Após tantos adiamentos, Ni No Kuni II: Revenant Kingdom está finalmente entre nós. Segundo as justificativas do CEO da Level-5, a implantação de novos recursos e algumas outras melhorias eram necessárias para uma melhor experiência.

Se pegarmos a versão apresentada na BGS para comparar com a atual, estaríamos fazendo uma grande injustiça. O produto final apresenta um gameplay muito mais intuitivo e leve, além de outros recursos muito legais.

Se você faz parte dos jogadores que se decepcionaram com os constantes atrasos, pode ficar tranquilo, pois eles valeram muito a pena.

Evan e seu Reino

Ni No Kuni II narra a história de Evan, um garoto que teve não somente o trono usurpado, mas também sua kingmarker roubada.

Após conhecer Roland, Evan decide construir um novo reino para que as pessoas vivam felizes. Porém, para que isso aconteça, é preciso fazer um pacto e conseguir uma nova kingmarker. Sem ela, ele não estará apto a ser rei.

Um dos pontos positivos de Ni No Kuni II é a rapidez de como a história se desenvolve. Ao contrário de alguns JRPGs existentes, o título permite que você, logo no início, crie um laço muito forte com os personagens. Além disso, os combates também acontecem de uma forma muito rápida, não dando tempo para você ficar entediado com os diálogos.

Por falar em diálogos, eles estão muito bons para um jogo em cell-shading. É possível se arrepiar com a atuação dos dubladores nas cutscenes, fazendo você ignorar completamente a falta de sincronismo labial.

Do zero…de novo

Para Evan construir um novo reino, ele precisará de toda a ajuda possível. Além de Roland, o futuro rei terá a ajuda de Tani, uma pirata do céu e Batu, pai da garota e líder de seu povo. Mas não pense você que será uma tarefa fácil. É preciso lutar contra os bandidos para conquistar territórios, e é aí que entra o sistema de batalha dos Skirmish.

Durante as batalhas de campo, Evan apenas dá ordens a seus escudeiros. Uma seta azul indica qual tropa é mais efetiva contra a outra, facilitando na hora do embate. Embora pareça “bobinho”, é um sistema muito divertido, principalmente na hora de subir seus guerreiros de nível e conquistar novos aliados. Este recurso aumenta ainda mais a vida útil do título.

Outro ponto a ser levantado é o formato dos personagens em campo. Alguns jogadores já torceram o nariz para isso, porém, eles são muito fofos e adoráveis. Na prática, ele dá um charme diferenciado, melhorando ainda mais a imersão no mundo de Ni No Kuni ll.

É possível rotacionar as tropas com R1 ou L1 para proteger Evan.

Como nem tudo são flores, é importante dizer que os vastos campos trazem de presente alguns problemas técnicos. Entre eles estão as “engasgadas” que o jogo dá enquanto você tenta chegar ao seu destino. Além disso, em alguns momentos torna-se um verdadeiro desafio chegar a algum lugar, pois é muito complicado evitar batalhas, já que seus personagens são lentos.

No primeiro título havia uma estrela marcando o próximo objetivo, porém, a Level-5 deu a opção de desativá-la. Durante minha aventura pelo reino de Ni No Kuni ll não encontrei a tal opção, fato que acabou causando um pouco de frustração por deixar as coisas mais fáceis.

Não temos que pegar!

No título anterior, os jogadores precisavam capturar monstros para eles lutassem ao seu lado. Este sistema acabou dividindo opiniões, pois era algo obrigatório e não tão satisfatório, deixando os personagens principais um pouco de lado. Porém, em Ni No Kuni ll a coisa muda de figura e transforma Evan e seus amigos nos verdadeiros reis do show!

Os Higgledies (as criaturinhas existentes no jogo) servem de suporte e podem ser encontrados em estátuas espalhadas pelo mundo afora. No entanto, para ter acesso a eles, é preciso fazer a oferenda solicitada, caso contrário, ele não aparece.

Ni No Kuni ll
Estes são os primeiros Higgledies do jogo. Seu poder é se transformar em um canhão para abater principalmente inimigos voadores. Fonte: PS4 Share

O sistema de batalhas melhorou muito desde a versão apresentada na BGS. O contador de dano, por exemplo, era desregulado, mostrando números na casa dos 10 ou 15. Além disso, era uma tortura conseguir alcançar inimigos voadores, pois os personagens não pulavam tão alto assim.

O produto final apresenta não somente danos que realmente enchem os olhos, mas também uma jogabilidade mais dinâmica e divertida. Além disso, o novo sistema Zing permite que suas habilidades sejam modificadas caso a arma alcance 100% em batalha. Há uma grande quantidade de variações para serem testadas.

Como o assunto da vez são armas, é bom ficar ligado na cor de cada uma delas. As roxas são as mais difíceis de serem encontradas, mas que também possuem chances de serem derrubadas de monstros comuns. Caso queira facilitar o trabalho, basta habilitar a passiva que aumenta as chances de encontrar itens raros. Mas fique ciente que o custo dela por nível é bem alto.

Ni No Kuni ll
Cada cor de arma corresponde a um elemento diferente. Fonte: PS4 video

É perfeito?

Graças ao poder do PlayStation 4, o título apresenta um dos melhores gráficos já vistos no console. Tudo é muito limpo e nítido, fazendo você pensar que está realmente dentro de um desenho animado. A narrativa é excelente, chocando o jogador a cada novo acontecimento. Porém, o jogo não chega à perfeição.

Alguns bugs bobos de produção estão presentes. Às vezes a árvore de habilidades de Roland aparece no atalho de Evan, por exemplo, confundindo o jogador. Leva um tempo para se acostumar com este problema.

As travadas citadas no início deste review não acontecem somente em campo, mas também nas dungeons. Elas não incomodam tanto a ponto de fazer você querer jogar o controle na parede, mas estão lá e precisam ser corrigidas.

Outro erro existente está na forma de abordagem dos inimigos. Quando se está em campo e você é pego pelas costas, aparece um “surprise attack”, dando vantagem aos adversários. Porém, não existe um “preemptive attack” para balancear as coisas, como acontece na série Tales of, por exemplo.

Estas pequenas falhas em Ni No Kuni ll são muito pontuais e muito comuns em jogos recém-lançados. A ausência da localização para o português também faz falta, mas nada disso tira o brilho de Evan e seus amigos nesta magnífica aventura.

Prepare-se para desperdiçar muitas horas fazendo quests, procurando equipamentos raros e explorando o desconhecido em busca de um reino feliz e próspero.

Avaliação
Geral
9