades técnicas são bem compensatórias.

Avaliação
Geral
8.0