Rainbow Six, a série clássica adaptada dos livros do famoso historiador e escritor de espionagem americano, Tom Clancy, que conta histórias de um fictício grupo internacional de combate ao terrorismo chamado Rainbow, está de volta aos videogames.

Dezessete anos depois do lançamento de seu primeiro título para os consoles, Rainbow Six: Siege chega à nova geração com uma proposta bem interessante, audaciosa e, por que não, revolucionária.

Assim como nos outros jogos, o objetivo da Ubisoft, que trabalha nos jogos da série com notado esmero, é fazer com que o jogador se sinta um verdadeiro agente anti-terrorista, que viva toda a tensão das missões e que utilize de seus conhecimentos e ferramentas para alcançar seus objetivos sem falhas.

Ora, mas se trata de um jogo focado no multiplayer e na primeira pessoa. Se não é sobre isso, então, sobre o que é? Acompanhem a análise para descobrir a resposta.

Prefácio

O diferencial desse título deve à nova geração de consoles que proporciona mais opções para que o mundo se torne cada vez mais imersivo. A opção da desenvolvedora de não criar uma campanha solo propriamente dita mostra a real intenção do jogo.

Numa missão anti-terrorista de extrema importância, não só para o país, mas para o mundo, é necessário que tenhamos suporte e, acima de tudo, que confiemos e trabalhemos em sincronia com nossa equipe.

Portanto, esqueça a opção de pegar suas armas, suas bombas, ir ao campo de batalha, correr, pular, mirar, agachar, atirar e matar todos os inimigos. Rainbow Six: Siege não é sobre isso.

Ao acessarmos o jogo, pela primeira vez, um belo vídeo de introdução lhe mostra o que é Rainbow Six: Siege. Nele, somos um agente anti-terrorista muito bem treinado para retaliar as ondas de ataques terroristas. No vídeo, há belas cenas de explosões, ações táticas e um gráfico limpo, que faz com que possamos nos sentir dentro da situação.

A Ubisoft fez realmente um belo trabalho de regionalização em Rainbow Six: Siege que é um excelente aliado para nos inserir no mundo criado para o jogo. Os dubladores, de forma geral, cumprem muito bem o seu papel. As exceções ficam por conta de alguns (realmente poucos) vídeos de apresentação dos agentes.

O vídeo de introdução se aproxima muito de um filme e nos motiva a jogar, a realizar as missões e fazer o bem para o país. Uma boa maneira de iniciar o jogador ao ambiente do jogo, visto que este não possui campanha single-player.

Em Siege, o trabalho em equipe é essencial, visto que no jogo não há respawn. Caso morra, não é possível retornar até que outra partida seja iniciada. Porém, se formos gravemente ferido, mas não morto, e conseguirmos nos esgueirar até um local seguro e sermos atendidos por um companheiro de equipe, voltamos ao jogo.

Modos de jogo

Cenário

Os “cenários” são missões de introdução ao jogo que nos preparam para agir como um legítimo anti-terrorista, treinado para nos adequar aos conceitos básicos do jogo.

Funciona como um briefing de missão, da maneira como ocorre na realidade. Nos vídeos de introdução às missões, algumas dicas essenciais são dadas de forma clara e objetiva. Durante esses vídeos, podemos conhecer mais das especialidades de cada agente e seus gadgets, como usar as armas, bombas e acessórios de maneira geral.

Tom Clancy's Rainbow Six Siege 1

Pode parecer didático, mas não chega nem perto disso. Não é um tutorial passo-a-passo. São missões que nos são dadas, juntamente com dicas de como proceder e realizá-las de forma eficiente.

Cada cenário tem um objetivo diferente e varia entre desarmar bombas, extrair reféns ou eliminar todos os inimigos. Dentro de cada missão, existem objetivos opcionais que podemos realizar para acumular credibilidade, usada para desbloquear novos agentes e personalizá-los com acessórios para armas, estampas, gadgets, etc. Ao término das missões, recebemos experiência e credibilidade de acordo com as ações realizadas.

Os objetivos opcionais dos cenários também podem ser vistos como parte de um tutorial. Realizando-os, aprendemos a manusear as ferramentas que o jogo disponibiliza.

Tudo o que sempre vimos nos filmes de espionagem, como invadir uma casa pela janela com o rapel, atirar em algum inimigo através de uma superfície quebrável, explodir paredes. pode ser vivenciado em Rainbow.

Tom Clancy's Rainbow Six Siege

Todos os cenários possuem três dificuldades: Normal, Difícil e Realista. E as recompensas aumentam para cada nível. Vale ressaltar: mesmo no normal, as missões são bem difíceis. É necessário muita preparação e paciência para conhecer os mapas e ter sucesso nas missões.

Como esse modo é mais voltado para iniciantes, esses podem ter muitas dificuldades no início. Até se adaptar, o jogador sem experiência morrerá bastante, por isso, é necessário paciência e inteligência. Deve-se extrair o máximo de cada derrota.

Há ressalvas que poderiam tornar a experiência nos cenários mais divertida e, talvez, menos frustrantes para aqueles que não estão adaptados aos jogos do estilo. Nas missões de extração de refém, um briefing mais detalhado ou um mapeamento prévio do lugar onde realizamos a ação, mostrando exatamente para onde deveremos levar os reféns depois de resgatá-los, poderia facilitar muito e também permitiria que o jogador imergisse mais no clima do jogo.

O fato de não sabermos para onde devemos levar o refém, até que o peguemos, nos impede de traçar uma rota de retorno antes de 0 alcançarmos.

Outra melhoria poderia ser aplicada com relação ao aparecimento instantâneo de inimigos. Quando o refém é alcançado, surgem inimigos de vários lugares, mesmo que todos os terroristas do local tenham sido eliminados antes. Isso pode ficar mais frustrante ainda quando, ao chegar ao ponto extração,  este está cercado de terroristas à espreita.

Tom Clancy's Rainbow Six Siege 5

Multiplayer

O modo multiplayer utiliza uma fórmula tradicional de 5 contra 5 online. Nele, podemos escolher entre as opções: casual ou por colocação, sendo que esta não está disponível logo que entramos pela primeira vez. Apenas no nível 20, ela é liberada.

Há ainda a opção “Jogo Personalizado”. Aqui, podemos personalizar uma partida definindo qualquer mapa, modo, dia ou noite, etc. Também podemos jogar com os amigos, nos aprimorar nos estilos de jogo e conhecer melhor os mapas especificamente. Nesse modo, o jogador não recebe XP e também não ganha credibilidade.

O modo casual é o multiplayer tradicional em que jogamos com mais 4 jogadores contra uma equipe de 5 composta por jogadores online. O tipo do jogo também é definido aleatoriamente assim como quem será a equipe atacante e a defensora. Cada partida contém, no máximo, 5 rodadas, em que a equipe, que vencer três delas, sai vitoriosa.

Em cada partida, existe a fase de preparação onde os jogadores da equipe de ataque enviam seus drones para vasculhar o local em busca dos inimigos, bombas ou reféns, enquanto a equipe defensora faz o máximo para proteger os objetivos dos atacantes, criando obstáculos com arame, reforço para paredes e barricadas.

Depois da fase de preparação, começa a de ação,  os defensores basicamente devem anular a equipe de ataque, evitando que esta chegue ao objetivo e conclua sua tarefa. A partida termina se os 5 jogadores de uma das equipes morrerem, o tempo se esgotar, ou se os atacantes alcançarem os objetivos.

À medida que os jogadores são eliminados, continuam no jogo no modo suporte, no qual podem alternar seu modo de visão para câmeras de segurança ou para primeira pessoa, seguindo os passos dos seus companheiros que continuam vivos e em busca de concluir a missão, podendo auxiliá-los dessa forma.

Um problema que ocorreu, com certa frequência, no modo multiplayer, foi a demora na organização de partidas, mas isso deve ser corrigido em futuras atualizações.

Caça-terrorista

Este modo funciona basicamente da mesma forma que o modo multiplayer, mas se trata de um coop contra a I.A., em que você e mais 4 companheiros confrontam uma verdadeira horda de terroristas. Os modos de jogo dentro do caça-terrorista também são randômicos e variam entre eliminar todos os inimigos, desarmar ou proteger bombas e proteger ou resgatar reféns, levando-os até o ponto de extração.

Temos também a opção “lobo solitário”, que, como o nome já diz, um contra todos os inimigos. Altamente desaconselhável, visto que sairemos do propósito do jogo, que é inserir o jogador no mundo da espionagem fazendo com que alcance seus objetivos por meio do trabalho em equipe.

Além de ser bem difícil, o nível de diversão não chega nem perto de como você se diverte jogando com amigos. A não ser que você queira realizar algum achievement ou provar que consegue sobreviver sozinho. Mas isso não afeta em nada a experiência do jogo em si, por isso, não é recomendável.

Os adeptos do FPS online podem ficar mais atraídos a jogar o modo multiplayer, mas vale experimentar se juntar a 4 amigos em uma party e jogar o modo caça-terrorista. Serão horas e horas se divertindo de diversas maneiras. Criando estratégias, montando barreiras, se dividindo para neutralizar os inimigos e testando novas maneiras de se utilizar dos mapas e das ferramentas disponíveis para cada agente.

Aqueles que optarem por jogar caça-terrorista já vão com a mentalidade de trabalho em grupo, de alcançar os objetivos em conjunto. Ajudar os companheiros de equipe, mesmo sem conhecê-los. Tudo isso torna o modo muito mais atraente e divertido.

Agentes

Os pontos de credibilidade servem para que você desbloqueie os agentes e os padronize.

Os agentes são personagens fictícios, mas pertencentes a unidades reais de diversos países, assim como nos livros de Tom Clancy, e cada uma delas tem sua especialidade e seus agentes, que, por sua vez, também possuem habilidades únicas.

À medida que os agentes vão sendo desbloqueados, um vídeo nos apresenta para que possamos conhecer e aprender um pouco mais sobre o background de cada um. Mas é neste quesito, e apenas neste, que a dublagem deixa um pouco a desejar para alguns dos agentes.

Depois do vídeo, somos apresentados à página de perfil do agente, onde vemos o loadout (armas e gadgets), detalhes e características, rever o vídeo de apresentação do agente, e também o perfil, que é uma forma bem legal de conhecer ainda mais do personagem e se familiarizar com ele.

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Além de ter que escolher seus agentes conforme as habilidades e gadgets que o jogador mais goste de usar ou se sinta mais à vontade, também é preciso ficar atento, pois eles se diferenciam entre atacantes e defensores, cada um com suas habilidades exclusivas.

A exclusividade também se aplica às armas que o agente usa, ou seja, não existe uma relação enorme e infindável de armas para se adquirir. Quando desbloqueamos o agente, podemos personalizar a arma que utiliza com miras diferentes, canos, suportes e estampas.

Devido a essa exclusividade de armas para cada agente, também não é possível colher armas ou munições de inimigos mortos em combate. Em certos locais nos mapas, existem caixas de munição onde podemos recarregar o inventário.

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Existem ainda os desafios que auxiliam na adaptação aos estilos de cada agente. Efetivamente,  servem para conseguir mais pontos de credibilidade ao concluí-los. Estes envolvem atividades a serem realizadas nos diversos modos do jogo com um agente específico.

Controle e jogabilidade

Rainbow Six: Siege não é um FPS online comum baseado no mata-mata. Isso já foi dito. Mas o fato de o jogo querer se desvencilhar desse rótulo pode fazer realmente bem, mas pode trazer problemas. E estes podem ser percebidos por meio do controle.

Os gadgets, como drones, câmeras, bombas, etc, são bem distribuídos na tela facilmente visíveis, o que torna o acesso a eles bem fácil e dinâmico. O mapeamento dos controles também não é muito diferente do padrão. O layout é bem distribuído, exceto pela maneira de se inclinar a mira.

Enquanto está mirando, o jogador tem a opção de inclinar a mira para esquerda (usando o L3) ou para a direita (com o R3). Sendo que o L é a alavanca usada para andar e correr e isso pode atrapalhar quando no meio de um tiroteio e no susto, ao tentar correr, a mira é inclinada acidentalmente e, se for no multiplayer, por exemplo, fatalmente, já estará morto em fração de segundos.

Além disso, como não é possível pular, apenas saltar por sobre alguns obstáculos, pode ser que o jogador não consiga passar por simples paredes parcialmente quebradas, ou algum obstáculo bem baixo, pois só é possível saltar sobre algo quando o jogo dá essa opção. Não que inserir o pulo no jogo ajudasse, com certeza, atrapalharia muito mais em outros aspectos, mas há momentos em que, simplesmente, não é possível passar sobre um pequeno objeto porque a opção do salto não aparece.

Também não é possível recolher itens, como o drone, enquanto estiver deitado no chão. Essa opção somente é viável caso o jogador esteja agachado ou em pé.

Embora isso possa parecer incômodo para alguns jogadores, a imersão no jogo não chega a ser prejudicada de forma crítica por os casos supracitados.

Áudio e visual

O áudio de Rainbow: Six Siege realmente é muito bom. A regionalização, como já comentado, é excelente. Faz com que você se sinta na pele dos personagens e no ambiente caótico do jogo.

Os sons do ambiente também funcionam dessa maneira. Os barulhos de tiro, bombas explodindo, paredes sendo demolidas, a gritaria do seu time ao tentar invadir um local, ou, até mesmo, quando eles falam baixo por meio de algum comunicador, ou quando alguém é baleado e os seus companheiros reagem, afirmam onde está ocorrendo o tiroteio e até onde os inimigos se localizam, além dos palavrões… Acima de tudo, isso eleva ainda mais o nível de imersão.

O jogo oferece uma quantidade razoável de mapas. Pode ser um avião, uma mansão ou um banco. E o fato de a escolha dos mapas ser aleatória, assim como a localização dos objetivos, faz com que o jogo ganhe longevidade. Isso faz com que a experiência não se torne repetitiva, monótona e você não acaba se desgastando e enjoando com o tempo, pois, a cada partida, você estará de um lado, com objetivos diferentes em locais diferentes com pessoas que não pensam o mesmo que as outras. Por isso, esteja sempre revendo suas estratégias.

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Com relação aos gráficos desses mapas, não espere nada absurdo, extraordinário. Rainbow: Six Siege possui mapas bonitos, bem trabalhados e muito ricos em detalhes, mas nada muito grande, como pode ser visto em outros jogos de tiro em primeira pessoa. A proposta do jogo não é essa.

Todos os mapas, como as mansões e consulados, possuem diversos cômodos, o suficiente para que você se perca no início. Tudo é cuidadosamente detalhado. Houve capricho na criação dos mapas, no local estratégico onde ficam os objetivos. É necessário reiterar que o estilo do jogo não pede gráficos mirabolantes, tampouco mapas enormes.

No modo multiplayer, por exemplo, são 5 contra 5 agindo contra atividade terrorista. Não faz sentido ter um campo enorme e cheio de possibilidades. Os recintos cumprem bem a promessa de imersão do jogo. A todo momento, você se sente um agente agindo contra o terrorismo dentro de ambientes com inimigos muito perigosos.

Sem contar que a beleza dos gráficos do jogo reside na destruição. É lindo ver a poeira subir depois das explosões, desmoronamento de paredes, marcas de tiro pelos móveis, o estrago causado pelas bombas, tiros que atravessam paredes, portas, poltronas de avião e pisos.

Considerações Finais

Rainbow Six: Siege tem o seu perfil bem definido e entrega aquilo ao que se propõe. O jogador consegue se sentir no mundo do jogo e agir da mesma forma que um legítimo agente anti-terrorista nas situações que o jogo oferece.

Alguns problemas com relação ao controle, à mobilidade pelo cenário em alguns casos e à demora em criação de partidas no modo multiplayer não são o suficientes para lhe tirar da imersão que o jogo oferece e, muito menos, prejudicam a diversão que este proporciona.

Qualquer vitória alcançada, ao se aliar a amigos ou, até mesmo, fazendo novos amigos, em alguma sessão de jogo, onde você e seu time têm o mesmo objetivo e trabalham em equipe para conquistá-lo, traz uma ótima sensação de dever cumprido. Enquanto as derrotas fazem com que você absorva e reconheça seus erros e tente se esforçar mais da próxima vez.

As diferentes características e peculiaridades dos agentes, assim como suas armas e gadgets específicos, e o fator randômico dos objetivos de cada partida permitem que a sua diversão se prolongue por horas e horas, o que faz com que o jogo não caia na mesmice.

Portanto, se você procura um jogo de guerra multiplayer em primeira pessoa no qual você só quer sair correndo pelo mapa eliminando seus inimigos, passe longe de Rainbow Six: Siege ou pode se frustrar. Mas, para você que é fã dos livros do Tom Clancy, ou, até mesmo, não leu nenhum, mas gosta da temática de espionagem-tática, jogou algum título anterior de alguma de suas versões adaptadas para os video game se curtiu, esse jogo é para você.

Ainda que não se encaixe em nenhuma das opções acima, Rainbow Six: Siege é recomendado.

2 - Selo de Ouro