Need for Speed Payback: Vale a Pena?

Até dá para deixar os problemas de Need for Speed Payback comendo poeira quando você pisa fundo no meio do deserto com uma Lamborghini Aventador – e sente aquela adrenalina gostosa de estar pilotando um carrão em altíssima velocidade. Mas a grande questão é que, depois de um tempo, eles voltam a fungar no seu cangote.

Sabe quando você está lá, liderando a corrida, tranquilo, quando de repente aparece ali no retrovisor um carro se aproximando? Um adversário que usou o Nitro e vem com tudo para atrapalhar sua prova? É assim que Need for Speed Payback chega a um mercado que tem concorrentes como GT Sport, Forza, Project CARS e tantos outros.

Só que, na hora de fazer a ultrapassagem e se consagrar, ele derrapa e decepciona. Fica o gostinho de que poderia ter sido melhor. Need for Speed Payback tem pontos positivos, porém no geral é uma experiência que deixa um pouco a desejar. E o Meu PS4 explica os motivos para isso na análise completa abaixo.

Veloz, mas pouco furioso

A comparação do enredo de Need for Speed Payback com os filmes da série Velozes e Furiosos é um clichê mencionado a cada vez que se fala do game. Mas, ao contrário da franquia que é sucesso nos cinemas, a história do jogo não é tão cativante e nem conta com personagens que têm personalidade forte e traços marcantes.

Brian O’Conner, Dominic e Mia Toretto, Letty e até Luke Hobbs, que entrou apenas em Fast Five, se tornaram icônicos nas telonas. Dificilmente veremos isso acontecer com Tyler, Mac e Jessie, estrelas de Payback. Muito por conta, provavelmente, da rasa história de vingança (daí o nome Payback) que é abordada.

O jogo se passa em Fortune Valley, uma espécie de Las Vegas fictícia, e tudo começa com uma traição à gangue de Tyler. No decorrer do jogo, então, ele busca se vingar de quem foi responsável por isso: The House, um “cartel” que comanda todas as atividades da cidade – inclusive manipulando resultados de corridas.

Uma história de vingança.


A história até parece que vai começar bem, apesar de a introdução ser tão longa que chega a ficar um pouco chata, mas no fim das contas acaba não empolgando. É uma solução bem bacana, que faz com que Need for Speed Payback se diferencie dos jogos de corrida “mais tradicionais”, porém não chega a ser algo que arranque aplausos.

Especialmente porque os melhores momentos da história são em cutscenes. Você apenas assiste à ação, não participa, de fato, dela. E os gráficos nestas cenas não são tão bonitos quanto se pode esperar. Para comparação, o visual de A Jornada, com a mesma Frostbite Engine da EA, salta muito mais aos olhos do que o do novo NFS.

Aberto a novos desafios

O mundo aberto que a EA desenvolveu, sim, merece elogios. Um mapa enorme, com muita coisa para fazer. Óbvio que pode se tornar um pouco repetitivo, mas não tem lá muito como inovar em um game de corrida de automóveis. Mesmo assim, Need for Speed Payback tem um número enorme de atividades e corridas – o que é seu principal ponto positivo.

Nas missões da história, há corridas e perseguições. Nas atividades extras, uma série bem interessante de desafios, como drifts e pulos. Além disso, há os colecionáveis, como fichas de apostas escondidas em diversos locais do mundo, e outdoors que você deve destruir ao pular com seu carro por dentro deles.

A diferenciação de personagens é interessante para este ponto: cada um deles se adapta mais um determinado tipo de pilotagem. Ty é o velocista, Mac é o cara dos offroads e drifts, enquanto Jessie é uma piloto de fuga completa. Um twist legal na jogabilidade, meio que à la GTA, para torná-la um pouco mais abrangente.

Jogabilidade continua sendo um dos destaques.


Por falar em jogabilidade, claramente Need for Speed Payback está longe de ser um game para quem curte simuladores super realistas de corrida. Ele tem uma pegada mais arcade, com o controle dos veículos sendo bem mais simples para quem não é expert em jogos de corrida – a não ser na maior dificuldade do game, onde as coisas são bem complicadas.

Com a variedade de carros e de tipos de corrida, você sente bem as suas diferenças e tem uma experiência muito agradável. Definitivamente, esta, que é a “parte principal” do jogo, é boa. O problema é que tudo pode acabar ficando um pouco enjoativo devido ao alto nível de “grinding” necessário para progredir e ao sistema de customização dos veículos.

É importante falar sobre as perseguições, que estão muito menos emocionantes do que em outras edições de Need for Speed. A polícia não parece ser das mais inteligentes, e quando você é perseguido por inimigos e bate o carro neles, as vezes precisa de um esforço maior do que o esperado para tirá-los da pista e derrotá-los de vez.

Outro ponto que impacta negativamente a jogabilidade é o tempo de carregamento do jogo, que é muito longo – especialmente quando você resolve disputar novamente um evento que acabou de correr e no início do jogo. Um ponto positivo são “apostas” em cada corrida, que lhe dão bônus extra se você vencer a prova e ainda cumprir um objetivo secundário.

Já o modo Online acaba decepcionando por um ponto: não tem um mundo aberto como nos seus antecessores. Ele é, basicamente, uma série de competições player vs player. Para quem gosta, é um atrativo a mais. Porém, novamente, mais uma atração somente mediana; nada que empolgue muito.

Em time que está ganhando…

A variedade de opções de personalização dos carros é interessantíssima. Dá para mudar (quase) tudo que você quiser para deixar sua máquina mais bonita e/ou potente. Desde a cor e os adesivos do carro até detalhes nas partes frontal, lateral e traseira do mesmo. Há muito o que fazer aqui. O problema é como.

Need for Speed Payback tem um sistema de cartas semelhante ao Ultimate Team, que foi lançado no FIFA e se tornou figurinha carimbada em muitas séries da EA. Agora, quando você completa uma corrida ou missão, ganha cartas que podem ter ícones visuais, grana ou peças para o seu carro.

Sistema de cartas.

Cada carro tem seis slots para Speed Cards que melhoram detalhes dele, como a caixa de marchas, o turbo, os freios, etc. As cartas são aleatórias, então você pode dar sorte e tirar alguma que te ajude ou azar de pegar uma que não sirva de nada. Quando isso acontecer, troque-a por uma peça. Com três, você pode tirar uma nova carta.

Além disso, você pode comprar estes itens usando o dinheiro do jogo em algumas lojas que têm seus estoques atualizados a cada 30 minutos – as Tune-In Shops. Ou então pode usar dinheiro real para comprar Shipments. Estes são “loot boxes”, que têm versões grátis que o usuário ganha diariamente e edições premium, pagas, com mais itens.

E fazer tudo isso é extremamente importante, porque aumenta o nível do carro. Cada prova que você disputar terá um nível mínimo recomendado para o seu veículo, e caso ele esteja abaixo disso, provavelmente você terá muita dificuldade de vencer as provas. A inteligência artificial do jogo já “rouba” um pouquinho pra máquina. Nesses casos então…

Need for Speed sempre teve a personalização de carros como um grande atrativo, e ela se tornou algo que os fãs esperam ansiosamente quando um novo game da série sai. Bastava voltar às raízes da franquia para acertar. Porém, a EA quis inovar, e claro, atrair uma forma nova de arrecadar, e acabou derrapando.

Escolha seu carro.

Sem contar no sistema de desbloqueio de carros que é, no mínimo, curioso. Quando você termina uma Questline da História, recebe uma mensagem de que algum novo veículo foi desbloqueado. Só que, na verdade, ele foi liberado para compra. Você não ganha o carro, tem que pagar por ele.

A variedade de carros, aliás, é satisfatória apenas. Não chega a ser uma grande lista com todos os principais veículos do mundo, mas tem alguns bem interessantes até. De várias marcas diferentes. Dá para se divertir. E como a EA deve lançar outros veículos em DLCs futuros, isso não é um problema.

Quem também não incomoda é a sonoplastia do jogo. Need for Speed Payback mantém viva a tradição do jogo de um bom trabalho de áudio. A trilha sonora se encaixa no estilo do game, a dublagem dos personagens (em inglês) é boa e o som dos automóveis nas pistas é bastante adequado.

Nem tudo que reluz…

Quando as primeiras imagens de Need for Speed Payback foram divulgadas, o hype para o jogo aumentou. Muita gente imaginou que seria o retorno da série aos dias de glória. Ainda não foi dessa vez. Apesar de ter, sim, seus pontos positivos, o novo game peca em alguns aspectos importantes – que costumam até ser destaques da franquia.

O próprio visual é um deles. No PlayStation 4, ele não impressiona tanto. Os carros até são bem trabalhados, mas só isso; e nem eles são perfeitos, principalmente quando acontecem acidentes. Os carros não ficam com as marcas de danificação após batidas. Na maioria dos casos, inclusive, você simplesmente volta para a pista como se nada tivesse acontecido.

Nas cenas de animação, conforme dito anteriormente, as feições dos personagens não são “nada demais”. O legal mesmo é a ambientação do jogo. Neste ponto, a EA merece elogios pelo trabalho. Os cenários são todos bem construídos, a iluminação é ótima e os efeitos de velocidade quando você está acelerando também são bons.

Mas nem tudo que reluz é ouro. Need for Speed Payback mais decepciona do que agrada. Muito por conta das expectativas serem altas em torno de uma franquia tão popular, que já há algum tempo não vem entregando o que se espera dela. Este é mais um título pelo qual o fã da série esperou por muito tempo e, provavelmente, não ficará feliz com o resultado.

O primeiro Need for Speed foi lançado em 1994, e desde então já foram mais de 20 jogos na franquia, que se consolidou nos anos 2000 com Underground e Most Wanted, mas que desde 2010, com Hot Pursuit, não tem um produto sólido e completo para quem aprendeu que esta era uma das melhores séries da história dos games. Uma pena.

Não é que Need for Speed Payback seja um jogo ruim. Longe disso. Dá para jogar, sim, e se divertir também. O problema é que estes problemas citados fazem com que ele também não seja merecedor de um selo “Recomendado”. Pelo menos, não por R$ 209,90, o preço dele na PlayStation Store. Melhor “Esperar uma promoção”.

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