Lançado em novembro de 2015, Star Wars: Battlefront chegou aos consoles impulsionado, primeiramente, pela grandiosidade da franquia Star Wars e ,em um segundo momento, pelo proveitoso feedback repassado pela comunidade em relação à fase BETA, disponibilizada em outubro deste ano.

Desenvolvido pela competente DICE e distribuído pela gigantesca Electronic Arts, o game é um dos projetos de maior impacto do ano de 2015 na indústria de vídeo games. Apesar do gabarito, algumas dúvidas ainda pairavam no ar: trata-se apenas de um Battlefield com uma “roupa” mais cool ou de um título com características próprias? E a ausência do modo campanha, influenciará na consistência final do game?

Prefácio

Antes, é preciso deixar claro que Battlefront não é Battlefield; mesmo que alguns elementos sejam convergentes com a vertente militar da DICE, a nova proposta possui características, detalhes, jogabilidade e toda uma atmosfera que fazem dele uma opção diferente e com seus limites muito bem definidos.

Talvez o riquíssimo universo de Star Wars impeça de antemão que os jogadores, ao experimentarem o game, sintam-se em um genérico FPS que envolva apenas nações em guerra.

Battlefront - Gameplay

O estúdio sueco soube captar com maestria toda cultura pop, personagens, ambientes e nuances que envolvem a mega franquia cinematográfica.

Obviamente que as mecânicas e o movimentar dos personagens fazem, sim, alusão aos já conhecidos trabalhos, mas, como exposto, os ajustes finos vieram muito bem a calhar.

Visual

O primeiro contato com a obra logo faz com que os espectadores soltem um “uau” sem pestanejar. Battlefront é belíssimo!

Impulsionado pelo poder dos consoles mais recentes, o game pode ser considerado, definitivamente, um projeto de 8º geração. A tão falada next-gen finalmente mostra-se em Battlefront.

SW Battlefront

Cenários detalhados, explosões dignas, efeitos de iluminação, partículas na tela e todas as características visuais fazem deste game um dos mais bonitos do ano, quiçá o mais de todos.

Para criação dos cenários e dos elementos que compõem o título, a DICE trabalhou com as tecnologias do foto-realismo. Centenas de milhares de fotos e adereços de Star Wars foram reproduzidos em 3D, o que proporciona um absurdo realismo.

Nenhum detalhe foi deixado de lado. A fidedignidade é algo surreal, imersiva e única. Os fãs da franquia se sentirão realmente dentro de uma película, revivendo e desfrutando dos melhores momentos da saga.

Um dos destaques fica por conta da belíssima reprodução do planeta Endor, com suas vegetações, plantas e bases praticamente vivas na tela.

Apesar dos virtuosos elogios, SW: Battlefront peca no aspecto variedade. Os planetas, mapas e personalização dos personagens são muito limitados, deixando a sensação de vazio ou, ao menos, um sabor de “quero mais”. Sobre isso, falaremos logo mais.

Sonoplastia

Basta iniciar o jogo que, logo de início, as composições do fenomenal John Williams tomarão conta do ambiente. Só a abertura musical icônica de Star Wars já é digna de elogios, merecendo toda reverência merecida.

No game, ela está fielmente representada durante as batalhas, missões e nos itens. As músicas embalam de forma magistral o gameplay, fazendo com que qualquer fã da saga sinta arrepios e sensações únicas.

Os sons das armas também está presente e foram retirados diretamente dos filmes. Os disparos, recarregar das armas, uivado cortante de uma Millenium Falcon, etc. Tudo é perfeito, sem sombras dúvidas.

A versão brasileira também mantém o charme de ser totalmente localizada para nosso idioma. O trabalho de localização está em um bom nível, não se destacando para cima, mas também não compromete a experiência. Em resumo: está OK.

Jogabilidade

A DICE trabalhou para que Battlefront fosse o mais acessível possível. Com foco nisso, o estúdio implementou melhorias sutis que fazem do título bem menos complicado que os demais games da produtora.

Com uma jogabilidade mais arcade, menos punitiva e que contribui para diversão, o shooter promove uma pequena mudança de direção. Sai aquela precisão carrancuda e durona de Battlefield, e entra um sistema de mira mais simplificado, sem maiores detalhes técnicos.

Não é mais necessário calcular com exatidão posição do adversário, dano causado pelas armas, quantidade de tiros necessários ou mesmo controlar o agora mais discreto recoil. Não que ele não exista, ele existe mas de forma bem moderada.

É fácil matar em Battlefront. Mesmo que o player não seja um exímio jogador ou conhecedor do gênero, com poucas gameplays, as boas experiências e vitórias surgirão naturalmente. O que contribui, significativamente, para o aprendizado daqueles menos inseridos seja rápido.

Além da tradicional visão em primeira pessoa, existe a opção de se desfrutar do game em terceira pessoa, com visão completa do personagem, modificando consideravelmente o estilo de jogo.

Outra mudança também impactante é em relação às munições. Elas não existem da forma que conhecemos. Basta atirar e gerenciar o resfriamento da arma, voltando a atirar logo em seguida. Isso vale para granadas e outros attachments. Pouco tempo após utilizados, eles voltam a ficar disponíveis.

De certa maneira, esta abordagem torna as partidas muito mais dinâmicas, fáceis e, por que não, divertidas, já que não há compromisso estratégico em economizar munição e recursos. Por outro lado, os jogadores mais hardcore, oriundos justamente da franquia Battlefield, podem se decepcionar.

Cartas Star Wars

Também implementando a metodologia da facilidade, o gerenciamento de armas, menus e personalizações são simplificados, tudo em nome da conquista de novos jogadores.

Contudo, essas adições têm um custo bastante elevado para obra original. Existem poucas variações de armas e as customizações de recursos também deixa a desejar.

A DICE implementou um sistema de cartas, em que os jogadores poderão desbloquear itens e novas armas à medida que conquistam pontos.

Com pontos a seu dispor, é possível montar “Uma Mão de Cartas”, em que cada carta pode ser um item: arma secundária, ajuste de mira, granadas, jetpack, etc. O máximo permitido é de três cartas em cada mão, podendo ser personalizadas várias “Mãos”.

Com essa metodologia, o estúdio abdicou do sistema de classes. Não existem engenheiros, suportes, atirados, infantaria em Battlefront. Cabe aos jogadores personalizar a escolha das armas e cartas, formando, assim, um estilo de personagem.

Durante os combates, vários powerups ficam espalhados pelos cenários, coletando esses itens, abre-se um leque de possibilidades, como lançadores de foguetes, escudos, granadas de impulsão, etc. Ou seja, os mesmos itens, que são colocados como cartas, podem ser encontrados nos cenários.

Além deles, é possível encontrar powerups mais poderosos que permitem controlar AT-AT, Star Fighters, X-Wings, heróis e vilões por tempo determinado, dependendo do modo de jogo escolhido. Obviamente as opções mais poderosas são mais difíceis de se encontrar.

Modos de Jogo

Star Wars: Battlefront (2015) não possui um modo campanha, isso você certamente já sabe. A ausência desta modalidade gerou muitas reclamações por parte daqueles que se interessaram pela obra, visto que os títulos anteriores que carregavam o sobrenome Battlefront continham consistentes e elogiadas campanhas. Mas, será que ela realmente faz falta no título de 2015?

Desde o início, a proposta era oferecer uma experiência multiplayer imersiva. Com a DICE à frente do projeto, todos esperávamos nada menos que um elevado padrão de qualidade e, de fato, em muitos aspectos, o game atinge seus objetivos.

Entretanto, os modos oferecidos fazem com que a ausência de uma campanha seja, de fato, sentida no jogo. As limitadas variações e concentração massiva do público, em alguns modos, em específico, tornam algumas da opções desmotivadoras ou pouco interessantes.

O game oferece duas opções principais: Missões e Multiplayer.

Missões

As missões em Battlefront servem como uma espécie de treinamento ou um tira-gosto. Single Player ou através de co-op, elas inserem os jogadores em batalhas, enfrentamento de hordas, combates aéreos e o controle de heróis ou vilões.

  • Treinamento: Servem essencialmente para os jogadores terem o primeiro contato com game antes de partirem para os modos mais robustos. Todos os controles básicos são aprendidos neste “modo” de jogo.
  • Batalhe: Sozinho ou com um amigo o objetivo é enfrentar bots escolhendo um dos lados. A cada inimigo abatido, uma marcação é dropada. Vence a equipe que coletar 100 marcações primeiro. Modo de jogo muito semelhante ao “Baixa Confirmada” da série Call of Duty.
  • Sobreviva: O bom e velho modo horda. Também sendo possível ser jogado em companhia de um amigo. O objetivo é sobreviver a 15 hordas inimigas.

Uma ótima opção, preterida em tempos atuais, é a possibilidade de se jogar com um amigo localmente por meio da tela dividida. É louvável que a DICE tenha se preocupado com esse recurso.

As missões, como já mencionado, servem apenas como um alívio, uma pequena distração sem propósito. A limitação das possibilidades fará com que estes modos sejam rapidamente esquecidos. Poucos serão aqueles que retornarão a estes menus.

Multiplayer

É neste modo que as coisas realmente acontecem em Battlefront. Esse é coração do título publicado pela EA.

Esse modo é constituído das seguintes opções:

  • Caça ao Herói: Um dos heróis ou vilões deverá combater sete outros soldados. O objetivo é sobreviver o maior tempo possível. Aquele jogador que desferir o último golpe no herói adversário assumirá o controle de um outro herói na próxima rodada.
  • Heróis vs Vilões: Assuma o controle de um herói ou vilão em partidas que contam com soldados “normais” e os icônicos personagens.
  • Supremacia: Rebeldes e Imperiais se enfrentam em batalhas com até 40 jogadores. O objetivo é controlar pontos específicos do mapa. Conta com mapas enormes e veículos.
  • Esquadrão de Caças: Épicas batalhas aéreas que fazem jus ao renome de Star Wars. X-Wing, TIE e Millennium estão disponíveis como opções.
  • Batalha: Popular Team Death Match.
  • Captura de Carga: Este também é bem conhecido de todos. No melhor estilo Capture a Bandeira, os jogadores deverão capturar as cargas inimigas ao mesmo tempo em que tentam manter seus pacotes a salvo.
  • Zona de Impacto: As equipes devem capturar Capsulas de Fugas que são arremessadas em várias partes do mapa. Vence aqueles que capturem mais cápsulas.
  • Captura de Droides: Semelhante ao Zona de Impacto, as equipes deverão capturar os Droides espalhados, contudo, eles são móveis. Este modo é mais frenético e intenso que o anterior.
  • Ataque dos Walkers: Se o multiplayer é coração de Battlefront, o Ataque aos Walkers é o cerne do multijogador. Aliança e Império Galáctico se enfrentam em combates épicos. Enquanto os imperiais precisam escoltar seus poderosos AT-ATs, os Rebeldes precisam fazer justamente o contrário, impedir que as máquinas atinja suas bases. Dentro dessa premissa, os combatentes terão a seu dispor todos os recursos disponíveis como aeronaves, heróis e vilões.

Dentro desses modos de jogos, os jogadores poderão escolher, de acordo com o modo escolhido, entre vilões e heróis.

Heróis

  • Luke Skywalker
  • Princesa Leia Organa
  • Han Solo

Vilões

  • Darth Vader
  • Imperador Palpatine
  • Boba Fett

Todos os modelos são fielmente reproduzidos de acordo com os personagens vistos na primeira trilogia da saga.

Herois E Vilões Battlefront

Cada um deles possui habilidades especiais pertinentes as suas características. Enquanto Luke e Lorde Vader manuseiam seus Sabres de Luz, Han Solo e Princesa Leia são habilidosos com armas de fogo, principalmente, o contrabandista. O imperador utiliza seus poderes da Força e o caçador de recompensas Boba Fett, seu poderoso lança-chamas.

Armas

Os equipamentos de ataque são todos retirados da trama cinematográfica. Ao todo são 11 opções de escolhas que variam de pistolas a pesados Blasters.

Armas Battlefront

Cada uma destas armas é desbloqueada à medida que os jogadores conquistam pontos. Assim como no desbloqueio de Cards, para liberar todas as onze Blasters basta jogar e “comprar” o equipamento.

Assim como em outros jogos do gênero, as skills das armas variam muito, onde umas são mais eficientes a curtas distâncias, enquanto outras possuem maior cadência, etc.

Entretanto, as variações de personalizações é bastante restrita, não deixando que o jogador possa personalizar o equipamento com miras, estabilizadores e carregadores estendidos.

Planetas e Mapas

Parte essencial da experiência do game está relacionada aos seus mapas. Esses são uma representação praticamente perfeita do universo cinematográfico de George Lucas.

Endor, Hoth, Sullust e Tatooine são os cenários principais que contam com um total de 12 mapas. Alguns deles são repetidos, apenas representados em uma escala menor que os originais, variando de acordo com o modo de jogo escolhido.

Além dos mapas originais, a EA lançou uma DLC totalmente gratuita que conta com dois novos mapas e um modo jogo adicional. Chamada de Batalha de Jakku, a adição é alusiva ao filme da saga: Star Wars: O Despertar da Força.

Variedade

Finalmente chegamos ao ponto sensível do game. Star Wars: Battlefront é um título que oferece poucas opções. Os modos multiplayer, apesar de alguns serem bons, nem todos agradam. Os destaques ficam por conta de O Ataque dos Walkers, Heróis vs Vilões e o recém lançado Batalha de Jakku.

Essa escassez compromete, significativamente, a longevidade do título, sendo que, em muitas das salas, já é custoso encontrar jogadores em certas horas do dia.

Já as missões são quase que totalmente descartáveis, nas quais os jogadores poderão tentar se divertir nas primeiras horas, renegando as opções posteriormente.

Aliado a isso, temos uma lista limita de personalizações dos combatentes, resumindo a uma diferenciação nos capacetes, fisionomia e cabelos. Nesse quesito, o mais agradável é tentar liberar alguma espécie diferente dos especiais como: Rodiano, Sullustano, Twi’lek, Ishi Tib, Zabrak e Quarren.

Personalização SW

A lista de veículos também mostra-se pouco atrativa após algumas horas de gameplay. Pilotar os X-Wings ou AT-AT, em um primeiro momento, é agradável, mas ainda falta algo que incremente o game.

Considerações Finais

Em um primeiro gameplay, Star Wars: Battlefront impressiona e muito. Visual estarrecedor, sonoplastia impecável, facilidade de gameplay e batalhas épicas são um ponto de partida sem igual, fazendo com que gere um encantamento absurdo.

Entretanto, após algumas horas de gameplay (após as 20h), os jogadores certamente buscarão variar um pouco na jogatina e é aqui que a nova proposta da DICE mostra seu ponto falho.

O game tem pouco conteúdo. Esse ponto negativo é potencializado justamente por estarmos diante de uma obra baseada no riquíssimo universo de Star Wars, onde diversas possibilidades deveriam, quase que obrigatoriamente, serem exploradas com mais profundidade.

Esse problema não diz a respeito à qualidade técnica do game ou mesmo à capacidade de criação da DICE, mas sim, ao modelo de negócios adotado pela Electronic Arts. Aqueles que desejarem expandir a experiência e receberem mais conteúdos, terão que colocar a mão no bolso e adquirirem as futuras expansões do título. No melhor estilo Destiny, Battlefront apresenta uma premissa formidável, mas sem a profundidade que os jogadores merecem.

Nos aspectos técnicos, como já mencionado, a nova obra da DICE destaca-se de forma bastante positiva, contudo todas estas qualidades são mal aproveitadas. Mesmo que a publisher tenha declarado recentemente que oferecerá outros conteúdos adicionais, gratuitamente, o desestímulo ao game já está explícito. Resta-nos aguardar para que essas supostas novidades possam, de fato, agregar ao título, caso contrário Battlefront seguirá pelo mesmo caminho já trilhado por Battlefield: Hardline.

Já os fãs ardorosos da franquia Star Wars, pouco se importarão com a longevidade do game e vão aproveitá-lo sem pestanejar, afinal, Battlefront é o supra-sumo da imersão ao contexto, sendo, disparadamente, o game mais fiel (visual e sonoramente) já produzido.

3 - Selo de Prata