Dead Cells é um daqueles poucos jogos que você começa a jogar despretensiosamente, e não consegue explicar como se passaram seis ou mais horas, ao olhar novamente o relógio. Um expoente de um novo estilo de jogo, que vem se consolidando no mercado: o Roguevania.

O titulo da Motion Twin possui jogabilidade e ambientação reminescentes dos antigos jogos Castlevania, adicionados com geração aleatória de cenários e morte permanente de personagem. Para completar, uma história no mínimo intrigante, personagens carismáticos, e uma jogabilidade extremamente precisa é desafiadora fecham o pacote.

Dead Cells pega o que há de melhor em jogos do gênero, e os turbina a um nível surpreendente. Temos o mais novo título viciante do ano.

Células mortas muito vivas

Em Dead Cells, o jogador encarna um experimento que deu errado. Com a habilidade de possuir corpos, você agora precisa tentar escapar da ilha/laboratório, enquanto tenta também entender o que aconteceu com o local. O que, por vezes, se torna bastante complicado. Assim como jogos do gênero, a história não é contada de forma explícita.

Conforme se explora e avança no jogo, descobre-se que uma doença chamada Malefício assolou o local. Aqueles com sintomas da moléstia ou eram executados, ou levados para serem utilizados como experimentos. Dentre os sobreviventes, você encontrará aliados e inimigos, que o ajudam com conselhos ou itens, ou se põem em seu caminho.

Você acorda sem se lembrar de onde veio, o que aconteceu, ou pra onde deve ir. Fonte: Dead Cells

Por vezes, as duas coisas.

Jogabilidade afiada a nível celular

Um dos (inúmeros) pontos positivos de Dead Cells é sua jogabilidade. Os combates são difíceis, frenéticos e brutais, e a escolha da melhor arma ou equipamento determina até onde você é capaz de chegar.

A movimentação do protagonista é fluida. Seus golpes tem peso, e ele se comporta de acordo com o estilo de luta e as armas que usa. As armas estão bem desenhadas e distribuídas pelas categorias. Você pode escolher seu estilo: mais corpo-a-corpo, ou a distância.

Há uma gama surpreendente de inimigos, cada um com ataques específicos. Dependendo do local, ainda usam estrategias diferenciadas para derrota-lo. Por exemplo, podem usar as armadilhas do ambiente para acabar com sua energia. Os chefes são distintos e requerem estratégias diversas, não devendo ser menosprezados.

Basta um segundo de bobeira para acabar morto. Fonte: Dead Cells

Como já dito, o jogador possui apenas uma vida. Morreu, começa de novo, com todos os atributos e itens perdidos. Ficam as habilidades permanentes e as runas desbloqueadas. É dessa forma que se avança no jogo. Conforme mais habilidades permanentes são desbloqueadas, mais áreas podem ser acessadas.

Isso não quer dizer que sua jornada tenha que ser curta. É possível, embora muito difícil, se terminar o jogo com uma única vida. Este, contudo, não é o foco do jogo. Morrer é parte integrante da jornada, pois muitos eventos apenas acontecem durante diversas rodadas. Dessa forma, o jogador ainda consegue aproveitar os itens que desbloqueia.

Morrer também quer dizer evoluir. Assim, você encontrar e destrava mais habilidades. Fonte: Dead Cells

Detalhes microscópicos que fazem a diferença

O titulo tem diversos elementos que o tornam especial. Seus cenários não aparentam ser apenas uma junção de elementos pré-construídos, mas algo realmente elaborado para ser único a cada rodada. E nossa, como são belos! Cheios de referências (ocultas ou não), remontam aos melhores jogos do gênero.

Mesmo sugerindo-se um título mais sério, o protagonista é extremamente carismático e divertido, por vezes se comunicando de forma gestual, o que provoca algumas boas risadas, dadas as suas reações. Seus monólogos também são diferenciados, sempre agregando ainda mais à sua atitude.

Apesar de quase não conversar, o protagonista possui inúmeras expressões corporais, que dão o tom do jogo. Fonte: Dead Cells

A trilha sonora é outro destaque, com músicas colocadas perfeitamente a cada cenário. Empolgantes e diferenciadas, elas se tornam uma parte orgânica do jogo, de forma que o próprio jogador já as começa a cantar durante o gameplay. Para finalizar o trabalho de mestre da desenvolvedora, a sonoplastia e outro ponto extremamente competente do título.

Permita-se apreciar o por do sol das muralhas, ou as ruinas da Torre do Relógio. Pare um pouco para escutar a fantástica trilha sonora do Alojamento dos Prisioneiros, ou mesmo vislumbrar os detalhes verdes dos portos. Dead Cells traz tanta beleza espalhada que fica complicado até descrever as inúmeras nuances do título.

Pare um pouco para observar os cenários fantásticos do jogo. Fonte: Dead Cells

Dead Cells – Um jogo fantástico

O título é realmente um exemplo de como jogos deste gênero devem ser produzidos. Além da fantástica ambientação, jogabilidade com precisão cirúrgica e desafios na medida, o título ainda possui muitos outros atrativos para angariar ainda mais jogadores.

Dead Cells é totalmente localizado para nosso idioma (claro, considerando que o título não possui diálogos falados), com alguns poucos erros de localização, que inclusive já foram corrigidos. Ele ainda tem um troféu de platina, para os caçadores mais ávidos. Se este for o seu caso, prepare-se para um desafio ainda maior. Troféus como “matar X chefe sem tomar dano” estão presentes na lista.

Fora isso, o jogo possui muito conteúdo. Colecionáveis, armas e acessórios a destravar, habilidades e áreas a explorar. As possibilidades são muitas, o que certamente irá agradar aos jogadores que gostam de exploração. Mas se você gosta de algo mais direto e visceral, este jogo também é pra você.

Ah, aquela referência maneira. Fonte: Dead Cells

Resumindo: Dead Cells é um jogo que deve ser jogado, por todos, sem exceção. Você com certeza irá gostar. É, sem dúvidas, a consolidação de um novo gênero.

Avaliação
Geral
9.0