“Fomos feitas para matar nazistas” é a frase repetida pelas protagonista Jess e Soph. Nada mais justo. Afinal, elas são filhas do BJ Blazkowicz. Está em seu sangue a violência. Mas e quando isso é o suficiente? Wolfenstein: Youngblood parece ser um título com grande potencial, mas aproveita pouco seu potencial.

Todos os elementos da série estão ali: violência, sangue jorrando, explosões, controles confortáveis e armas bizarras. Tudo o que deu certo em Wolfenstein II: The New Colossus retorna….sem novidades. É matar por matar, às vezes sem sequer se importar com a história. Dá certo para um público, mas deixa um gostinho amargo de “é só isso?”

Mate, mate e mate!

É inquestionável a qualidade dos FPS da MachineGames. O que os desenvolvedores sabem é criar a sensação de “invencibilidade” com tiroteios intensos, explosões em massa e muita adrenalina. Isso é divertido por si só: atirar e ver o sangue voando pelos ambientes.

É neste ponto que o jogo brilha. O estúdio tem a ousadia em inserir elementos pontuais em diversos aspectos. Em Youngblood, os inimigos possuem uma barra de vida (coisa inexistente nos títulos anteriores). Então, é possível ter uma noção quando estão próximos da morte.

Outra novidade é o tipo de munição das armas. Existem duas categorias – leves ou pesadas – e, para ser mais eficaz contra os nazistas, é preciso utilizar o arsenal correto. Você pode ver as quais tiros causam mais dano – e isso adiciona uma característica estratégica ao game.

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Combine o tipo de arma correta contra o inimigo. Fonte: captura de tela.

O arsenal é semelhante ao antecessor. Armas pesadas, tradicionais e especiais. E a quantidade de personalização possível através da coleta de moedas pelo cenário e também do cumprimento das missões é enorme.

Cada modificação traz melhorias em atributos específicos: dano, precisão ou cadência. Possibilitam a combinação de diversos acessórios para definir o status preferido. Ao contrário de Wolfenstein II, tudo é mais ajustável. Só fica devendo nas “vantagens”, bem mais difíceis de se conseguir.

De qualquer forma, é possível esmagar os inimigos com combates corporais ou matá-los furtivamente. Além disso, armas pesadas explodem os adversários em pedaços, enquanto o tiro de laser os pulveriza.

E é só isso: a diversão é matar por matar. As mecânicas funcionam corretamente e a dificuldade está ajustada no nível certo. Só que o título perde um pouco do seu charme quando avançamos para outros quesitos.

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A gloriosa violência. Fonte: captura de tela.

Sem graça

Enquanto o gameplay é interessante, a narrativa de Wolfenstein: Youngblood é sonolenta. A história é sem sal. As jovens até tentam capturar um pouco do carisma de BJ Blazkwociz, mas falham por serem caricatas e infantis..

Apesar de não especificar a idade, a história deixa a entender que ambas ainda são adolescentes. Ao longo dos diálogos, parecem duas crianças com armas poderosas. As piadas não têm graça – algo que era excelente no jogo antecessor – e os diálogos não contribuem para a continuidade.

É curioso notar que isso não é um problema exclusivo de Jess e Soph. Isso é uma falha de todos os personagens – com exceção da Abby (irônica, engraçada e corajosa). Por exemplo, o vilão principal é tão genérico que a luta final, mesmo sendo desafiadora, não emociona.

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Entre Jess e Soph, a Abby é a melhor de todas!

Frustra porque a ambientação do jogo perde um pouco do impacto. O mundo está devastado pelo regime opressor e, mesmo tendo espaço para piadas no enredo, há um dilema sério sobre a luta pela liberdade e justiça.

Em Wolfenstein: Youngblood, não há um sentimento de busca pelo bem. De lutar pelo fim da tirania. Existe algo apenas semelhante àquela sensação de incorporar o Liam Neeson, que busca pela filha sequestrada pelos “caras malvados”.

O menor impacto da narrativa deve-se às direções de roteiro – menos linear e com um mundo “aberto”. Sem spoilers, porém a campanha faz reviravoltas clichês. No final, a missão das garotas é restrita a busca pelo pai. Os Nazistas “são somente” um percalço no caminho.

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O visual não desaponta, mas depois de um tempo, tudo fica genérico. Fonte: captura de tela.

Looping

Uma grande novidade foi a possibilidade de jogar cooperativamente. Os jogadores participam de um mundo compartilhado com um deles como anfitrião e podem cumprir as missões juntos. O recurso funciona muito bem.

Só que a ideia fez o jogo “se perder” um pouco. A MachineGames prometeu 30 horas de gameplay, mas concluímos a história e 40% das secundárias em cerca 10 horas. O tempo ainda pode ser reduzido se você jogar com alguém. Essa “baixa quantidade de tempo” pesa na hora de avaliar a compra.

As missões secundárias, além do mais, são só: “vá para o ponto X, mate alguém/pegue o objeto, volte para a base”. Não há variedade, só aumento da dificuldade. Se o jogador não se interessa em platinar o jogo, são limitados os conteúdos que o incentivam explorar.

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As missões secundárias estão no jogo sem muita contribuição para a história. Fonte: captura de tela.

O que contribui ainda para maior sensação de repetições é o design das fases. Wolfenstein II apresentava cenários com uma boa ambientação e diversificados, já Youngblood vem com lugares parecidos. O desenho é quase o mesmo: área inicial com inimigos, uma passagem subterrânea no meio do estágio e a porta para as incursões no fim.

Essa Incursões são as “missões da história”, que podem ser cumpridas mais facilmente ao fazer objetivos paralelos. Nelas, basta entrar na fortaleza nazista, desativar o computador central e partir pra próxima. São um total de três e, logo em seguida, o jogador caminha para o fim.

Para quem esperava uma grande história, ou pelo menos várias atividades diversificadas, Wolfenstein: Youngblood desaponta.

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Vale a pena?

Um FPS descompromissado e divertido para se jogar com um amigo. Se você busca uma aventura do tipo: “atire sem pensar”, então Wolfenstein: Youngblood funciona muito bem.

Mas é possível que após as 10 horas da jogatina e algumas missões secundárias você esteja cansado. Para quem não se importa muito com alcançar níveis máximos de armas, coletar troféus ou visuais para personagens, o título será abandonado muito rápido.

A conclusão é simples: o título respeita as mecânicas da franquia e até inova em aspectos certeiros, mas desaponta em entregar uma experiência memorável. Torna-se um game que pode ser aproveitado em uma promoção – quem comprar a versão Deluxe, tem o direito de convidar um amigo sem ele precisar ter o jogo base.

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6

Geral

6.0/10

Vantagens

  • Jogabilidade
  • Violência da série
  • Cooperativo
  • Visual

Desvantagens

  • História fraca
  • Repetitivo
  • Ambientação sem criatividade
  • Personagens sem carisma