A indústria dos videogames surgiu como uma forma de inovar o conceito de entretenimento. Os consoles e os jogos tornaram-se sinônimos de diversão, conquistando as pessoas pelas sensações prazerosas proporcionadas ao jogarem quaisquer que sejam os games.

É dentro dessa perspectiva que Just Cause 3 se encaixa. Muito aquém de ser um jogo dificultoso que teste as habilidades do jogador ou que promova uma experiência narrativa memorável, o título cumpre muito bem o seu papel: divertir os jogadores por horas e horas consecutivas.

Just Cause 3 mantém a mesma fórmula que seu antecessor, tendo ganhado algumas modificações que garantem uma melhor dinamicidade e liberdade ao jogador. Confira nossa análise sobre o jogo.

Enredo

Mais uma vez, estamos no controle de Rico Rodriguez, um jovem habilidoso e destrutivo treinado por um órgão de defesa chamado de A Agência, que retorna à sua terra natal, chamada de Medici, a qual é dominada por um terrível ditador denominado de Di Ravello.

O enredo do título não chega a ser ruim, mas pode ser considerado como um daqueles clichês cinematográficos que vimos muito por aí: há um herói, praticamente invencível, que tem o objetivo de destruir tudo pela frente para libertar o povo da opressão de um vilão. Parece em um filme do Rambo? Podemos ter certeza que chega perto de ser!

O ponto positivo fica para o carisma do próprio protagonista e de seus companheiros. Mario Frigo, primo de Rico, é cômico e o jogador desenvolve certa preocupação com seu bem-estar. A cientista Dimah, o agente Tom Sheldon e os mercenários Tom e Annika fazem parte do elenco e suas personalidades são bem diferentes, fazendo-nos sentir que estamos lidando com pessoas reais com objetivos distintos.

O que aparenta é que a história está presente no jogo apenas para preencher um espaço que deve ser ocupado. A narrativa é apenas um detalhe, já que a o título é promovido pela sua jogabilidade diferenciada e libertária, a qual trataremos logo adiante.

Áudio

O trabalho de dublagem apresenta-se a altura de bons trabalhos de cinema. As vozes são condizentes com as personalidades e feições de cada personagem. Mario Frigo é dublado pelo mesmo que dublou o protagonista do Call of Duty: Black Ops 3, entretanto o trabalho do dublador foi exímio ao modular suas cordas vocais para o primo de Rico. É satisfatório ver que esse trabalho tem ganhado expressão no Brasil com excelentes profissionais da área.

O roteiro de diálogo foi montado com muita maestria já que as conversas mudam de entonação e intensidade de acordo com as situações; Por exemplo: Mario usa gírias e fala de forma sádica quando fala com Rico, mas se comporta mais seriamente quando fala como cientista. Essa mudança de conduta faz com que o jogo se aproxime da realidade, demonstrando, mais uma vez,  pessoas reais dentro de um videogame.

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Visual

A desenvolvedora de Just Cause 3, a Avalanche Studios realizou uma produção excepcional tratando-se de beleza gráfica. Indubitavelmente, o atual título em questão é um dos mais belos do ano.

Os cenários são ricos em detalhes e os ambientes naturais são retratados de modo surreais. As florestas são compostas por árvores ricas em folhagens, por flores com cores vivas, plantações, e as montanhas e mares possuem o mesmo cuidado artístico. É um “show de bola” de visual!

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Além dos cenários, as personagens principais também merecem destaque pela reprodução de características detalhadas para um visual bem moldado. Rico e Di Ravello receberam muito cuidado  gráfico, sendo perceptível pelo detalhamento do formato do cabelo ou pelo brilho do bigode.

A crítica fica quanto às feições de praticamente todos os NPCs do jogo. As expressões faciais e o molde corporal dos habitantes das cidades, dos soldados inimigos, dos pedestres parecem terem sido importados de gerações anteriores, com modelos poligonais mal acabados e sem muitos cuidados. Esse contraste acaba se extrapolando aos nossos olhos: cenários exuberantes com pessoas estranhas, algo que não tenha junção e harmonia.

Jogabilidade

Just Cause 3 conquista o jogador pela sua jogabilidade rápida, explosiva e bem divertida. Sabe aquela história de “atire primeiro, pergunte depois”? Pois bem, é assim que nos sentimos no controle de Rico Rodriguez.

Primeiramente, o mapa do jogo é enorme. A extensão do território total do game varia de forma harmônica entre montanhas, depressões, planaltos, fazendas, oceanos. O mapa é dividido em 3 ilhas, tendo uma dimensão extraordinária custará aos jogadores muitas horas apenas para irem em todos os pontos.

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“Mas como explorar mapa tão grande?” é a pergunta que paira no ar. Bom, nesse momento é que a desenvolvedora acertou em cheio. É possível utilizar gancho + paraquedas para escalar montanhas, ou usar o wingsuit (traje de voo) para planar em elevadas altitudes, ou usar veículos terrestres, aéreos os marítimos.

Entretanto, a física dos veículos terrestres, principalmente os carros e motos, são bem difíceis de dominar de primeira. Os carros não são “retângulos móveis” como em Watch Dogs, mas você certamente levará um tempo para entender como funcionam. Já os tanques, helicópteros, aviões, barcos se comportam bem na respostas dos comandos de direção.

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Após escolher o método de exploração apropriado, está na hora de liberar bases militares, cidades, postos avançados, portos do domínio do terrível Di Ravello. Para isso, é preciso encontrar cada ponto e causar o verdadeiro “Chaos”, que são os pontos de destruição ganhos quando Rico “toca o terror” nos territórios dominados. E acredite: “tocar o terror” aqui é muito bom!

Os “Objetos do Chaos”, como Rico gosta de chamá-los, são tanques de combustíveis, estátuas, outdoors, veículos de propaganda, torres de satélite e estão ali para serem destruídos e eliminar a influência do ditador local. Para a exterminação dos Objetos, contamos com um arsenal, um tanto quanto limitado numericamente, mas com um poder de fogo devastador. As últimas armas desbloqueadas são indescritíveis quanto à destruição que podem causar.

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Não se pode esperar não sofrer as consequências de libertar Medici das garras de Di Ravello. Conforme a destruição causada, o nível de Pressão sobe e então reforços do ditador aparecem em uma quantidade absurda para aniquilar nosso protagonista a todo custo.

Adotando um método parecido com as estrelas de perseguição do GTA V, quando se chega à Pressão 5 (5 estrelas) devemos nos preparar para enfrentar um exército de soldados, helicópteros e tanques que não medirão esforços para nos aniquilar.

Apesar das batalhas serem intensas e recheadas de tiroteios, explosões, corridas, a dificuldade não é desafiadora. O jogador possui total liberdade de ser um “Rambo”, em que pode correr pelo cenário atirando para todos os lugares e receber o impacto de várias balas, até de helicópteros, sem receber muito dano. São raras as vezes que é possível morrer por causa de inimigos, porque mesmo com uma quantidade enorme deles, não dificultam sua aniquilação.

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Ao contrário dos combates, os Desafios são, intensamente… desafiadores (redundante, não? rs). Esses eventos são divididos em categorias como: corrida de carro, corrida de barco, causar devastação com uma arma, explodir coisas com carros-bombas, treino com arma, usar o wingsuit para atravessar o mapa e muitos outros. São muitos os eventos que não se perdem na repetividade e tornam-se mais divertidos conforme sua progressão.

Ao alcançar as pontuações indicados nos Desafios, o jogador ganha engrenagens para desbloquear os “Mods”, habilidades e recursos para que Rico use durante sua jornada. Em Just Cause 3 não upamos nossas habilidades, apenas desbloqueia-as para nosso uso de acordo com o desenvolvimento nos Desafios. E como dito, não espere por facilidade, pois eles não são!

Apesar da bela performance do executamento do game, ainda sim há quedas de frame-rates, mas são compreensíveis já que isso acontece quando todo o cenário está em chamas, com inúmeras explosões. Agora, os loadings são eternos. O carregamento logo no início do jogo ou quando o personagem é morto são momentos que exigem paciência pela demasiada demora. Não é nada demais, mas irrita muitas vezes.

A jogabilidade é o chamariz de Just Cause 3. Escolhendo entre destruir bases militares inteiras ou planar com nosso wingsuit em cenários lindos, trabalha a certeza de que a experiência em explorar o mapa será algo prazeroso para quem tem apenas o céu como limite.

Considerações Finais

Just Cause 3 está longe de ser o jogo do ano ou possuir algo de extraordinário nele, mas o game é acessível para todas as idades e cumpre seu papel de divertir com maestria.

Este seria um título jogável após um dia corrido de trabalho para aqueles que querem chegar em casa, pegar o controle e não querer se estressar, apenas se divertir.

Com uma história “clássica” de filmes estadunidenses, com personagens cativantes e com uma jogabilidade que nos induz à quebrar tudo pela frente, Just Cause 3 surpreende por superar seu antecessor em todos os aspectos.

Mesmo não tendo jogado quaisquer dos títulos passados da franquia, o novo jogo da Square Enix juntamente com a Avalanche Studios promove aos jogadores, sejam eles novos ou veteranos, a terem uma experiência exótica comparado aos que os games atuais oferecem.

Assim que tiverem a oportunidade, adquira Just Cause 3 e estejam preparados para promoverem o caos com muitas explosões e destruições em massa, de modo cômico e divertido ao melhor estilo dos filmes de Sylvester Stallone.

2 - Selo de Ouro