FIFA 18: Vale a Pena?

Mais bonito e robusto, novo game peca onde sempre acertou: jogabilidade; leia a análise!

Quantas vezes você já utilizou a jogabilidade como justificativa para dizer que FIFA é o melhor jogo de futebol para videogame?

“O PES tem gráficos, mas o gameplay do FIFA é melhor”.
“O PES tem todos os times brasileiros, mas é muito arcade, FIFA é mais simulador”.
“O PES é legal, mas é uma correria danada, o FIFA tem menos macetes”.

Tudo isso é lugar comum nas comparações entre as duas principais séries de futebol virtual nestes últimos anos. Até agora. FIFA 18 está bonito e robusto como nunca. Ambientações lindas, torcedores super bem feitos e uniformes fieis. Modos de jogo variados e divertidos. Mas a EA peca onde sempre acertou: gameplay. Atacar é quase perfeito, mas defender…

Para quem joga futebol, assiste partidas na TV ou até mesmo tem experiência em outros games da série, há muitos pontos que precisariam ser corrigidos para o FIFA 18 ser nota 10 em jogabilidade – como alguns sites especializados estão avaliando. Há até quem diga que o gameplay mudou pouco em relação ao 17. Não é verdade, e vamos dizer os motivos.

Eu quero ver gol!

“Não precisa ser de placa, eu quero ver gol”. Sabe esse verso da música do O Rappa? É um pouquinho do que você sente ao jogar FIFA 18. O jogo é focado no ataque. O que seria algo bacana se não fosse tão exagerado. É normal terminar uma partida online com placar de 6×2, ou 5×3, ou 4×4… Parece até Beach Soccer!

O jogo está muito mais fluido ofensivamente. A troca de passes e as finalizações de primeira, enfim, estão mais precisas. A movimentação dos jogadores sem a bola também parece mais realista. Os chutes e passes têm direções mais manuais, sendo preciso ajustar os comandos muito bem para ser eficiente.

O único defeito no sistema ofensivo é nos dribles. Eles ainda não chegam ao nível câmera lenta do PES, mas a resposta está bem mais demorada do que o comum, o que faz com que as fintas não sejam tão eficazes quanto outrora. Aquele giro com a bola cortando da ponta para o meio, super usado no FIFA 17, por exemplo, não está mais tão fácil.

Isso porque, em muitos casos, para driblar, o jogador diminui um pouco a velocidade da passada. Algo que acontece em algumas fintas de corpo e nos dribles executados com combinações de comandos. Depois que você pega o jeito, ainda dá para deixar muitos defensores na saudade, mas até entender a mudança no ritmo, pode demorar.

As bolas paradas seguem como opções fortíssimas de botar a bola na rede, assim como os cruzamentos. Aqui, aliás, houve grandes mudanças. O sistema de cruzar a bola passou por uma repaginação grande. Já que falamos de música, não dê mole de deixar “bola na área sem ninguém pra cabecear”.

Agora, os cruzamentos devem ser direcionados milimetricamente, e a força com que você pressiona o botão faz toda a diferença para saber onde a bola irá. Quando você pega bem os esquemas, fica quase tão apelão quanto era no FIFA 14, a Era Dourada de nomes como Dzeko e Mandzukic.

Dois movimentos de cruzamentos eficientes são o do bico da grande área, ou um pouco mais à frente, com duas barrinhas e meia a três de força, na diagonal, ou então ir até a linha de fundo, usar o corte seco (chute + passe) para trás e, quando ajeitar o corpo na nova direção, cruzar na diagonal com três barrinhas de força, no segundo pau.

É comum partidas com goleadas. Fonte: EA.

Os chutes de fora da área também seguem muito fortes no FIFA 18. Tanto com o finesse shot, o famoso chute colocado, ou dando aquelas pancadas. Os goleiros até estão mais atentos e fazem defesas nas bolas que não são tão bem direcionadas, mas se você tem aquela manha pra acertar o canto, vai continuar fazendo muitos gols.

Os lançamentos com L1 + triângulo, pelo alto, e até mesmo os rasteiros só com o triângulo também vêm tendo um índice de acerto muito grande. Quem percebe isso logo coloca uns jogadores rápidos na ponta, bons passadores na volância e abusa dos lances. Com o Real Madrid, por exemplo, a combinação Kroos no meio com CR7 e Bale nas alas é mortal.

As disputas corpo a corpo são um ponto onde ainda é possível se ver uma vantagem, ainda que leve, dos zagueiros – e, em alguns casos, até erradamente. Jogando com o Manchester United, por exemplo, Lukaku e Ibrahimovic não são, nem de longe, tão dominantes quanto conseguem ser na vida real, com seus corpos fortes.

Em uma partida contra o Barcelona, por exemplo, era comum ver os gigantes perdendo no corpo para jogadores como Mascherano e Jordi Alba. Na velocidade ou no carrinho, não há problema. Mas no ombro a ombro? Uma vez já seria improvável, mas passaria. Agora, com frequência? E apertando o R2 para proteger a bola? Tem algo errado…

Na trave!

A grande questão dos problemas na jogabilidade do FIFA 18 é o seu sistema defensivo. Se o ataque está lindo, a defesa peca, e isso que faz com que ele acabe sendo um jogo um pouco desbalanceado. Vamos começar pela parte que nem envolve os comandos feitos pelo player, só animações dos jogadores.

Os movimentos dos defensores sem a bola não são tão inteligentes quanto dos atacantes. Há rotas pré-definidas de caminhos que fazem com que os zagueiros sejam batidos muito facilmente, especialmente em bolas enfiadas e cruzamentos. E o problema não é que este tipo de lance está “roubado”, mas sim que a marcação contra eles é falha.

Sistema defensivo é problemático. Fonte: EA.

Além disso, é notório que a mudança de direção nos movimentos dos jogadores para fazer a marcação é mais difícil do que quando se está com a bola. Digamos que você tome a famosa bola nas costas, comum nesse FIFA. Quando se alterar o cursor, para controlar quem já está mais perto da bola, provavelmente vai demorar até conseguir se posicionar.

São pequenos detalhes que farão a diferença apenas para quem está acostumado a jogar FIFA com frequência. Quando se pega o FIFA 18 depois de uma longa temporada no FIFA 17, você percebe claramente as melhorias ofensivas, mas também estes problemas, mais de posicionamento mesmo, no setor defensivo.

Antes, o jogo dava uma ajudinha na pressão sobre os atacantes adversários. Agora, é tudo mais manual, e você pode acabar deixando muitos espaços. O sistema de dobrar marcação e chamar algum jogador controlado pela máquina para te ajudar ainda funciona, porém eles não são tão eficientes ocupando espaço nem roubando bolas.

No Pro Clubs, por exemplo, os Bots, por muitas vezes, dão espaço para os atacantes irem avançando como bem entendem. Cercam, cercam, mas não fazem nada além disso. Para quem joga esse modo, é cada vez mais importante ter os 11 jogadores reais, porque seus zagueiros e volantes Bots dão muito espaço, especialmente na entrada da área.

Agora vamos falar de quando você, de fato, aperta o botão para fazer alguma coisa. Dar um carrinho ou tentar desarmar. Uma adição bacana foi que você consegue dar um bote mais longo quando pressiona o seu botão. Só que o tempo de reação, tanto ao comando quanto a um bote errado, é longo demais.

Na vida real, é claro que se o zagueiro dá um bote errado, fica mais fácil para o adversário dar o drible e seguir. Mas se o defensor é bom, e principalmente rápido, ele consegue se recompor e voltar para a disputa de bola. Não é o caso em FIFA 18. O defensor demora para fazer o que você ordena, e ainda dá mole na hora de voltar.

Marcar virou um grande exercício de observar, torcer para o adversário errar e dar a sorte de acertar um bote. É ficar apertando o X para cercar, o R1 para controlar um segundo jogador e, com muita precisão, acertar um Quadrado ou Bola para dar tackle ou carrinho e roubar a bola – mas com a certeza de que um erro é o bastante para tomar um drible.

Os goleiros, por sua vez, são uma incógnita. Há defesas impossíveis e há gols ridículos. E o que mais incomoda é que não parece haver grande diferença entre goleiros de alto nível e alguns medianos. O principal ponto de falha é nos chutes de fora da área, que continuam bem apelões, e não é algo falho somente no FIFA 18.

Despacito?

Agora vamos à grande falácia do FIFA 18: “o jogo está mais lento”. É verdade, alguns dos movimentos dos jogadores estão um pouco menos velozes, e é possível tentar imprimir um futebol mais cadenciado. Contra a máquina, você pode perceber isso claramente. Desde as versões de teste na E3 até a Demo lançada para o público. Agora no online…

O “pace abuse” voltou. Conforme dito anteriormente, é só ter um bom meia passador e alas rápidos que você vai poder usar e abusar do triângulo. E como os cruzamentos estão muito eficientes, quando se pega o jeito (porque estão bem diferentes do FIFA 17), é só receber e botar a bola na área pra consagrar o centroavante.

A maneira mais eficiente de ganhar jogos no FIFA é essa: passes rápidos, dribles curtos e velocidade. Seja para chegar na ponta e cruzar ou para a entrada da área e fuzilar no gol. Estratégia muito semelhante ao que se fazia/faz no Pro Evolution Soccer, que sempre foi criticado por isso.

É claro, se você é assíduo no Fifinha, vai se acostumar, vai começar a conseguir bloquear algumas investidas dessas, ganhar jogos e, eventualmente, até utilizar essas estratégias contra os adversários. Mas, vez ou outra, alguns destes lances “roubados” vai dar certo e irritar você, porque não há o que fazer em vários momentos.

Com esforço você consegue bloquear algumas investidas. Fonte: EA

Quando você enfrenta o PSG, e o Verrati dá uma enfiada no triângulo com três a quatro barrinhas de força, para o Mbappé ou para o Neymar, é quase certo que o seu lateral irá tomar uma bola nas costas. E se tomar, quando você for marcar, ou estará muito atrás ou vai tomar um corte seco que, provavelmente, gerará uma bola no Cavani para fazer o gol.

A grande questão do gameplay de FIFA 18 é que ele se tornou previsível. O que não seria um problema se a marcação não fosse tão complicada e ineficiente. Se você tivesse uma maior velocidade nos botes e movimentos mais corretos sem a bola, o jogo seria perfeito, pois teria grande eficiência no ataque e na defesa, favorecendo a ambos os estilos de jogo.

Mas não é o caso. Táticas e instruções personalizadas, no fim das contas, pouco importam. As variações de jogo, especialmente nos modos online, são muito difíceis de se aplicar. Dá até para atacar de outro jeito, porque provavelmente o adversário não vai saber marcar, só que se você quiser fazer uma retranca pra sair na boa, por exemplo, vai sofrer.

Quando você aplica o recurso de Retranca Total, por exemplo, a sua linha defensiva retorna, mas os volantes, muitas vezes, não. E aí cria-se um buraco entre os zagueiros e o meio de campo. E, neste espaço, infiltram-se meias e atacantes do time adversário, que recebem as enfiadas com o triângulo e chutam bem de fora da área, e aí já era.

Golaços!

Mas calma que nem só de bola na trave vive o FIFA 18. Pelo contrário. A EA também fez belos gols no novo jogo. A começar pelos gráficos. O jogo está ainda mais bonito, com as faces dos jogadores mais próximas da realidade e ambientações incríveis. Os estádios já eram ótimos, e pouco mudaram, mas os torcedores…

A festa na arquibancada, tanto com músicas como nas imagens, está bem mais real. Ouvir os torcedores do Liverpool cantando You’ll Never Walk Alone em Anfield é muito bacana. E ver a galera comemorando um gol do seu time em uma câmera tipo aquelas da TV mesmo, que mostram um ângulo abertão com o time festejando e a galera vibrando? Incrível.

A narração de Tiago Leifert e os comentários de Caio Ribeiro também são muito bem feitas, encaixadinhas no ritmo do jogo e com boa variação de frases. A dupla, teoricamente, não é tão aclamada quanto Milton Leite e Mauro Beting, do PES, mas o resultado final da locução está muito melhor no FIFA 18 do que no rival da Konami. Golaço!

Outro ponto muito positivo é o recurso de substituição rápida. Quando você segura o R2 e aperta o X, pode fazer alterações sem ter que parar o jogo. E é possível configurá-las nos menus de táticas antes de a bola rolar. Uma adição bem bacana ao jogo, fazendo com que ele fique mais dinâmico, sem tantas pausas.

A variação de modos de jogo também agrada. Não há nenhuma grande novidade no que é possível fazer: A Jornada, Modo Carreira, FUT, Temporadas, Pro Clubs… E tudo continua bastante divertido como sempre foi, e com algumas mudanças pontuais que melhoram a experiência em todos eles.

Alex Hunter está de volta. Fonte: EA

É claro que A Jornada, o retorno de Alex Hunter, se destaca por sua inovação. Um modo com história, onde você assume o papel de um jovem talento do futebol inglês em meio a especulações sobre seu futuro. Continuação do modo que foi sucesso no FIFA 17, ele tem novidades como personalização do boneco e mais opções de clubes para defender.

No FUT, é claro que usar dinheiro real ainda faz você ter melhores chances de ter grandes elencos, mas há muitas opções de torneios, desafios e objetivos diários para completar e ganhar moedas. O modo de jogo está anida mais imersivo e completo, e sendo o principal atrativo da série FIFA há alguns anos, não poderia ser diferente. As lendas são incríveis!

Fica só aquela velha polêmica do handicap, que sempre foi negado pela EA, mas que em muitas vezes parece existir. Quando você vem embalado numa sequência de vitórias, e aí, no jogo seguinte, tudo dá errado. Ou quando você pega times muito inferiores, no Ultimate Team, principalmente, mas mesmo assim não encaixa seu jogo. É, no mínimo, estranho.

O Pro Clubs continua viciante e uma experiência incrível, especialmente quando se tem um time completo. O bacana é que as confederações brasileiras já prometem torneios maiores, com premiações em dinheiro, e grandes novidades para ele em 2018. Pena só que não há ainda um banco de reservas/modo espectador, mas as mudanças feitas já agradaram.

Só quem joga na defesa que sofre, porque se já está difícil marcar controlando o time inteiro, imagina só com o seu jogador. Uma pequena falha já pode significar um gol adversário, e aí você pode acabar irritando muito seu time. É preciso ser bem conservador ou então arriscar tudo e conviver com as consequências de um possível bote errado.

1×0 é goleada!

FIFA 18 é um bom jogo de futebol, mas poderia ser muito melhor. Brilha no ataque, falha na defesa. Parece aqueles times que só contratam atacantes, mas se esquece de reforçar sua retaguarda e acaba tomando um monte de gol bobo. Mas, como no fim das contas, futebol é quem faz mais gol, o saldo ainda é positivo. Por pouco, mas 1×0 é goleada aqui,

É o FIFA mais bonito da história recente, com maior atenção aos modos de jogo e a vários detalhes extracampo. Quando a bola rola, é fluido na medida certa no ataque, com muito mais realismo nos movimentos e criação de jogadas. Peca, porém, no gameplay defensivo, o que gera placares com muitos gols e falhas de marcação que irritam qualquer um.

Diverte pela variedade de modos de jogo, tem ótima narração e uma ambientação incrível. No visual, só alguns detalhes de estádios e alguns jogadores não são tão impressionantes, enquanto no áudio, apenas os cantos de torcida poderiam ser um pouco mais variados – e também mais presentes durante o jogo.

FIFA 18 merece o selo de Recomendado, mas nunca esteve tão próximo de ser ultrapassado pelo seu rival, Pro Evolution Soccer, nos últimos anos. E isso deve ligar o sinal de alerta na EA. Afinal, o extracampo é bacana, mas o que importa num jogo de futebol é a jogabilidade, que tem pontos a evoluir no game.

É claro que muita gente quer mesmo correria, gols, ataque, e isso é normal, mas não deve ser feito de forma que prejudique quem curte estratégia, tática, defesa e um futebol que se aproxima mais da simulação do que do arcade – o que sempre foi o diferencial do FIFA. Se você é fã do jogo e do esporte, claro que vai se acostumar, mas pode demorar um pouco.

A última nota triste, mas que era de conhecimento de todos, é a ausência dos jogadores reais dos times brasileiros. Todos os times da Série A, menos Flamengo, Corinthians e Vasco que são exclusivos do PES 2018 (que também tem muitas equipes do Brasil com genéricos), têm seus nomes e uniformes fielmente retratados, mas nada dos atletas.

No mais, FIFA não precisa ser “mais que um jogo”. É claro que todos os extras são bacanas, mas o que importa mesmo é bola rolando. É importante primeiro ser o melhor jogo possível, para depois pensar em algo além disso. De qualquer forma, a EA mostra estar atenta ao feedback dos jogadores, tanto que já lançou um update para ajustar goleiros e finalizações.

Que siga assim e que os detalhes defensivos também sejam corrigidos em breve para fazer com que FIFA 18 seja aquilo que ele tem totais condições de ser: um jogo de futebol nota 10.

  • Pontos positivos: Muitos modos de jogo; Ambientação e gráficos acima da média; Jogo ofensivo mais fluido; Narração ótima
  • Pontos negativos: Defesas muito falhas; Táticas pouco influenciam na jogabilidade; Times brasileiros com jogadores genéricos.
AVALIAÇÃO FINAL
Visual
9.5
Sonoplastia
9
Diversão
9
Jogabilidade
8
Online
9
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