Activision

Antes da Activision, não havia desenvolvedoras third-party. Ou seja, quem produzia os games eram as próprias fabricantes dos consoles. Era a Atari quem fazia os jogos do Atari 2600, por exemplo. O mercado começou a mudar quando um grupo de desenvolvedores saiu de lá, em 1979, e criou essa nova companhia, que está até hoje fazendo enorme sucesso com jogos.

David Crane, Larry Kaplan, Alan Miller e Bob Whitehead foram os responsáveis por essa quebra de paradigma. Tudo porque eles queriam royalties e créditos sobre os jogos que criavam para a Atari. Ray Kassar, CEO da empresa na época, negou veementemente a possibilidade. Segundo Kaplan, Kassar chegou a dizer que “qualquer um” poderia fazer o trabalho deles.

Bob Whitehead, David Crane, Larry Kaplan e Alan Miller – os dinossauros da Activision.

Os desenvolvedores, então, pediram demissão e se juntaram à Jim Levy, ex-executivo de música, e Richard Muchmore, investidor, para criar a Activision, que ganhou esse nome por misturar “active” e “television” – ideia de Jim Levy. E agora estamos aqui para contar a história dessa “dinossaura” dos games no segundo capítulo do especial “Fábricas de Sonhos” do Meu PS4.

Divisor de Águas

Essa saída do grupo de desenvolvedores da Atari para criar uma nova empresa, claro, acabou não sendo amigável. Vendo o sucesso da Activision, que até acabou sendo bom para a própria Atari – já que as vendas do Atari 2600 aumentaram com a chegada dos jogos da desenvolvedora para o console, a antiga empregadora dos quatro resolveu processar a nova companhia.

O argumento era de que eles não teriam direito de produzir conteúdo para a plataforma da Atari – o que, de fato, não era comum à época. Como já explicamos, a Activision foi a primeira empresa que fez isso. Estávamos apenas no fim dos anos 70 e começo dos anos 80, um momento em que não havia um padrão para esse tipo de situação.

Hoje, já sabemos que qualquer desenvolvedora pode criar jogos e publicar para as plataformas que estão disponíveis. Mas à época, a Activision estava rompendo com um modelo estabelecido, e uma decisão judicial favorecendo a Atari não seria nenhum absurdo. Mas não foi o que ocorreu. A vitória foi da Activision, e foi isso o que possibilitou o mercado que conhecemos atualmente.

Atari (versão relançada) fazia um enorme sucesso, mas disputas entre as gigantes eram acirradas.

Afinal, a empresa já havia se tornado uma inspiração para quem queria trabalhar com jogos, e após esse resultado positivo nos tribunais, todos viram que não havia “nada de errado” no que ela estava fazendo. Já pensou se a Atari ganhasse aquele processo, e só quem cria o console pudesse fazer jogos? Como seria o mercado hoje?

Felizmente, isso não aconteceu, e temos muitos estúdios de alto nível criando vários excelentes games para todas as plataformas hoje. Graças à Activision, que naquela época já tinha lançado títulos que faziam muito sucesso no Atari, como Fishing Derby, Boxing e Skiing, todos de 1980, além de Ice Hockey, Kaboom! e Tennis, de 1981.

1982, o ano de ouro

Mas 1982 foi o “ano de ouro” da Activision. Não só pelo processo ganho, mas pelos três grandes lançamentos, que foram alguns dos maiores títulos da história dos videogames. Enduro, Pitfall e River Raid foram lançados naquele ano fiscal. Pitfall em abril, River Raid em dezembro e Enduro em fevereiro de 1983.

Um trio de peso, que fez com que a empresa conseguisse se destacar bastante no mercado e se manter firme, mesmo com o crash que aconteceu nos games entre 1983 e 1985. Com as muitas opções de consoles e a falta de controle de qualidade, houve uma saturação, que levou à crise e fez muitas empresas abandonarem o meio, especialmente após a chegada do PC.

Mas graças àqueles excelentes títulos do ano fiscal de 1982, a Activision se manteve forte e não quebrou. Lançou bem menos jogos, é verdade, e teve poucos grandes destaques até o final dos anos 1980. Vale citar, por exemplo, Robot Tank (1983), H.E.R.O. (1984), Transformers (1986) e River Raid II (1988).

E se o mercado de consoles não estava lá essas coisas, a empresa também investiu em lançar alguns dos seus títulos para computadores pessoais e foi adquirindo pequenos estúdios, dando passos pensando no futuro. Pitfall II e Ghostbusters, ambos de 1984, são exemplos de opções, em meio à crise, que a Activision usou para remar contra a maré.

Crise e Renascimento

Só que uma hora os braços cansam, né? No fim dos anos 80, a Activision não tinha mais forças, não importa quanto ela remasse contra a maré. Ela adquiriu uma empresa chamada Infocom no ano de 1986. Depois, optou por criar softwares além de games e tornar-se uma companhia mais multimídia, mudando seu nome para Mediagenic, em 1988.

Ela se tornou, na verdade,  um grupo de empresas. Com a Infocom, que um ano depois fechou e teve sua equipe integrada aos funcionários da Activision, a Gamestar, especializada em jogos de esporte, e a Ten Point O, de softwares de business. Mas não deu certo. O lado financeiro não foi equacionado, e a companhia precisou ser vendida.

Após anos e anos no vermelho, a empresa viu sua salvação em um grupo de investidores que foi liderado por Robert Kotick, hoje CEO da Blizzard Activision. Eles arrumaram a casa, e em 1992 a Mediagenic deixou de existir. Ela voltava a ser somente Activision, focada exclusivamente no que sempre foi seu DNA e ponto forte: a produção de games.

E, se em meio a essa polêmica, a empresa já havia lançado títulos como MechWarrior (1989) e Hunter (1991), depois de tudo resolvido, os anos 90 ainda viram muita coisa boa ser feita pelos desenvolvedores da Activision. Como a série de FPS Quake, que estreou em 1997, Civilization, de 1999, e o inesquecível Tony Hawk’s Pro Skater, também de 1999.

Boom dos anos 2000

Os anos 2000 foram a consolidação da nova fase da Activision. Parcerias com grandes players do mercado, como Columbia Pictures e MGM Interactive, para séries gigantes, como Homem-Aranha, 007, Velozes e Furiosos, Era do Gelo, MiB, dentre outras. Aquisição de bons estúdios como Treyarch e Infinity Ward. Acordos com outras desenvolvedoras, como Valve e SEGA.

E, claro, a fusão com a Vivendi Games, dona da Blizzard e da Sierra, que fez com que desde 2008 a empresa seja chamada de Blizzard Activision. Sem falar no lançamento de títulos que conquistaram um enorme peso no mercado nos últimos anos, como a série Call of Duty – que estreou em 2003 e é gigantesca até hoje.

Guitar Hero foi um dos maiores sucessos da empresa.

Doom 3 (2004), Guitar Hero (2006), Marvel: Ultimate Alliance (2006), Crash Bandicoot (2008), Spyro (2008), Wolfenstein (2009), Skylanders (2011)… São muitos os títulos de sucesso. Isso sem falar em outra série, lançada em 2014, pela Bungie, que também faz parte da Activision, sucesso até hoje, o FPS futurista Destiny.

E se falarmos da Blizzard pós-fusão, temos que citar ainda Overwatch, FPS lançado em 2016 (e que foi eleito GOTY daquele ano), que é um sucesso até no cenário competitivo. O game tem até uma liga que tem seus jogos transmitidos por canais de TV em vários lugares do mundo. O game se tornou uma franquia bilionária.

Ou seja, a Activision renasceu com tudo, e não dá sinais de que vai parar tão cedo. Vem mais Destiny e CoD por aí nesse ano, no ano que vem já sabemos que Sekiro: Shadows Die Twice promete ser um grande lançamento e a tendência é de que a companhia, que em 2019 terá a honra de comemorar 40 anos no mercado, continue nesse ritmo.

Estrutura Organizacional

Robert A. Kotick, homem que recuperou a Activision no início dos anos 90, segue como CEO da Activision Blizzard, Eric Hirshberg é o líder da Activision – por pouco tempo, já que sua saída foi confirmada recentemente – e Michael Morhaime é presidente executivo da Blizzard.

 A empresa tem sua sede principal em Santa Monica, nos Estados Unidos, só que tem escritórios em vários locais do mundo, como Sydney, Vancouver, Toronto, Quebec, Paris, Shanghai, Paris, Bavária, Munique, Dublin, Amsterdam, Madri, Estocolmo e Londres.

Robert A. Kotick é o mandatário do enorme conglomerado.

Isso sem falar nos estúdios à parte, como a Sledgehemmer, que fica em San Francisco, Treyarch, também em Santa Monica, Infinity Ward, em LA, Vicarious Visions, em NY e Raven Software, em Wisconsin. E escritórios específicos, como de Captura, em LA, Vendas, no Texas e no Arkansas, e a Major League Gaming, em NY.

Ou seja, é uma rede gigantesca. O próprio site oficial da empresa fala em mais de 4000 pessoas trabalhando, em mais de 15 países – incluindo o Brasil. São 21 escritórios internacionais e 17 em território estadunidense. Com receitas de US$ 7 bilhões em 2017, ela entrou para a Fortune 500, sendo apenas a terceira empresa gamer da história fazer isso (depois de Atari e EA).

Já sem a Vivendi, a companhia é presidida por Brian Kelly, e além dos sucessos de Activision e Blizzard, tem os direitos de Candy Crush, da King. É a maior empresa das Américas e Europa em capitalização de mercado, e tem alguns dos títulos mais vendidos da história, como Call of Duty: Black Ops III, que arrecadou US$ 550 milhões só no seu primeiro fim de semana em 2015.

Lista de Jogos

A Activision tem uma lista gigantesca de jogos lançados nesses quase 40 anos de história, então resolvemos publicar apenas os principais. Mas você pode conferir todos eles no Moby Games ou na Wikipedia.

1980s

  • Fishing Derby (1980)
  • Boxing (1980)
  • Skiing (1980)
  • Freeway (1981)
  • Ice Hockey (1981)
  • Kaboom! (1981)
  • Stampede (1981)
  • Laser Blast (1981)
  • Tennis (1981)
  • Megamania (1982)
  • Barnstorming (1982)
  • Enduro (1982)
  • Chopper Command (1982)
  • Pitfall! (1982)
  • River Raid (1982)
  • Oink! (1983)
  • Beamrider (1983)
  • Robot Tank (1983)
  • H.E.R.O. (1984)
  • Transformers (1986)
  • River Raid II (1988)

1990s

  • Hunter (1991)
  • MechWarrior 2: 31st Century Combat (1995)
  • Dark Reign (1997)
  • Quake (1997)
  • Interstate ’76 (1997)
  • Battlezone (1998)
  • SiN (1998)
  • Heretic II (1998)
  • Vigilante 8 (1998)
  • Tenchu (1998)
  • Civilization: Call to Power (1999)
  • Tony Hawk’s Pro Skater (1999)
  • T’ai Fu: Wrath of the Tiger (1999)

2000s

  • Tony Hawk’s Pro Skater 2 (2000)
  • Tony Hawk’s Pro Skater 3 (2001)
  • Lost Kingdoms (2002)
  • True Crime (2003)
  • Call of Duty (2004)
  • Doom 3 (2004)
  • Ultimate Spider-Man (2005)
  • Marvel: Ultimate Alliance (2006)
  • X-Men: The Official Game (2006)
  • Call of Duty 4: Modern Warfare (2007)
  • Shrek the Third (2007)
  • Call of Duty: World at War (2008)
  • Guitar Hero World Tour (2008)
  • Quantum of Solace (2008)
  • DJ Hero (2009)
  • Guitar Hero 5 (2009)
  • Madagascar Kartz (2009)

2010s

  • Transformers: War for Cybertron (2010)
  • GoldenEye 007: Reloaded (2011)
  • NASCAR The Game: 2011 (2011)
  • The Amazing Spider-Man (2012)
  • Angry Birds Trilogy (2012)
  • Wipeout 3 (2012)
  • Call of Duty: Ghosts (2013)
  • Skylanders: Trap Team (2014)
  • Destiny (2014)
  • Call of Duty: Black Ops III (2015)
  • Tony Hawk’s Pro Skater 5 (2015)
  • Call of Duty: WWII (2017)
  • Destiny 2 (2017)
  • Crash Bandicoot N. Sane Trilogy (2017)
  • Spyro Reignited Trilogy (2018)
  • Call of Duty: Black Ops IIII (2018)