O caminho percorrido pela franquia de basquete da EA entre NBA Live 95 e NBA Live 18 é um dos mais curiosos da história dos games. Quando o primeiro jogo da saga foi lançado, no final de 1994 para SNES, Mega Drive e DOS, marcou época. Nos anos seguintes, virou referência – mesmo com o surgimento de concorrentes de Sega (NBA Action), Konami (NBA Give ‘n Go e NBA In The Zone), Midway (NBA Jam e NBA Hangtime), dentre outros.

Até a década de 2000, quando seu novo rival nasceu, NBA 2K, a EA seguiu fazendo games de alto nível, como NBA Live 06, NBA Live 07 e NBA Live 08. Porém, entre 2010 e 2017, a série viveu momentos conturbados. Ficou até alguns anos sem publicar jogos de basquete. Não houve NBA Live 12, NBA Live 13 e NBA Live 17. Mas, ao que tudo indica, NBA Live 18 parece um passo correto na direção de voltar ao que o título significou na década passada.

Ainda há uma série de problemas, mas este é o melhor jogo de basquete da EA Sports na década. Especialmente falando de gameplay e visual. NBA Live 18 já havia impressionado nos testes na E3 2017 – e a versão completa comprova exatamente a primeira impressão. Especialmente com o modo The One, que é o principal atrativo do game. O fato de poder seguir uma carreira na Liga e nas Ruas é bem bacana.

“É NBA Live mesmo?”

A frase do entretítulo é uma reação comum a quem está acostumado com a realidade dos games de basquete quando inicia um jogo no NBA Live 18. A série estava tão em baixa há alguns anos que é difícil até de acreditar que a apresentação e o visual refinado são dessa mesma franquia. Mas pode confiar: é ela mesmo. ​

Você pode criticar muitas coisas no game, inclusive a jogabilidade, mesmo que ela tenha melhorado, mas não dá para bater nos gráficos. Destaque para os replays, ambientações de ginásios e as animações de comemorações e interações dos atletas, seja com os seus colegas de time, rivais ou árbitros.

É claro que há detalhes que poderiam ser melhores, como faces dos jogadores que não são tão conhecidos, e algumas animações in-game, além de alguns menus não serem nada atrativos. Porém, no geral, o trabalho é positivo. É mais ou menos o que acontece com a jogabilidade: evoluiu muito, mas ainda tem bastante espaço para crescer.

Por exemplo: os comandos estão muito mais simples, o medidor de sucesso de arremessos é excelente, as jogadas estão mais fluidas e tudo parece acontecer com mais naturalidade. É um jogo muito menos robótico do que já foi um dia. Especialmente no sistema ofensivo – o que, aliás, parece uma característica da EA.

Trocar passes, executar jogadas ensaiadas, fazer infiltrações e arremessar; tudo funciona muito bem. Só que na hora de marcar (alô, FIFA!), meu amigo… O novo sistema de usar o R2 para “controlar” sua defesa homem a homem ou o R1 para acompanhar a bola é muito interessante, só que o seu jogador parece em câmera lenta na hora de defender.

Acompanhar rivais mais rápidos é um tormento. E, além disso, dar tocos não é nada fácil – claro, nem deveria ser, mas é um pouquinho esquisito, porque parece haver um lag entre o momento que você aperta o botão e o movimento do jogador. É preciso antecipar (muito) a jogada e apertar o triângulo bem antes do arremesso.

“O Cara”

LeBron James, além de “Rei”, é conhecido como “O Escolhido”. Afinal, ele tem uma famosa tatuagem com essas palavras (“The Chosen One”) nas costas. Em NBA Live 18, você joga como “The One”, ou seja, “O Cara”. É o principal modo do jogo, que está em destaque logo na capa dele, com James Harden, e, disparado o que mais se destaca.

O que é bom e ruim. Ele é uma daquelas novas abordagens da EA ao Modo Carreira, como “A Jornada” no FIFA e “Longshot” no Madden. Bom. Mas não chega nem perto do que eles oferecem em termos de imersão e história. Ruim. No geral, porém, o balanço é positivo. Os “dois mundos” em que você se vê no meio de “The One” são bem interessantes.

Sem spoilers, mas o que acontece é que você é um jogador retornando de lesão que busca seu espaço na NBA, porém também quer fazer a diferença no basquete de rua para ganhar o respeito da galera e se engajar com as comunidades. E o jogo basicamente é dividido em dois dentro do “The One”.

Você pode seguir sua carreira na NBA, mas também disputar torneios de rua, ou seguir em só um deles. E o melhor de tudo (anota aí, 2K): sem microtransações que afetem o quanto seu personagem é bom. Há, sim, uso de dinheiro real no jogo, mas apenas para adquirir as famosas “loot boxes” que têm itens cosméticos, como roupas, tênis e acessórios.

Mas, assim como todo o jogo, “The One” parece apenas um prólogo do que pode estar por vir em breve. Ele tem características bacanas, mas é como se fosse uma demo. Com maior preocupação à história, mais cutscenes e mais possibilidades de interações em geral, seria um bom rival para o MyCareer do 2K. Por enquanto, é apenas uma boa promessa.

Afinal, você tem pouca influência no futuro do jogador com as respostas que dá aos poucos diálogos que têm – e todos eles em uma tela de mensagem de celular, não em animações e cenas bem trabalhadas. Basicamente, você joga, joga e joga. Só alterna entre campeonato de rua e NBA. A cada jogo, tem seus objetivos e, quanto melhor joga, mais evolui.

Há um sistema de progressão de níveis e uma árvore de habilidades que você pode usar para melhorar os atributos do seu personagem. Um ponto negativo é que eles são muito limitados de acordo com a posição que você escolhe. Se você faz um armador-passador, por exemplo, liberam apenas opções de evoluir drible, passe e arremessos curtos/médios.

No fim das contas, a experiência é divertida, e fica ainda melhor quando você vai evoluindo e desbloqueando novas possibilidades. Outro ponto que incomoda um pouco é que mesmo você adquirindo itens diferenciados de aparência (roupas, por exemplo), quando vai jogar no modo single player, ainda há um uniforme do torneio, então pouca coisa muda.

#TrustTheProcess

“Trust the Process” se tornou o lema de alguns times da NBA, especialmente o Philadelphia 76ers, quando eles tiveram temporadas muito ruins, para garantirem boas escolhas no draft do ano seguinte. A ideia é de que é preciso “confiar no processo” de reconstrução do time e acreditar que, após a tempestade, virá a bonança.

A EA Sports está nessa pegada com NBA Live 18. Em um processo. Que pode demorar um ou dois anos para chegar ao nível que se espera, mas que já deu um primeiro passo justo. Muita coisa ainda precisa melhorar, no entanto. Especialmente nos modos de jogo, que são experiências bem inferiores ao que se encontra em NBA 2K18, por exemplo.

O Modo Franquia tem várias pequenas falhas. O sistema de trocas é bastante arcaico, sem contrapropostas dos times envolvidos e com apenas dois times podendo trocar entre si. No draft, nova decepção, pois são criados jogadores fictícios e não há como baixar “draft class” como no 2K.

No Ultimate Team, “mais do mesmo”. O sistema é semelhante ao de FIFA, Madden e UFC, porém sem grandes atrativos. Especialmente porque o modo online do jogo é bem fraco. O lag é insuportável, achar partidas é difícil e a simulação de basquete fica bem prejudicada – talvez nos Estados Unidos seja diferente, mas aqui é bem ruim.

Até mesmo a inclusão da WNBA, liga feminina de basquete dos Estados Unidos, não chega a corresponder a todo o seu potencial. Os times só estão disponíveis para jogos amistosos, sem poderem ser usados na Franquia, por exemplo, e com narrações bem genéricas. Aliás, mesmo com toda a ambientação da ESPN (bem legal), a locução não é das melhores.

Mesmo com os detalhes negativos, NBA Live 18 é digno. Não chega a ser recomendado, e ganha nosso selo “Espere uma promoção”, mesmo custando R$ 149,90 (NBA 2K18 sai por R$ 100 a mais), por isso. Mas é uma boa tentativa da EA Sports de recuperar o prestígio da série e uma alternativa legal e mais em conta para quem quer jogar basquete no PS4.

Avaliação
Visual
8
Jogabilidade
7.5
Sonoplastia
7
Diversão
7
Online
6