Quando anunciado, Assassin’s Creed Chronicles assumiu inspirações de jogos como Metroid e Castlevania: Symphony of the Night pelo seu visual e pela semelhança entre o desenrolar do jogo, baseando-se em uma plataforma bidimensional em que os caminhos são liberados conforme a conquista de itens ou resolução de puzzles.

Orientado pelos clássicos citados, o título ingresso no gênero “metroidvania” almejando proporcionar uma nova experiência aos fãs da série, tentando agradar aos jogadores da velha guarda pela apelação nostálgica e oferecer, aos mais novos, uma tentativa de reviver o passado, sem deixá-lo ultrapassado.

Com o intuito de “renovar” a franquia, Assassin’s Creed Chronicles objetiva uma proposta diferente dos títulos da saga original. Com uma jogabilidade em 2.5D, a obra alternativa aposta, principalmente, na diversão desafiadora como forma de dar novos ares para o jogo dos assassinos.

Prefácio

Assassin’s Creed Chronicles: India é o segundo capítulo do spin-off da franquia original. Sendo sucedido pelo episódio ocorrido na China e precedido pelo vindouro, e último, título em que se passará na Rússia do século XX.

No controle do assassino Arbaaz Mir na Índia do século XIX, o jogador tem como principal objetivo a recuperação de um artefato místico roubado pelos templários. Sem maiores surpresas, o enredo mantém a base dos mocinhos contra vilões, sem surpresas ou reviravoltas.

O fator-chave que prende os jogadores é a elevada dificuldade do jogo. Ao contrário da série original, em ACC: India a furtividade é instigada a todo tempo, obrigando aos jogadores serem mestres das sombras, entrando e saindo dos locais sem serem vistos.

Enredo

Em Assassin’s Creed, o trabalho da Ubisoft é reconhecido ao retratar de forma romântica o contexto histórico em questão, sofrendo adaptações de acordo com a temática do jogo. Apesar das distorções históricas, a construção do enredo sempre foi muito bem desenvolvida e profunda acerca dos eventos do período situado.

Infelizmente, a narrativa que acontece sobre os acontecimentos na Índia no ano de 1841 acaba sendo tratada superficialmente, desprezando uma fonte cultural rica em tramas e fatos que cursaram a trajetória do mundo.

O enredo do jogo é baseado em cut-scenes breves, em que imagens, aparentando-se mais para quadros de pintura, são soltas no final de cada sequência de memória, dando a impressão de estar ali para “preencher espaço”.

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Após a conclusão de algumas fases, é bem provável que o jogador nem mais preste atenção nos diálogos do enredo. É óbvio que o jogo se foca na jogabilidade do que em contar uma história.

Visual e sonoplastia

Inversamente de como a trama principal é tratada, o trabalho artístico dos cenários do título é impressionante, bem detalhado e muitíssimo belo.

Ao mesmo tempo em que é retratado um país com cores vivas, como vermelho, amarelo, azul, é também mostrado o lado sombrio da nação que vive em uma guerra civil, retratada através de manchas de sangue pelas paredes e caminhos.

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A retratação do país indiano é fidedigno às concepções tidas sobre a realidade daquele período: um Estado que tem sua economia baseada na comercialização de especiarias, com um mercado interno movimentado e com um grande fluxo de pessoas, soldados, burgueses.

O protagonista, assim como todos os personagens coadjuvantes, possuem uma boa dublagem. Arbaaz possui um tom de despojado, enquanto seu mentor, Hamid, possui uma tonalidade de voz sábia, sendo as falas condizentes com a personalidade de cada personagem.

É importante ressaltar o trabalho sonoro dos ambientes. Quase nunca você estará em um lugar sem qualquer som. Pelas cidades, é possível sentir o clima de uma cidade turbulenta pelos tiros da guerra e pelas conversas entre comerciantes, tudo isso contribuindo para a total inserção do jogador em um contexto específico.

Jogabilidade

Como dito anteriormente, o título foca-se mais na jogabilidade do que em uma experiência narrativa. Ao invés da série Rayman em que é preciso correr para conquistar as melhores pontuações, ACC: India toma uma postura mais contida, sendo mais necessário se esconder do que correr.

A mecânica do jogo não é difícil, sendo os controles explicados logo ao assumir o controle do assassino. Além dos movimentos de parkour e a famosa hidden blade, Arbaaz conta também com utilizáveis para distração e bombas de fumaça para passar despercebido.

É a partir do término do prólogo que o jogo começa a mostrar o que quer do jogador: furtividade. São 10 sequência de memórias, sendo cada uma tendo checkpoints espalhados conforme o cenário e são suas ações que vão determinar suas pontuações entre esses pontos.

O sistema de pontuação é dividido em Silenciador, ganhado quando é usado a imobilização não-letal em inimigos, Assassino, quando o jogador mata alguém pela hidden blade, Sombra, quando se passa pelo local sem confrontar qualquer inimigo. Cada categoria é dividida em rankings: ouro, prata e bronze que julga sua performance.

Para conquistar o ranking ouro, seja em qualquer das três categorias de abordagem (Silenciador, Assassino, Sombra) é obrigatório que o assassino não seja visto por ninguém. Mas você deve estar se perguntando: “E se eu não ligar pra essas posições?”, a resposta é muito simples: tudo se tornará ainda mais difícil.

O sistema de habilidades de Arbaaz é baseado nos rankings que o jogador obtém durante as passagens do game, portanto, quanto melhor sua posição mais rápido serão desbloqueadas as melhorias para o protagonista, sendo elas demasiadamente úteis nas fases seguintes.

Infelizmente, é perceptível que a curva de aprendizado/dificuldade é desnivelada, resultando em momentos de extremo estresse e frustração pelo desejo da conquista pelo ouro. Mas para aqueles que se arriscarem jogar no “Novo Jogo +”, a experiência torna-se mais leve e divertida por já reconhecer os padrões dos inimigos e saber o quê e como fazer.

Para aqueles que se cansarem dessa exigência furtiva, ainda é possível entrar no combate entre espadas, mas é bom estar preparado para ser ágil nos botões para acertar os movimentos corretos já que os inimigos causam um dano absurdo.

Com o intuito de equilibrar a jogabilidade conservadora da furtividade, o game conta com fases em que a agilidade é crucial, tendo um tempo limite para o término da sequência. Isso acaba descontraindo a rigidez do título, permitindo que os jogadores realizem movimentos de parkour corriqueiramente e assassinando rapidamente.

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O propósito do game é, aparentemente, a diversão, porém, isso pode ser facilmente frustrado com a dificuldade selecionada e com a imposição de um modo de jogo o qual nem todos os jogadores se simpatizam.

Considerações Finais

Assassin’s Creed Chronicles: India faz o seu nome na indústria dos videogames como uma opção alternativa para os fãs da série ou para os fãs do gênero. Mesmo não sendo uma obra incrível, o jogo satisfaz suas premissas e promove aos jogadores algo diferente para a série.

No primeiro momento, a dificuldade elevada pode desencorajar até os mais fanáticos pela franquia da Ubisoft, mas conforme a progressão e depois de horas de tentativas errôneas, a conclusão do título garante a sensação de missão cumprida e deixa um desejo de “quero mais” para o próximo jogo que será vivenciado na Rússia em plena Revolução do século XX.

Economizando uma entrada no cinema já é possível adquirir o novo título da Ubisoft, podendo dar uma chance a um gênero pouco aproveitado nos dias de hoje e que garante uma experiência gratificante e inédita. É por isso que o game leva o selo ouro!

2 - Selo de Ouro