Mutant Year Zero: Road to Eden oferece uma proposta, de certo modo, exclusiva. Não são todos os jogadores que gostam da jogabilidade em turnos. Porém, comandos acessíveis e uma história interessante permitem a expansão dessa comunidade com um bom produto.

Não é algo totalmente inédito, já que várias das mecânicas observadas em XCOM estão presentes no jogo. Mas ele conta com identidade própria por oferecer personagens carismáticos e uma boa jogabilidade.

Até o Éden!

A história e o desenvolvimento da aventura de Mutant Year Zero (MYZ) é um grande atrativo. A Peste Rubra devastou toda Terra, deixando poucos sobreviventes em um local chamado de Arca.

E como em todo jogo com elementos de sobrevivência, os recursos são escassos. A sua missão, um Patrulhante, é explorar as zonas mais perigosas, coletar suprimentos, enfrentar criaturas e defender territórios.

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A legenda em PT-BR auxilia no entendimento de todo o universo que faz duras críticas à sociedade moderna. Fonte: captura de tela.

No controle de Bormir, um javali, e Dux, um pato, ambas criaturas mutantes devido à peste, você tem que defender a Arca enquanto tenta desvendar os mistérios do Éden.

A construção deste universo é muito boa e faz diversas referências aos “antigos” – nós mesmos, seres humanos – que na época até tentaram reverter a situação, mas sem sucesso. O jogo também faz algumas críticas interessantes à forma como conservamos nossos recursos naturais atualmente.

Horizon Zero: Dawn oferece uma narrativa um pouquinho parecida. Contudo, o diferencial de MYZ é justamente como os humanos são criticados e como isso interfere até mesmo no relacionamento dos protagonistas mutantes que se sentem isolados, lutando por uma raça que não é a deles.

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Um mundo pós-apocalíptico destruído de modo brutal. Fonte: captura de tela.

Pense. Organize. Lute.

A jogabilidade de Mutant Year Zero mescla elementos diversos que o tornam diferente. As mecânicas de combate ainda são em turnos. Ao entrar em confronto, os personagens realizam movimentos inspirados em RPG de mesa, flertando com a sorte em possibilidades de erros e acertos.

Mas a ideia não parece muito boa. Isso porque alguns ataques são simplesmente anulados pelo fator “sorte”, mesmo estando a um palmo do adversário. O que vai na contra-idéia de estratégia.

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Na hora do combate, granadas e tiros podem (ou não) causarem danos nos inimigos. Tudo é decidido por turnos. Fonte: captura de tela.

Antes dos combates você pode explorar os ambientes de forma bem livre. E é bem importante fazê-lo para coletar itens necessários e posicionar suas tropas em locais estratégicos.

Essa liberdade é o “diferencial” do jogo em relação ao gênero. É possível controlar cada um dos seus soldados separadamente e colocá-los em posições táticas variadas: posições elevadas, escondidos, expostos. Enquanto isso, os próprios inimigos também fazem rondas e estão atentos ao redor.

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Na exploração, é possível posicionar seus soldados em lugares estratégicos a fim de garantir vantagem. Fonte: captura de tela.

O jogo conta ainda com algumas nuances dos RPGs. É possível investir pontos em árvores de habilidades, aprimorar armaduras conquistadas e subir de níveis gradualmente.

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Além de personalizar os protagonistas, os equipamentos oferecem atributos diferentes e cooperam para a construção de estratégias eficientes. Fonte: captura de tela.

O game oferece bons níveis de dificuldade. É preponderante que sejam feitas melhorias e tomadas as melhores decisões. Mesmo na dificuldade “normal”, os oponentes não oferecem moleza.

Você se diverte com estratégia?

MYZ não é tão descompromissado. Por ser focado essencialmente em estratégia, você precisa estar sempre planejando e bolando ideias para cada ação.

Você já assistiu ao filme Código de Conduta de Gerard Butler? Pense no mesmo conceito: cada passo deve ser estudado e pacientemente esperado. O bacana é que a inteligência dos inimigos é bastante volátil, o que obriga – sempre – a ser cuidadoso.

Então, não é para todos os tipos de jogadores.

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Colete recursos ainda melhores para aprimorar as armas e adquirir novas. Fonte: captura de tela.

O que acaba por chatear mesmo é fator sorte. A ideia dos desenvolvedores foi tentar aproximá-lo dos RPG de mesa, onde nem tudo acontece como previsto. E isso acabou não ficando tão legal no jogo.

O visual também não chama tanta atenção. Ainda que os cenários mudem bastante com a evolução, não é nada tão impressionante. É só “OK”.

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Sem contar no muito para explorar. Fonte: captura de tela.

Vale ?

É um jogo de nicho. Mesmo que conte com opções mais acessíveis, ainda é muito direcionado a determinado tipo de público. Mas cumpre bem seu papel neste segmento.

Com suas mecânicas autênticas e dificuldade acentuada, organizar planos e vencer baseado na sua própria estratégia é recompensador. Aventurar-se em Mutant Year Zero: Road to Eden sem conhecer a proposta, é um risco. Não para os entendidos, claro.

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Avaliação
Geral
7.0