É difícil não gostar, logo de cara, de Starlink: Battle for Atlas. Com gráficos bem bonitos e coloridos, no melhor estilo Fortnite, naves espaciais personalizáveis e vários mundos para explorar, ele diverte e pode ser muito atrativo, especialmente para um público mais jovem. Só que, conforme o tempo passa, essa empolgação inicial diminui.

Primeiro porque suas missões acabam ficando um pouco repetitivas. Depois porque há uma falta de conteúdo: não há modo multiplayer online (um baita desperdício, diga-se), nem o conteúdo extra de Star Fox (exclusivo no Switch). E, por último, porque ele é um joguinho bem caro, viu?

Na PlayStation Store brasileira, a versão digital sai por R$ 199 – o preço básico para lançamentos, mas ainda é salgado para um título como Starlink: Battle for Atlas. E a versão física, com um kit de brinquedos interativos (piloto, nave e armas que podem também ser usados no jogo, como bonecos de Skylanders), sai por “apenas” R$ 549.

A primeira impressão…

Starlink: Battle for Atlas começa muito bem. Gráficos bem interessantes, no estilo Fortnite, uma história misteriosa, em que você é parte de um esquadrão que tem que defender um universo inteiro e a promessa de muitas missões e exploração em diversos planetas, com variadas características de fauna, flora e habitantes.

Combate em Starlink é bem diversificado e frenético (Foto: Reprodução/Thiago Barros)

O enredo é bem simples. Você escolhe um dos pilotos e uma das naves, cada um com as suas propriedades, e começa a exploração. Você voa planeta por planeta, encontra vários alienígenas – alguns amigos e outros nem tanto – e vai em busca de pistas sobre quem foi o responsável por sequestrar seu comandante.

Seus inimigos fazem parte de uma Legião, comandada por um alien malvadão que quer produzir um tipo de energia rara, a Nova. O líder do seu esquadrão, curiosamente, sabe como criar esse material – e, por isso, foi raptado pelo bando. Sua missão, claro, é evitar que ele seja usado para o mal.

Enredo de Starlink é até interessante (Foto: Reprodução/Thiago Barros)

E quando você chega ao primeiro planeta, é tudo muito interessante. O sistema de voo, as missões passadas por NPCs misteriosos, os inimigos que aparecem no meio do seu caminho, as sidequests, e principalmente os upgrades que podem ser feitos tanto para seu personagem como para armas, naves e a sua base.

A experiência é muito divertida, os gráficos são excelentes e a maneira como tudo acaba se desenrolando é bem fluida e natural. Os combates também merecem elogios, porque você pode usar diversas armas, de vários elementos, e até combinar tiros delas para que sua nave crie verdadeiras bombas super efetivas contra os inimigos.

Outro detalhe bacana é que você também atua como um pesquisador, coletando itens e analisando espécies desconhecidas. Tem toda uma pegada No Man’s Sky na coisa, que impressiona à primeira vista. E dizem que a primeira impressão é a que fica, né? Porém, não no caso de Starlink

Não é a que fica!

O que acontece é que depois de algumas horas, Starlink: Battle for Atlas acaba enjoando. Ele continua sendo divertido, mas perde aquela vibe que te prende no começo. E são vários os motivos para isso. Desde o aspecto um pouco infantil dos gráficos do game até as missões, que se tornam repetitivas.

Exploração de planetas é bem divertida (Foto: Reprodução/Thiago Barros)

A jogabilidade somente com naves é limitada, e mesmo com os barrel rolls que você pode fazer e a personalização das armas, o título acaba decepcionando um pouco. Os inimigos até mudam, mas pouca coisa: só de elemento mesmo. Você toda hora tem que derrotar o mesmo tipo de alien, liberar o mesmo tipo de posto de comando…

Não é que Starlink seja um game ruim, mas também não é daquelas experiências que o jogador do PlayStation 4 precisa ter. Infelizmente, não tivemos a oportunidade de testar esse game com uma nave daquelas de brinquedo, para ver se fica mais divertido de um jeito ou de outro, mas não parece ser o caso.

Combates são bem parecidos em vários momentos (Foto: Reprodução/Thiago Barros)

Uma coisa que poderia fazer o jogo ser mais atrativo para a galera da antiga era ele ser praticamente um crossover com Starfox. Há conteúdo inspirado no clássico da Nintendo (Rare, Namco, Bandai, etc) para Starlink, como Fox McCloud como personagem jogável. Entretanto, ele é exclusivo do Nintendo Switch. Uma pena.

Para a família

Não é à toa que Starlink: Battle for Atlas foi um dos indicados ao prêmio de Melhor Jogo para a Família no The Game Awards 2018. Ele é divertido, muito colorido e deverá atrair as crianças. Mas não passa disso mesmo. Só que pelo seu preço, era de se esperar um game mais maduro, mais completo.

Personalização de naves é um dos atrativos (Foto: Reprodução/Thiago Barros)

Especialmente por vir da Ubisoft e ser tratado como um jogo AAA. Ele cumpre bem seu papel, e até deve atender às expectativas dos desenvolvedores como resultado final. A grande questão é que, para o consumidor, provavelmente não será tão atrativo. É caro, restritivo em termos de público e encontra muitos concorrentes de peso no mercado.

Para o público mais cascudo, não precisamos listar as opções, né? E mesmo para as crianças, qualquer LEGO, por exemplo, com personagens mais famosos e gameplay também super divertido e cheio de possibilidades, deve ser mais atrativo. Por isso, o Starlink, mesmo sendo um bom jogo, não deve emplacar.

Por mais divertido e bonito que ela seja, sua ação somente com naves é limitada, as missões são repetitivas e ele não tem dublagem em português do Brasil (só menus e legendas estão disponíveis no nosso idioma). Ou seja, pode até valer a pena, porém, quando seu preço cair um pouco.

Avaliação
Geral
7.0