NBA 2K18: Vale a Pena?

É basquete até não poder mais; entenda!

Se NBA 2K17 era um time, o Golden State Warriors da temporada passada, NBA 2K18 é um jogador: Michael Jordan da temporada 1994/95. Quando ele retornou ao basquete 17 meses depois de se aposentar para jogar baseball. É claro que MJ ainda era o maior, mas a concorrência aumentara e o mundo inteiro agora estaria de olho nele de outra forma.

Com o NBA 2K18, tirando a parte do baseball, a pressão é mais ou menos a mesma. Líder do mercado com facilidade nos últimos anos, ele chega como “o cara”, mas agora tem um NBA Live 18 de respeito para se preocupar. E, assim como Michael quando vestiu a camisa 45 dos Bulls, vive seus momentos de genialidade, mas também tropeços pelo caminho.

O game mantém o padrão de qualidade da série, com belos gráficos, jogabilidade apurada e os modos de jogo, que são variados e excelentes. Porém, pequenos deslizes, como bugs que deletam jogadores do Modo Carreira e o excessivo número de moedas necessário para evoluir fazem com que ele não seja perfeito – se fosse, seria o Jordan de 96.

We love that Basketball…

Se fosse preciso eleger um grande destaque de NBA 2K18, certamente seriam os modos de jogo. São muitos, e todos com um pouco de evolução em relação ao seu antecessor. Nas divulgações mais recentes, focou-se muito em The Neighborhood, o novo modo online que reúne MyCareer, Pro AM e MyPark, mas o jogo vai muito além disso.

Para quem ama o basquete e quer passar o máximo de tempo possível no NBA 2K18, será um prato cheio. Agora para aqueles que são jogadores casuais ou que até gostam do jogo, só que também têm outros compromissos e até mais games, vai ser difícil de aproveitar tudo o que o novo game tem para oferecer.

Vamos começar pelo mais simples: as partidas rápidas, online e offline. O número de times que podem ser escolhidos pelos jogadores agora é ainda maior. Foram adicionadas ainda mais equipes clássicas, algo que já se tornou tradição no NBA 2K, e agora, pela primeira vez, foram criados os times dos melhores de todos os tempos de cada franquia.

Ou seja, se você torce pros Lakers, por exemplo, pode controlar Magic Johnson com Kobe Bryant no mesmo time. Já pensou? Mas você também tem a opção de criar o seu próprio time icônico, no modo MyTeam. Ele funciona como o Ultimate Team do FIFA, com aquelas cartinhas de jogadores que são compradas e vão formando a equipe.

Este é um modo que cresceu bastante, com novos recursos, como o Draft e o Packs and Playoffs, com cinco jogadores que você escolhe de pacotes aleatórios para montar o seu time e encarar os adversários. Foi adicionado também o Super-Max, que é uma forma de levar o sistema de Cap da NBA para este modo.

Além disso, há novas cartas de boosters, mais desafios offline e Dynamic Duos, que são duplas de jogadores que, quando você tem as duas cartas, ambos passam a jogar ainda melhor lado a lado. As possibilidades de personalização também são enormes. E não só neste modo. Afinal, o MyLeague deixa você editar toda a NBA.

Número de times, uniformes, local do All-Star game, adicionar jogadores criados, além de uma nova ferramente de análise.Tudo isso já com as novas regras da Liga, como as suas mudanças no sistema de salários. E você controla todos os detalhes da sua franquia, dos jogadores e treinos até preços de produtos vendidos.

Storytelling

Desde Spike Lee em NBA 2K16, o storytelling se tornou peça fundamental dos jogos da franquia. E, agora, com The Neighborhood, ele chega a um novo patamar. Você é DJ, o talentoso garoto que joga basquete de rua, mas também é apaixonado por música. Num belo dia, ele vai a um torneio amador, se destaca e é convidado pra treinar em um time.

A partir daí, as suas decisões vão alterando o rumo dessa história que, é claro, leva o seu personagem para a NBA. Você pode criar o boneco como quiser, altura, peso, posição, os detalhes de rosto e cabelo, etc. Depois dessa primeira fase de testes, você conhecerá um grande hub para todos os jogadores do mundo, A Vizinhança (The Neighborhood).

Um espaço online, com diversos atrativos, como um salão para adicionar novos cortes de cabelo, um estúdio de tatuagem, locais para disputar mini-games e desafios, além de uma área de treinamento físico e do ginásio de treinos do seu time. É um pequeno mundo, com muitos atrativos que unem os modos de jogo MyCareer, ProAm e MyPark.

Jogador criado deve ir evoluindo com várias atividades (Foto: Reprodução/Thiago Barros)

Você poderá tanto jogar os jogos da NBA, offline, como partidas de basquete de rua e de quadra, online. Quanto mais jogar, mais ganhará VC, que é a moeda virtual do jogo, para melhorar e personalizar o seu personagem. Seja para aumentar seus atributos ou só para comprar uma roupa nova.

E não é só no MyCareer que a história é crucial. Ela chegou também ao MyGM. Neste modo, que é quase uma versão reduzida do MyLeague – você vira o General Manager de uma franquia após ter jogado na NBA e tem uma linha de enredo se desenvolvendo, com diversas cutscenes e interações, enquanto faz a gestão do time.

Mais do que um rostinho bonito

À primeira vista, se você jogava NBA 2K17, quando rodar o jogo no NBA 2K18 não vai ver muita diferença nos gráficos. No jogo em si, com a câmera aberta, é “mais do mesmo” – o que não é ruim, até porque o visual do antecessor já era excelente. Mas quando chega no zoom, aí dá pra notar que muita coisa melhorou.

Os rostinhos bonitos estão ainda mais bem feitos. O trabalho facial que a 2K Sports fez no game é de altíssimo nível. Os corpos dos jogadores também estão mais realistas – é o fim dos corpinhos super magros de alguns atletas do NBA 2K17, como Kevin Durant. Além da qualidade da reprodução dos rostos, a movimentação das faces também está incrível.

Personagens como as cheerleaders, repórteres e comentaristas são outros que possuem as suas versões virtuais bem feitas. A ambientação dos ginásios e as apresentações de jogos agradam, e as cutscenes dos modos com história são todas bem realistas, com um visual daquele nível de trailer de divulgação (sem downgrade!).

E é claro que NBA 2K18 é muito mais do que rostinhos bonitos, né? A jogabilidade é outro aspecto em que ele brilha. Apesar de demorar até se acostumar com o novo shot meter, para calcular o quão bom será o seu arremesso, o jogo parece ser o mais fluido, próximo da realidade, que a franquia já teve.

Isso porque muito do feedback do jogador foi ouvido. As roubadas de bola não estão mais tão simples, os contra-ataques estão muito melhores e as defesas se posicionam de uma forma bem mais precisa. Agora, é mais importante do que nunca entender as fraquezas e forças de cada jogador e cada time para dominar o game.

O ritmo do jogo é excelente, as variações de mecânicas e dribles são bem equilibradas e a inteligência artificial parece um pouco mais apurada, apesar de ainda haver alguns pontos que incomodam um pouco. O sistema de chamar jogadas também está mais simples. No geral, NBA 2K18 é o melhor simulador de basquete já feito em gameplay.

A trilha sonora, como sempre, e os comentários também merecem elogios. Assim como a NBA 2KTV, muito bem apresentada por Rachel DeMita e sempre com conteúdo relevante para assistir em alguma hora para relaxar e aprender mais sobre a NBA e sobre o game – além de ganhar VC respondendo corretamente as perguntas dos quizes.

Jogabilidade está muito boa, como de costume (Foto: Reprodução/Thiago Barros)

Deu aro!

Mas nem tudo é elogiável em NBA 2K18. Há pequenos detalhes que incomodam em alguns aspectos. A começar pela Virtual Currency, ou VC, que é a moeda virtual do game. Ela tem uma importância enorme, e está mais difícil de conseguir do que nunca (a não ser por meio de glitches). É preciso ter VC para tudo.

Agora, até para cortar o cabelo no MyCareer você precisa usar moedas. E é necessário um grind louco para conseguir números altos de moedas. Ou então usar dinheiro real. Aí entra a grande polêmica. Em um jogo que já custa US$ 60 ou R$ 249, você encontra um modelo de negócios de free-to-play nesta questão.

E, como o Run The Neighborhood tem um grande componente online e competitivo, não se torna muito justo permitir que as pessoas com dinheiro simplesmente possam comprar suas moedas que vão upar o personagem. O Road To 99, objetivo principal do modo, que é levar seu boneco até o overall 99, pode ser alcançado exclusivamente usando dinheiro real.

Isso é uma ducha de água fria. Sem falar que, como as pessoas podem estar com o nível alto, elas não vão, provavelmente, querer jogar com desconhecidos de nível baixo. E isso pode acabar canibalizando o game, porque não há um nivelamento nas sessões. Assim, quem joga casualmente pode ficar facilmente desmotivado.

Microtransações atrapalham bastante o jogo (Foto: Reprodução/Thiago Barros)

Além disso, há algo bem esquisito nas cutscenes. Mesmo que você faça um personagem gigante, de 2,11m de altura, nas animações ele aparece baixinho. Há um tamanho que já está pré-definido para ele aparecer nas cenas. E nos diálogos do MyGM, não há áudio, o que também atrapalha um pouco a experiência, e o enredo pré-definido é sem graça.

Na jogabilidade, continua um problema de os jogadores de defesa que ficam no garrafão interceptarem todos os passes com muita facilidade, e dos caras com mão de alface que não pegam passes que vão certinho na direção deles. Além disso, as bandejas parecem estar bem mais difíceis de acertar quando você parte em direção à cesta com marcação.

Há ainda alguns probleminhas de rotação de marcação que fazem com que, dependendo das jogadas feitas pelo adversário, sempre sobre alguém livre. É preciso ficar bem atento, especialmente em jogadas armadas para deixar um chutador arremessar de três, ou para quando você tentar marcar alguém, não deixá-lo te driblar, porque não haverá cobertura.

No visual, alguns detalhes poderiam ser melhores: como uniformes corretos para os times clássicos, números menores nas partes traseiras das camisas e menus mais bonitos, com soluções diferentes do utilizado no NBA 2K17. As vezes, parece que você está navegando pelos mesmos menus do último jogo.

A personalização do rosto do personagem nos modos carreira também é bastante limitada. Você tem pouquíssimas opções, e todas já pré-definidas. Não dá mais para construir o seu rosto. É verdade que dá para escanear pelo celular, e o resultado fica bem satisfatório, mas pra quem curtia criar mesmo a face, esqueça.

O lag nos jogos online também é uma realidade. Contra jogadores brasileiros, normalmente funciona melhor. Mas como a maioria das partidas rápidas online é contra pessoas que são da América do Norte, infelizmente, acontece isso. O tempo de resposta aos comandos fica bem abaixo do esperado. Não é um problema específico do jogo, mas influencia.

#45

O rapper Jay-Z, que já foi responsável pela trilha sonora de NBA 2K13, rima em “Encore” que “Quando ele volta como o Jordan, vestindo a 45, não é para fazer joguinhos“. E NBA 2K18 também. Com o The Neighborhood e todas as melhorias que tem, a 2K Sports e a Visual Concepts mostram ousadia e coragem para inovar, mesmo sem precisar tanto.

É claro que há alguns turnovers e arremessos no aro em um jogo, mas quando a sirene toca, o placar é bastante positivo para NBA 2K18. Gráficos muito bonitos, a jogabilidade ainda mais refinada, variados modos de jogo e apresentação de alto nível tornam o novo game de basquete da 2K um dos melhores da série.

Jordan ou LeBron no auge? Tire a dúvida no 2K18! (Foto: Reprodução/Thiago Barros)

A única coisa que é, realmente, um airball é o foco excessivo nas microtransações. Sem comprar VC, é muito difícil de conseguir evoluir em todos os aspectos que você desejar. Digamos que você goste de jogar MyGM, MyTeam e MyCareer, por exemplo. Vai ter que gastar muitas moedas em todos eles, e isso está muito mais difícil.

No fim das contas, NBA 2K18 é, sim, um jogo recomendado pelo Meu PS4. Para quem gosta de basquete e de esportes em geral, é uma ótima escolha. E, caso você tenha a oportunidade de adquirir uma versão que dê bônus de VC, pode ter certeza de que fará grande diferença para você.

Restam somente pequenos ajustes para o Michael Jordan trocar o número 45 pelo 23 e fazer história. Ou seja, para NBA 2K18, que já é ótimo, se tornar “o jogo”. E o bom é que alguns destes detalhes podem ser, facilmente, ajustados com patches, para melhorar os pontos citados em jogabilidade e dar um pouquinho mais de VC para os jogadores.

  • Pontos positivos: Gráficos realistas; Jogabilidade quase perfeita; Variedade de modos.
  • Pontos negativos: Lag nos jogos online; Microtransações.

* O jogo foi cedido pela 2K Games para avaliação

AVALIAÇÃO FINAL
Visual
9
Sonoplastia
10
Diversão
8.5
Jogabilidade
9
Online
8
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