Finalmente o segundo título da série Homefront chegou ao PlayStation 4 com grande expectativa dos fãs. Após várias incertezas e adiamentos, é possível experimentar a mais nova proposta da Dambuster Studios, Homefront: The Revolution, construída a partir da Cry Engine.

Mas, será que o jogo correspondeu às expectativas e realmente vale a pena?

Uma proposta de revolução

Em Revolution, os papéis se invertem. Os Estados Unidos não são a super-potência que conhecemos atualmente. Este papel esta a cargo da Coreia do Norte, seguindo os acontecimentos o primeiro game, onde o Tio Sam foi invadido e está sob domínio dos coreanos.

Todas as ações se passam em um futuro próximo, no qual os americanos vivem às mazelas, sem direitos, acesso restrito às tecnologias e vários outros bloqueios.

Como em toda ocupação, existem os rebeldes e em Homefront eles se concentram principalmente na cidade de Filadélfia. Dominada pela KPA (Korean’s People Army), o município está praticamente em ruínas.

Com este escopo, surge Ethan Brady, um subversivo que irá lutar contra o domínio estrangeiro. Contudo, para combater de forma mais efetiva, ele vai precisar da ajuda de outros colegas. Com isso, começa a revolução.

No decorrer da aventura, os objetivos fazem com que os jogadores tentem utilizar da inteligência, cautela e coragem. Além disso, observar os detalhes ao redor é importante para coleta de itens, utilidades que podem ser vendidas ou customizáveis.

Apesar da premissa interessante, o enredo falha em não oferecer um vilão. Mesmo que a Coreia do Norte possa ser o grande inimigo, a figura de uma persona em contra ponto ao herói faz muita falta. Ao longo do jogo percebe-se um vazio, ficando os jogadores somente na companhia de ordens e vozes.

Equipe-se para a luta

No grande mundo de Homefront, é possível encontrar inúmeros itens que são úteis para vender e conseguir a moeda do jogo no intuito de adquirir outros equipamentos ou mesmo customizar os que estiverem disponíveis.

Pistolas podem ser transformadas em submetralhadoras, fuzis ou outras armas. Basta ter as peças e a quantidade de dinheiro necessária.

Algumas combinações produzem resultados interessantes e diferentes dos jogos de FPS tradicionais. Somado a isso, os perks impactam nos momentos de conflito.

Um caminho longo para a revolução

O grande atrativo de Homefront é sua vastidão. As áreas são grandes e divididas em oito distritos. Cada um deles conta com missões e atividades a serem realizadas e são classificados de maneiras distintas.

Nas áreas amarelas, é possível encontrar civis, comércios, residências e quase uma sociedade. Nestes locais os confrontos geralmente são mais silenciosos e estratégicos. Nas vermelhas, o que impera são as ruínas e patrulhas inimigas munidas de drones, dirigíveis e soldados. Nestes locais os tiroteios são recorrentes.

Entrelaçadas à trama, as missões são pouco convidativas, sendo muitas das vezes entediantes e sem propósitos reais. As justificativas para conclusão por vezes são genéricas e sem sentido, fazendo com que o gameplay pareça um ciclo vicioso.

Adicional a isso, as missões secundárias também podem não fazer por merecer elogios. Ligar um rádio, hackear uma torre ou dar trocados aos mendigos são triviais e massantes. Muitas das vezes é necessário cumprir, obrigatoriamente, algumas dessas, fazendo com que o gameplay seja doloroso, infelizmente.

Mesmo que os pontos negativos sejam destaque, em alguns momentos da jogatina é possível se divertir. Todavia, são muitos poucos.

Com amigos pode melhorar

Existe ainda um modo cooperativo chamado de “modo resistência”. Nele podemos jogar com mais outros 3 revolucionários para realizar objetivos similares aos da campanha, de defender ou atacar um objetivo.

É possível personalizar nosso personagem além das características físicas, escolhendo também qual sua “personalidade” que lhe confere skills diferenciadas.

Não existe um mata mata em equipe contra outros jogadores ou uma organização de partida para recrutar outras pessoas. Apenas seus amigos podem entrar na partida. Porém, jogar estas missões cooperativas podem render bons momentos de diversão.

Problemas por todos os lados

Os cenários são ricos em detalhes, contando com um visual razoável para os atuais padrões, nada que seja surpreende. Isto não seria um problema se os demais pontos não deixassem a desejar.

Durante todo o teste, a ocorrência de bugs nos cenários, problemas de movimentação do personagem onde não era possível se segurar em beiradas e ficar preso em objetos foram comuns.

Homefront:The Revolution Bug

Mas, o principal diferencial negativo está relacionado as quedas no framerate. Mesmo após a instalação do DayOne Patch, o problema persiste. Em alguns momentos tem-se a sensação de se estar em uma partida online ‘lagada’, quando os itens demoram a renderizar ou com personagens surgindo do nada.

Além disso, para nós brasileiros ainda tem um agravante: as legendas ficam dessincronizadas em vários momentos ou por vezes nem aparecem.

Como consolo, a Deep Silver, publisher do game, afirmou estar ciente de todos os infortúnios e está trabalhando em correções.

Veredito

Com uma boa proposta de enredo, uma engine gráfica poderosa, um mapa grande e até com personagens de certa forma intrigrantes, Homefront: The Revolution reunia todos os requisitos para um bom jogo, contudo não foi isso que aconteceu.

A história se perde nela mesma através de missões enfadonhas, o desempenho técnico deixa muito a desejar e os personagens são pouco trabalhados. Tudo isso somado faz com que o game seja facilmente esquecido e talvez não seja nem sequer desejo de aquisições em promoções.

Uma pena. É triste verificar que o potencial da obra não foi devidamente aproveitado.

4 - Selo de Bronze