Star Wars Battlefront 2: Vale a Pena?

Será que Star Wars Battlefront foi consumido pelo Lado Negro da Força?

O Lado Negro da Força quase tomou de assalto o Star Wars Battlefront 2. Quase porque o jogo não é tão ruim quanto parece. Falha no seu sistema de progressão que parece ter sido desenhado para favorecer aqueles que investem (ou investiram) nas microtransações, mas nos demais aspectos é um bom jogo.

A campanha single-player agrada por contar com vários elementos da cânone e por não ser uma história a parte, mas por orbitar em vários momentos da saga de George Lucas, o multiplayer é dinâmico e o arcade oferece opções locais até que agradáveis.

O grande problema do jogo não está tão relacionado aos aspectos técnicos, mas nas políticas da editora. Neste ponto, é importante, sim, ficar bem atento, até porque ainda faltam esclarecimentos.

Versa sobre…

Ausente no título de 2015, a campanha de Battlefront 2 é protagonizada pela Comandante Iden Versio, uma soldado imperial líder do Esquadrão Inferno, uma tropa de elite do Império Galático.

A história começa quando a Segunda Estrela da Morte é destruída. Fiel ao Império, Iden jura vingança contra a Escória Rebelde e então parte em uma jornada que irá mudar completamente sua visão sobre o conflito.

Pouco usual em mídias da saga Star Wars, desta vez estamos do lado dos ‘vilões’. Mas como bem diz o Batman: “todo vilão é o herói de sua própria história” e aos poucos vamos conhecendo as motivações da Comandante e os desígnios pelos quais ela é tão fiel ao Imperador.

Iden Versio é uma ótima personagem. Seu caráter e personalidade são até que bem explorados no jogo. O “porém” é que a narrativa é um pouco acelerada e acaba por dar muitos saltos no tempo, perdendo a oportunidade de aprofundar em vários momentos, isso porque a trama toda se passa ao longo de 30 anos. Tudo isso em uma campanha que gira em torno de 5h a 6h de jogabilidade.

Nesta trajetória, passamos por diversos cenários, alguns muito familiares aos fãs, como a Lua de Endor, Naboo e Jakku e mais. Todos muito bem representados e repletos de detalhes. Destaque para as intensas batalhas espaciais, eletrizantes. É quase como estar em alguns dos filmes.

Campanha conta com participação de personagens importantes.

O bacana é que em alguns momentos o contexto permite o controle de outros heróis como Luke, Han Solo, Leia, Lando e até o fraquíssimo vilão Kylo Ren. É tudo bem amarrado e com justificativas que entrelaçam talentosamente os momentos.

Diferencial também para o droide de Iden que até ajuda em alguns momentos com scan, choques e proteção. Não é exatamente o NPC mais inteligente, mas é um aditivo interessante.

Fan Service

Um ponto incontestável – de todos os jogos FPS da DICE – é a maestria como oferecem uma ambientação rica em detalhes. Com Battlefront 2 não é muito diferente. O jogo conta com um belíssimo visual e sonoplastia sem igual.

Mesmo que alguns dos cenários utilizem de uma paleta de cores meio sem graça (as bases mais fechadas), no geral a experiência é bem rica. Dessa vez os mapas (e até na campanha) contam com minúcias como animais andando pelas florestas, pessoas se desesperando em meio aos tiroteios e até aqueles animais exóticos em Tatooine.

Tatooine é um belíssimo mapa.

Os efeitos sonoros então…irretocáveis. Os sons dos blasters, os rasantes dos X-Wings, o andar vagaroso dos aterrorizantes AT-AT e a intensidade das explosões. Tudo é recriado com primor.

A inconstância fica por conta da dublagem brasileira que não é tão sofisticada. Heróis como Han Solo não interpretados com as mesmas vozes do cinema. O que pode decepcionar um pouco.

Mas Battlefront 2 é um baita fan service. Os fãs certamente vão se impressionar com todas as recriações.

Multiplayer

Diferente de Battlefield 1 por exemplo, o MP de Battlefront oferece opções mais dedicadas aos tiroteios. Tem suas nuances de trabalhar em equipe e se concentrar nos objetivos, mas foge um pouco dos combates mais longos e estratégicos do outro produto da DICE.

Não é algo ruim. Muito ao contrário, oferece uma identidade mais própria, ao mesmo tempo em que refuta a objeção de que Star Wars Battlefront seria apenas um Battlefield com uma skin de Darth Vader.

Parece que os desenvolvedores optaram por criar uma experiência que favorece mais os confrontos. Você não leva muito tempo para encontrar os inimigos e logo trocar alguns tiros. Mesmo que você seja um hábil player, naturalmente vai morrer algumas vezes.

O jogo conta com menos opções que o famigerado Battlefront de 2015 (que contava com várias opções, mas a maioria mais vazia que minha carteira). Desta vez temos: Ataque Galáctico, Ataques com Caças Estelares, Heróis e Vilões, Ataque e Batalha.

Multijogador é bem divertido.

Destes, Caças Estelares (TDM com Caças), Heróis e Vilões e Batalha (TDM) já são bem conhecidos dos jogadores, quase auto-explicativos. A diversão acontece mesmo em: Ataque e Ataque Galáctico. Principalmente neste segundo que pode ser jogado em até 40 jogadores.

Centrado em objetivos diversos como: escoltar um AT-AT, conquistar pontos, proteger uma carga ou impedir o avanço inimigo, o Ataque Galáctico é o que há de melhor em Battlefront 2. São lutas emocionantes, repletas de reviravoltas. Progredir pelos mapas, podendo utilizar veículos de vários tipos, vendo a batalhar evoluir é empolgante e até faz por justificar uma aquisição do jogo. Há ainda a possibilidade de batalhar pelos ares. É tudo muito apoteótico, digno de Star Wars.

Já o Ataque funciona de forma semelhante, só que em menor escala e sem a presença dos caças ou dos maquinários mais poderosos.

Classes, Star Cards e Loot Boxes

Parecido com Battlefield, Battlefront 2 divide seus soldados em classes. E é por aqui que as coisas começam a desequilibrar a experiência. Ao todo são quatro: Assalto, Pesado, Oficial e Especialista. As duas primeiras são clássicas, enquanto Especialista é mais centrada em atiradores de elite. Já a Oficial não oferece atrativos que justifiquem tanto sua utilização. Oficial e Assalto poderiam, facilmente, serem uma só.

Mas além destas tradicionais, existem outras oferecidas – durante as lutas – após a conquista de pontos. Mas algumas destas extras estão desiguais, como o Guerreiro Wookiee. Os primos do Chewbacca estão muito mais fortes e acabam desequilibrando as partidas. Isso precisa ser ajustado pela DICE.

O processo de evolução dentro da classe também não é tão transparente. Para você desbloquear uma nova arma por exemplo, você precisa atingir um determinado marco, como eliminar um número “X” de inimigos. Mas atingir 500 eliminações não é uma tarefa tão fácil. Considerando que cada arma de cada classe tem um objetivo, leva-se muito mais tempo que as tradicionais patentes de Call of Duty e Battlefield.

Existe ainda a possibilidade de modificar as armas, mas funciona da mesma maneira. Você precisa completar determinados objetivos.

Os heróis também são liberados com pontos conquistados. Na primeira semana, era bem mais complicado desbloquear o Darth Vader, agora já é mais fácil.

E tem as Star Cards. Elas são vantagens que podem ser equipadas em todas as classes. Cartas que melhoram o resfriamento das armas, alcance, potência das granadas, etc. As variações são bem grandes.

E é exatamente aqui que reside toda aquela discussão em torno das microtransações. Uma das maneiras de se conseguir as Star Cards é através das caixas de loot. Acontece que investindo dinheiro real era (no momento desta análise as compras in-game estavam desativadas) possível ser sorteado com cartas melhores. Promovendo um claro favorecimento àqueles que faziam uso do recurso.

As cartas ainda podem ser criadas e aprimoradas usando moedas fictícias. Algo favorável, mas vale destacar que os desenvolvedores promoveram mudanças no modo, oferecendo mais destas moedas. Antes também estava um pouco inconstante.

Além disso, até que você libere os espaços para uso das cartas (eles não ficam liberados desde o começo) você precisa jogar um bocado. Não que isto seja ruim, obviamente compramos um jogo para jogar, mas também promovia uma disparidade. Os novatos eram derrotados em uma razão muito maior, algo que pode desestimular o gameplay.

O ponto é que as caixas de loot são mecânicas ruins. Oferecem melhorias tendo o ‘aleatório’ como um único parâmetro não contribuindo com a diversão. Uma experiência mais raiz – aquela onde você desbloqueia com XP – seria muito mais positivo.

O fato é que a progressão rodeia quase que inteiramente em volta das loot boxes. Experimentando o game por algumas horas fica claro que ele foi desenhado para as microtransações. Não há como os executivos refutarem isso. Está lá, escancarado. Por isso as reclamações foram tão acentuadas.

Mas vale?

Star Wars: Battlefront 2 é um bom jogo sim. Sua ambientação, personagens bacanas, campanha solo interessante – apesar de curta – e um multiplayer ainda muito frenético são seus pontos fortes. Além disso, a promessa de conteúdos gratuitos ao longo do próximo ano também salta aos olhos.

Os fracos ficam por conta da progressão que ainda carece de alguns ajustes de equilíbrio e pelas loot boxes. O equilíbrio e a progressão já vem sendo melhorados pela DICE. O que pesa mesmo é a falta de informações sobre as microtransações.

Por isso, neste primeiro momento, esta análise não contará com um selo tradicional. Mas ainda assim temos uma conclusão: Da maneira que está (sem microtransações e com a promessa de melhorias), com um preço de até R$ 140, vale investir no jogo. Por outro lado, se as microtransações voltarem, é melhor tirá-lo mesmo da sua lista de compras.

Avaliação
Visual
8.5
Jogabilidade
7
Enredo
7
Sonoplastia
9
Diversão
7.5