Categorias: Análises

Metal Gear Survive: Vale a Pena?

Será que Konami conseguiu honrar o título da franquia?

Metal Gear Survive vem sendo rodeado por polêmicas desde que foi anunciado. Primeiro, por ser um título da série sem supervisão de Hideo Kojima. Depois, pelo gameplay que não segue tanto as tradições da saga. Sem falar na necessidade de Internet mesmo para jogar em single-player, e, claro, as microtransações. Será que a Konami merece tantas críticas?

O Meu PS4 recebeu uma cópia digital do game para análise e passou muitas horas no Dite, o mundo alternativo em que se passa a história de Metal Gear Survive. E, sem dúvidas, ele tem pontos negativos, como a falta de criatividade e de missões mais assertivas. Mas não é um jogo tão ruim quanto muita gente pinta/pintou (sem nem mesmo jogá-lo).

A grande questão é que Metal Gear Survive não impressiona. É um jogo razoável em um mercado com grandes títulos já lançados e outros por lançar. Certamente, há um público para ele. No entanto, mesmo com um preço menor do que o comum para lançamentos na PSN, não parece um jogo recomendado para todos. E vamos explicar os motivos para tal.

Sobreviva!

A premissa do jogo é bacana: sobreviver. É preciso buscar alimentos e água, estar sempre se alimentando e tomar cuidado até para não correr demais e ficar sem “vigor”. Existe um sistema de crafting bem complexo, com muitos materiais para coletar e usar para fabricar novos itens de diversos tipos.

​Além disso, o jogo tem um sistema de progressão e de personalização do personagem. Dá para criá-lo com a aparência que você quiser e, conforme se avança no jogo, subir de nível, melhorar seus atributos e adicionar habilidades de uma Skill Tree. É tudo bem amarradinho, feito para que o usuário passe horas e horas jogando.

Só que esse é, praticamente, o único atrativo. O primeiro ponto falho é o enredo. A história de Metal Gear Survive acontece, teoricamente, entre Ground Zeroes e Phantom Pain. Nele, um Buraco de Minhoca se abre durante um ataque à Mother Base e soldados são sugados para um desconhecido mundo chamado Dite.

O local é uma dimensão alternativa habitada por criaturas que já foram humanas um dia, só que sofreram uma contaminação e se tornaram algo parecido com zumbis, porém com jeito mais “high tech”. O jogador é um dos humanos sobreviventes que não foram transformados nessas criaturas.

Inventário. (Fonte: captura do PlayStation 4).

Seu objetivo é simples: criar um novo Buraco de Minhoca com força suficiente para levá-lo de volta para casa. Para isso, é preciso rodar esse mundo desconhecido, encontrar algum dispositivo que possa gerar esse “atalho” atráves do espaço e do tempo, e viajar de volta. Obviamente, fazer isso não é tão fácil quanto parece.

Primeiro porque o Dite está infestado desses “zumbis”de vários tipos. Os mais comuns são os Andarilhos. Eles possuem sensores na cabeça, que lembram os “Watchers” de Horizon Zeron Dawn. É preciso ser cauteloso e matá-los por trás, ou então sair correndo, para que você evite uma troca de golpes que, quando eles estão em grupo, pode ser fatal.

Farm, craft & repeat

Depois, porque achar o dispositivo da viagem, o Escavador, é até fácil – e faz parte de uma sequência que tem missões bem claras, quase como um tutorial. O problema é que para conseguir voltar para casa, você tem que defendê-lo por vários minutos de ondas intensas de inimigos. E só vai conseguir fazer isso depois de jogar muito.

Porque o gadget fica no seu QG, que é quase como a Mother Base – que aparece destruída bem ao lado do local. É um espaço enorme, que você tem que proteger de todos os lados – se quiser evitar ataques. Os “zumbis” não vêm te atacar do nada, mas quando começa seu processo de abrir um novo Buraco de Minhoca, eles vêm com tudo!

Construa o Buraco de Minhoca. (Fonte: captura do PlayStation 4).

Por isso, é preciso muita paciência. É um constante farm, craft e repeat. Ou seja, colete os materiais, crie novas armas e acessórios, depois repita. O processo é somente esse. Após este “tutorial” até encontrar o dispositivo que pode te levar para casa, você fica “jogado” no mundão e tem que se virar.

Sair andando, ou teleportando entre os pontos de viagem rápida, que são ativados durante o jogo, e catando coisas. Há contêineres que você pode desbloquear e lhe dão itens com o valor maior, além de muitos materiais escondidos em casas. Sem falar, claro, nos recursos naturais e na Energia Kuban, coletada de plantas e de inimigos mortos.

Isso tem tudo a ver com o core do jogo, que é a sobrevivência, e chega a ser bem divertido nas primeiras horas. Especialmente quando se entra nas “zonas cinzentas”, que aparecem cheias de nuvens no mapa. Lá, você não consegue ver nada direito, nem usar as direções. Ou seja, você pode tanto encontrar coisas bacanas como também se perder.

Se parece um pouco do Metal Gear. (Fonte: captura do PlayStation 4).

Porém, fica o sentimento de que poderia ser muito melhor explorado. Não há missões a se fazer, e o processo fica muito repetitivo. É só ir andando, coletando itens e voltar pra base, onde você fará seus upgrades. Não há objetivos extras claros além do básico. E há muitas partes do mundo, literalmente, sem nada.

Poderia ser (bem) melhor…

O que diminui um pouco essa sensação é que há objetivos diários e semanais que rendem recompensas. Coisas do tipo “matar 50 andarilhos”, por exemplo. Isso aumenta um pouco seu nível de replay, mas mesmo assim, é pouco. Assim como o modo cooperativo, que era divulgado como um grande atrativo do jogo.

De fato, ele é divertido, mas também falta criatividade. É somente um modo de defesa de base contra ondas de inimigos – algo que já existe bastante também no single-player, nos momentos de ativar pontos de viagem rápida e na própria tentativa de ativar o Escavador para abrir um novo Buraco de Minhoca.

Algo que também não ajuda muito é a construção dos personagens, que é bem genérica. você não chega a ter uma grande história, nem os sobreviventes que você encontra ou as mentes (humana e artificial) que tentam lhe ajudar a sair dessa dimensão paralela. E toda essa parte de história, no geral, decepciona um pouco.

Já sabíamos que seria assim, mas Metal Gear Survive começa de um jeito que parece que vai manter o ritmo dos jogos anteriores. Há uma introdução cinemática contando tudo o que aconteceu até que o jogador caísse no Dite. Bem no estilo da abertura de Metal Gear Solid V. Só que as semelhanças, pelo menos em storytelling, param aí.

Horda de aproximando. (Fonte: captura do PlayStation 4).

A jogabilidade, por outro lado, é bem parecida. Desde as maneiras de realizar ações até a criação de armas e equipamentos, além da movimentação do personagem, tudo relembra bastante o que vimos nos últimos jogos de Kojima à frente da série. Os gráficos também – com a Fox Engine fazendo um trabalho justo, apesar de não espetacular.

Ou seja, o visual e o gameplay estão no nível esperado, o que faltou mesmo em Metal Gear Survive foi inspiração no enredo e nos modos de jogo. Fica a impressão de que o jogo tinha potencial para ser muito mais do que é. No entanto, com seu sistema exaustivo de loot e de craft sem muitas variações, ele acaba incomodando mais do que divertindo.

Espere uma promoção

Metal Gear Survive só é recomendado para quem gosta muito de jogos de exploração, de combates mais hack and slash, e de elementos de fortificação de base. Ele não é nem um grande jogo desses estilos, mas cumpre o que se espera, mesmo com algumas falhas em pontos importantes.

De resto, somente se você esperar uma promoção bacana. Não vale muito gastar R$ 150 com ele. Isso sem falar nas microtransações. E é um jogo apenas parcialmente localizado, só com legendas, sem dublagem para o português do Brasil. Novamente, não chega a ser ruim. Mas também não impressiona. ​

De qualquer forma, criticá-lo demais somente por não ser de Kojima, por exemplo, ou pelo gameplay não ter as características de stealth e inteligência dos outros jogos da série, não parece justo. Muita gente criticou Resident Evil VII por não manter a tradição da franquia e ele tornou-se o melhor jogo do PSVR no ano passado, por exemplo.

Não que vá ser o caso de Metal Gear Survive ganhar prêmios. Isso é bastante improvável. Entretanto, também não é daqueles jogos totalmente descartáveis. Tem momentos legais, como alguns sustos com os “zumbis”, a exploração por materiais e a sensação de luta por sobrevivência mesmo.

Mas, sem dúvida, Metal Gear Survive é um jogo que poderia ser (muito) melhor. Não só por carregar o nome de uma franquia tão icônica, mas também por ter uma premissa bacana e que não é tão bem explorada como deveria.

Disqus Comments Loading...
Compartilhar