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Conheça os jogos da PlayStation Plus de Agosto

Nada como uma boa polêmica para esquentar o mês de aniversário desta coluna.

por Hugo Bastos
Conheça os jogos da PlayStation Plus de Agosto

O oitavo mês do ano vem chegando. Uns o consideram um período de mau agouro (ou o “mês do cachorro louco”). Outros, o mês mais longo do ano (com mais de 50 dias). Para nós, jogadores, sua aproximação também marca a expectativa sobre quais jogos serão disponibilizados na PlayStation Plus de agosto.

E, talvez consolidando o folclore popular sobre o mês, a divulgação da lista já trouxe manifestações negativas. Não por causa de seus jogos, mas porque um dos jogos em específico – o Strike Vector Ex – será liberado no lugar do Triplo-A Just Cause 3. A comoção foi tamanha que a Sony precisou se posicionar, por meio de um comunicado oficial.

Seja como for, nós do Meu PS4 sabemos que existem jogadores que possuem contas brasileiras e estrangeiras (alguns, ambas). Dessa forma, confira nossa breve análise dos jogos – todos eles – que estarão disponíveis na Plus de agosto a partir da próxima terça (01).

Além disso, sabemos que o tema ainda é bastante sensível. Você, muito provavelmente, não está satisfeito e entendemos empaticamente a situação, mas é importante não julgar um título em função de outro fator.

JUST CAUSE 3 (PS4 – AMÉRICA DO NORTE E EUROPA)

Destruição sem limites, liberdade de locomoção, armas e veículos à disposição do jogador, liberdade para fazer o que bem entender. Não, caro colega. Não estamos nos referindo a Grand Theft Auto ou similares. Embarque com Rico Rodriguez em sua missão de derrubar um ditador. Da melhor maneira possível: colocando a casa abaixo!

Just Cause 3 tem uma história simples, mas que serve perfeitamente como plano de fundo. Após seis anos desde sua última missão (Just Cause 2), Rico Rodriguez retorna a Medici, sua terra natal, e descobre que ela foi dominada por um ditador. Agora, com a ajuda de um companheiro, pretende libertar o local.

Assim como tantos outros jogos do gênero, a história é irrelevante. Just Cause 3 é um jogo para jogadores que gostam de, bem, sair “causando”. Seu mundo aberto proporciona maior exploração vertical, e a criatividade e destruição são amplamente incentivadas. Perfeito para usar sua wingsuit e sair deslizando pelos céus. Armas e veículos estão, também, amplamente disponíveis para os jogadores.

No entanto, o título não está livre de falhas. Problemas com a narrativa (ou a falta dela), repetitividade no gameplay, e loadings demorados estão entre eles. Para piorar, a inteligência artificial é bastante limitada e a inconsistência na taxa de quadros pode afastar alguns jogadores.

  • Nota – Agregador Metacritic: 73 (Baseado em 42 análises – Análise Meu PS4);
  • Platina: Sim (DLC necessário para 100%);
  • Localizado: Sim;
  • VEREDITO: Não é tão impressionante quanto outros jogos do gênero, e o título se torna repetitiv após um tempo. Uma experiência divertida a ser tomada em doses controladas, se não quiser enjoar rápido.

STRIKE VECTOR EX (PS4 – AMÉRICA LATINA)

Jogos dedicados ao multiplayer atraem uma gama diversa de jogadores. A exemplo destes temos os antigos M.A.G. (cujos servidores já foram desativados), Warhawk e, mais recentemente, alguns gratuitos para PlayStation 4. Strike Vector Ex é uma miríade em meio a tantos outros jogos de tiro desse gênero. Que sofre do mesmo problema de falta de enredo.

Em Strike Vector Ex, o jogador controla um novo recruta para uma das facções presentes no jogo, parte de uma guerra em escala global, usando veículos de batalha voadores personalizáveis chamados Vectors. Sendo uma remasterização do original Strike Vector, lançado em 2014, o título da Ragequit Studios supera muito seu original. Possui agora uma campanha solo, e um modo de treinamento.

No entanto, esta é passável, funcionando mais como um “tutorial extenso” sobre como as mecânicas do jogo funcionam. É no multiplayer que a diversão se encontra. Os controles respondem surpreendentemente bem, e os gráficos são bem produzidos.

Além disso, apesar de existir poucos jogadores, o título tende a preencher espaços vazios com bots controlados pela IA. Estes não estão lá apenas para enfeite. Realmente darão trabalho ao jogador. Se você é fã de jogos como Quake ou Doom, pode ser que goste de Strike Vector Ex.

  • Nota – Agregador Metacritic: 75 (Baseado em 12 análises);
  • Platina: Sim;
  • Localizado: Não;
  • VEREDITO: Muito subestimado pelos jogadores, possui boas doses de diversãoe um pacote cheio de surpresas. Vale a pena experimentar e arriscar-se.

ASSASSIN’S CREED FREEDOM CRY (PS4)

De escravo a segundo em comando. De segundo em comando a assassino. De assassino a náufrago. De náufrago a libertador. Adewalé estava no episódio IV da saga de Assassin’s Creed, e agora retorna em sua própria aventura solo. E ele será responsável pelo fim da escravidão de Santo Domingo (ou irá morrer tentando).

Freedom Cry foi lançado, inicialmente, como um DLC de Black Flag. Posteriormente, ganhou uma versão standalone (que pode ser comprada separadamente, sem precisar do jogo original). Sua história se passa 15 anos após os eventos de Edward Kenway, e narra as histórias do ex-escravo e agora assassino, ilhado em Santo Domingo.

Lá, ele conhece as mais brutais formas de escravidão, e toma para si o dever de libertar aqueles que sofrem com este mal, enquanto luta para angariar pessoas e recursos para uma nova tripulação, enquanto faz chover a morte sobre os responsáveis por tais atrocidades. Uma história interessante, porém muito curta.

O jogo sofre ainda com sua limitação de exploração e a necessidade de se prender demais às missões de história. Assassin’s Creed geralmente é sobre exploração e mundo aberto, algo que a Ubisoft absteve deste. O jogo passa uma sensação de estar preso em uma pequena parte de Black Flag. Mas a trilha sonora ainda é excepcional.

  • Nota – Agregador Metacritic: 71 (Baseado em 11 análises);
  • Platina: Não;
  • Localizado: Sim;
  • VEREDITO: Perfeito para quem quer saber mais sobre a história de Black Flag, e o desenrolar do que antecedeu A.C. Rogue. No entanto, não espere muito deste jogo. Bom para uma tarde, ou para passar o tempo quando não se tem muito o que jogar.

SUPER MOTHERLOAD (PS3)

Quando Doom foi lançado, mostrou-se os riscos de escavar indiscriminadamente o solo marciano, buscando por recursos e riquezas que, por vezes, não devem ser encontradas. Encare Super Motherload como um interstício dessa história. Sua missão é exatamente esta. Ir a Marte e escavar por recursos. Que, por vezes, não devem ser encontrados.

Super Motherload possui uma história básica. A medida que o personagem escava mais e mais fundo no solo do planeta vermelho, esta vai se revelando. No entanto, seu foco primário é a coleta de minerais. Colete-os, venda-os, aprimore sua base e suas habilidades. Reabasteça, e repita o procedimento.

Apesar de parecer repetitivo, e curto, o jogo pode ser divertido para aqueles que procuram algo mais descompromissado. Existem inúmeras melhorias a serem feitas, e segredos a serem descobertos. Assim como outro jogo parecido, Spelunky, os cenários são gerados proceduralmente.

Até quatro jogadores podem se divertir ao mesmo tempo, fazendo com que a premissa do jogo fique um tanto menos enjoativa. Mesmo assim, não tende a durar muito em sua biblioteca. Mesmo porque é bem curto.

  • Nota – Agregador Metacritic: Sem avaliação (Nota 65 para a versão PS4 – baseado em 20 análises);
  • Platina: Não;
  • Localizado: Sim;
  • VEREDITO: Interessante para aqueles dias maçantes, ou quando seus amigos vão visita-lo. Devido à sua curta campanha, e falta de motivos para se continuar jogando, além das atualizações, não é um título que prenderá muito sua atenção.

SNAKEBALL (PS3)

Quase todos os que tiveram, em algum momento de suas vidas, um celular Nokia antigo, gastaram bastante tempo jogando o famoso “jogo da cobrinha”. Viciante e divertido, demandava prática e habilidade para se conseguir a maior pontuação. Snakeball adiciona cores, mobilidade, e um toque de estratégia a este famoso jogo.

https://www.youtube.com/watch?v=6ZfiMQG07bQ

Em Snakeball, o jogador controla uma cobra planadora em uma arena. Agora, não é necessário apenas “engolir” as bolinhas para tornar a cobra maior. Cores específicas, modos diversos e a possibilidade de jogar online com até oito jogadores, ou lado a lado com um amigo em tela dividida, aumentam o valor a ser agregado a este jogo.

Apesar de parecer simplista, para se tornar vencedor, é necessário dominar as inúmeras estratégias inerentes à jogabilidade. Os modos de jogo provam ser um desafio aos menos experientes. Na verdade, este é um dos problemas do jogo: jogadores casuais tenderão a se irritar facilmente, até conseguirem identificar as diversas nuances do gameplay.

Para aqueles que perseverarem, um jogo desafiador e divertido os aguarda. Apenas lembre-se que, se pensa em pegar este jogo pelos seus troféus, esqueça. Lançado antes da obrigatoriedade destes, o jogo não possui suporte às conquistas da PlayStation Network.

  • Nota – Agregador Metacritic: 65 (Baseado em 5 análises);
  • Platina: Sem troféus;
  • Localizado: Não;
  • VEREDITO: Apesar de não parecer, este é um jogo com bastante conteúdo, diversão descompromissada e excelente para passar aquela tarde com a galera em casa. Ou a noite com os filhos.

DOWNWELL (PS4/PSVITA)

Este é aquele tipo de jogo que o fará perguntar por que grandes produtoras, por vezes, gastam tanto dinheiro com jogos que não conseguem ser sequer tão divertidos quanto este. Com uma premissa simples, cenários aleatórios e jogabilidade extremamente viciante, Downwell o fará se perguntar: “até onde consigo descer?”.

Seu personagem está passeando no parque e decide explorar as profundezas de um poço próximo. Sabendo que lá existem monstros, ele se arma com suas botas-pistola, que permitem não apenas auto-defesa, mas uma parada momentânea no ar. Como outros jogos do gênero, possui um reinício rápido após a morte, para aquele momento “só mais essa vez”.

Apesar de não parecer, o jogo é extremamente complexo. Sua jogabilidade gira em torno de derrotar inimigos, coletar gemas, e descer o mais fundo que puder, nas quatro zonas que compõe o poço. Por ser tão viciante, o jogador irá jogar “só mais essa vez”, para ver até onde pode ir.

Os controles são simples e precisos. O sistema de evolução é claro. O jogo é extremamente desafiador, o instigando a ir sempre além. Mas não deixe que isso, bem como seus gráficos e trilha sonora simplistas, o desmotivarem a jogar. Este é um daqueles jogos que, francamente, merecem a atenção do jogador.

Morreu novamente? Ah, tente “só mais essa vez”.

  • Nota – Agregador Metacritic: 85 (Baseado em 5 análises);
  • Platina: Sim;
  • Localizado: Sim;
  • VEREDITO: Um jogo fantástico. Frenético e desafiador, não se deixe enganar por suas mecânicas e gráficos simples. Perfeito para o portátil (ou para o seu irmão maior).

LEVEL 22: Gary’s Misadventures (PSVITA)

Quem nunca se excedeu em uma festa, e depois precisou ir trabalhar no dia seguinte? Quem nunca se atrasou por causa disso? Pois é. Mas aqui jaz a questão. Esta não é a primeira vez que Gary exagera. E agora precisa chegar ao seu escritório, no Nivel 22, sem ser detectado, ou corre o risco de ser demitido!

A premissa do jogo é simples e bastante divertida. Depois de uma ressaca, Gary não acordou na hora para ir trabalhar. Agora, precisa passar despercebido por todos e chegar ao seu local de trabalho. Câmeras de segurança, androides, guardas… Uma montanha de obstáculos se coloca à sua frente.

O jogo preza pela furtividade. Além disso, uma de suas chamarizes é o fato de que, aqui, não se brinca com a vida e a morte. O mundo não está em perigo, e não existem ameaças biológicas para serem liberadas no planeta. O clima é leve e descompromissado.

Possui muitos colecionáveis e referências a serem encontradas (inclusive, um uniforme do Batman). Alguns bugs e glitches irritantes podem se por em seu caminho. Além disso, é curto. Mas agradável e ótimo para passar o tempo, visto seu formato (excelente para o portátil).

  • Nota – Agregador Metacritic: Sem reviews suficientes;
  • Platina: Não;
  • Localizado: Não;
  • VEREDITO: Mais um jogo indie que merece atenção. Divertido e leve, ótimo para dar algumas risadas, enquanto Gary tenta se safar de mais essa mancada.

Mas enfim…

Com ou sem Just Cause 3, é fato que, como visto nos jogos “gratuitos” da Plus de Agosto, o serviço vem melhorando gradativamente. Esse fator confirma as declarações da Sony de alguns meses atrás, de que o serviço Plus sofreria modificações, e ganharia melhorias. E verdade seja dita: os jogos disponíveis no próximo dia 01 são, de fato, interessantes.

Obviamente, a imensa maioria dos jogadores prefere (e até exige) jogos de peso. Mas como é de conhecimento geral, jogos Triplo-A nem sempre fazem jus ao seu status, e muitos jogos independentes são bem superiores a grandes blockbusters.

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Hugo Bastos
Hugo Bastos
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Jogando agora: Nada no momento.
Hugo Bastos e revisor do Meu PS4, apreciador de uma boa comida, e de platinas difíceis. E viciado em Rogue Legacy, OlliOlli2, Dead Cells, e não dispensa uma boa noite de jogatina.