Hitler voltou – novamente – como zumbi. Esta é a proposta de Zombie Army 4: Dead War, fazer os jogadores enfrentar o líder nazista (agora um morto-vivo). Após os eventos da “Guerra dos Mortos”, um culto satânico invocou o ditador das trevas e cabe aos sobreviventes exterminar, de uma vez por toda, o maligno Führer.

Para quem não conhece: Zombie Army surgiu como um spin-off de Sniper Elite – outra série da Rebellion. As mecânicas de jogabilidade são muito parecidas e compartilham das mesmas características. É como no ditado “cara de um, focinho de outro”.

Ainda sim, Zombie Army 4: Dead War cultiva algumas particularidades. A principal delas é o foco na experiência cooperativa, remetendo um pouquinho ao Left 4 Dead e outros do gênero. É uma ideia que diverte, mas não cria momentos tão memoráveis.

Hitler voltou como zumbi

O enredo de Zombie Army 4: Dead War é ambientado em várias cidades da Europa e mostra o retorno de Hitler dos mortos e em como ele articula sua tentativa de domínio. O vilão não tem um plano mirabolante, apenas quer causar a destruição global e promover o inferno na Terra com seu exército.

No game, você escolhe entre quatro combatentes com individualidades diferentes, mas não são nada carismáticos. Além disso, a escolha acaba impactando pouco no jogo, já que os “perks” e melhorias podem ser atribuídas a qualquer um deles.

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Cada personagem possui suas qualidades, defeitos e história de fundo.

As habilidades são conquistadas conforme os jogadores cumprem requisitos como: usar uma quantidade específica de kits médicos para aumentar a quantidade de vida total, liquidar um número determinado de zumbis para melhorar o dano, etc. São perks que independem do herói escolhido.

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As vantagens são liberadas conforme requisitos específicos e garantem melhorias gerais nos atributos.

Os jogadores exploram a Europa em “Missões”. São um total de nove e cada uma delas é ambientada em uma cidade diferente. É legal ver que a Rebellion tentou recriar uma versão pós-apocalíptica dos locais. Em Veneza, por exemplo, os jogadores vão reparar que a cidade do amor virou a do terror. Os mortos-vivos estão espalhados pelos rios e boa parte da missão é cumprida em cima de um barco.

Em Roma, centro do catolicismo, os símbolos sagrados foram profanados pelo culto satânico. São detalhes interessantes, mesmo que não tenham impacto algum no gameplay ou na experiência em geral.

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A cidade alagada de Veneza está tomada por zumbis e pela morte.

Cada Missão é dividida em quatro capítulos. No fim deles, os jogadores se encontram em um Abrigo para recuperar as energias, melhorar armas, equipar-se com granadas e tomar um fôlego. A divisão de capítulos não é uniforme. Existem partes que podem ser cumpridas com menos de 10 minutos, enquanto outras chegam até quase meia hora.

Embora a duração de cada Missão seja variável, os objetivos do jogo são exageradamente repetidos. Em cada cenário, os jogadores precisam ir de um ponto ao outro, proteger um objeto das hordas e avançar até o fim da fase para destruir o núcleo da manifestação. A duração do game gira em torno de 20 horas.

A história que acontece como pano de fundo acaba sendo descartável. Em cada cidade, os jogadores devem acabar com a Tempestade Infernal. É o simples objetivo de chegar ao último cenário e acabar com as hordas. No fim das contas, a narrativa fica desinteressante e o foco da experiência é direcionado somente para o gameplay.

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São 9 Missões com 4 capítulos cada que podem ser configuradas de modos diferentes.

Enquanto explodem, atiram, cortam, mutilam e aniquilam os zumbis, os jogadores podem explorar cenários em busca dos colecionáveis. O jogo é bem linear, ainda que conte com esconderijos com colecionáveis de cartas, quadrinhos e kits de aprimoramentos.

A jogabilidade e a cooperatividade

É um shooter em terceira pessoa que se sustenta no sistema de hordas. Os jogadores têm um total de 10 armas à disposição (3 rifles, 4 secundárias e 3 pistolas) – uma quantidade relativamente pequena. O game recompensa os fieis aos armamentos escolhidos. A recomendação é investir na arma escolhida desde o início da aventura.

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As melhorias especiais são destravadas através dos kits de aprimoramento obtidos de duas maneiras: a primeira é encontrando um kit escondido no cenário. Não é uma tarefa muito difícil, mas exige do jogador o compromisso de vasculhar cada parte do ambiente. A segunda forma é por meio das pontuações conquistadas.

Os kits de aprimoramentos desbloqueiam tiros perfurantes, zoom melhorado, maior dano, carregamento mais ágil, um pente maior de balas, atributos passivos de melhoria. São habilidades que influenciam bastante na jogabilidade. Só não é possível transferir as melhorias de um equipamento para outro.

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As armas possuem melhorias que podem ser conquistadas com os kits espalhados pelo mapa e obtidos com altas pontuações.

O game incentiva tiros certeiros e estratégia de contenção. Quando há uma alta taxa de efetividade com poucos erros e vários zumbis abatidos em sequência, então o jogo oferece um “agrado” aos soldados com melhorias e perks.

Este até pode ser um dos destaques do jogo. Nas fases onde as hordas são mais intensas, o jogador pode ficar bem entusiasmado com os combos. Acompanhar os multiplicadores é satisfatório, ainda mais após destroçar vários inimigos pelo caminho.

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Destruir os adversários com grandes combos é muito divertido.

A diversão chega mesmo quando os amigos se juntam para cumprir as Missões. A campanha suporta até quatro jogadores na mesma sessão e o estilo lembra bastante Left 4 Dead. Todos se ajudam pelo mesmo objetivo enquanto avançam contra hordas mais difíceis.

O jogo oferece a possibilidade de configurar as sessões, como o comportamento dos inimigos variando pela quantidade de sobreviventes nas partidas e a dificuldade geral das missões. A campanha no Médio tem um nível de desafio equilibrado – e as últimas fases são bem intensas. Quem gosta de algo ainda mais hardcore, o modo Difícil é uma boa pedida (necessário para obter o troféu de platina).

As partidas não demoram a ser formadas, mas é difícil encontrar jogadores brasileiros. A melhor forma de experimentar Zombie Army 4: Dead War é sendo o anfitrião das sessões e convidar os amigos. A experiência torna-se mais divertida com a interação.

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A jogabilidade cooperativa faz a experiência mais divertida.

Além da campanha coop, o game conta com o modo Horda. Em vez de ser ambientado na história, os jogadores são levados para mapas menores e precisam sobreviver as ondas. É simples, porém desafiador.

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O gameplay cooperativo é um elemento divertido no game.

As partidas demoraram um pouco para serem encontradas, mas sempre têm jogadores disponíveis. O problema se encontra em quem não tem uma conexão estável. Quando a velocidade de Internet é baixa, os tiros demoram para acertar os inimigos e certos comandos nos personagens têm uma taxa de resposta lenta.

Beleza não é o forte

Beleza não é uma das qualidades de Zombie Army 4: Dead War. Embora o título tenha sido lançado no ano em que uma nova geração de consoles vai estrear, o visual não impressiona. Os efeitos visuais são bem simples e ficam aquém até mesmo do Sniper Elite 4.

Todo o jogo se passa em cenários muito escuros – afinal, um apocalipse zumbi nazista aconteceu e não dá para aproveitar o pôr-do-sol nessas circunstâncias. O problema é que os cenários são noturnos demais e em cavernas e áreas subterrâneas dificultam movimentação.

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O visual está bem simples para a atual geração de consoles.

A parte sonora do game também é outro elemento que não se destaca. Zombie Army 4: Dead War se passa num cenário “assustador”, mas o áudio design não faz questão de imergir os jogadores em um ambiente tenso.

As músicas são executadas nas partes mais intensas das partidas. Nos momentos de explorações e até quando o ambiente parece intimidador, a sonoplastia não cumpre bem seu papel.

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Cenários escuros dificultam demasiadamente enxergar os elementos do local.

Zombie Army 4: Dead War vale?

Zombie Army 4: Dead War é um shooter que lembra bastante outros do gênero. A cooperatividade é boa, a jogabilidade é quase igual a de Sniper Elite 4 e as hordas até podem fazer alguns se lembrarem de World War Z.

Só que o game não se preocupa tanto em oferecer novidades – ele deveria, afinal?. Ele é uma junção de muitos elementos do gênero e, por isso, não se firma como “único” ou mesmo essencial.

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O problema de Zombie 4: Dead War é não criar uma experiência memorável.

Isso[Análise] Zombie Army 4: Dead War: Vale a Pena? 13 não significa que o game que seja ruim ou problemático. Porém, faz com que toda a experiência seja definida apenas como bacana, sem um apego sentimental ou sendo uma referência para o gênero.

Claro, se você tiver um esquadrão fixo para jogar sempre que possível, até vale considerar. Ainda assim,  o título vai se encaixar bem em uma promoção muito boa e, assim, ser uma desculpa para todos se reunirem e se ajudarem para acabar com a manifestação de mortos-vivos nazistas.

Zombie Army 4: Dead War

6.8

Geral

6.8/10

Vantagens

  • Diversão em matar vários zumbis
  • Jogabilidade cooperativa
  • Hordas

Desvantagens

  • Ideias genéricas
  • Gráficos simples
  • Enredo sem inspiração