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Fábricas de Sonhos: zumbis, hadoukens e o brilho único da Capcom 

"Por continuamente criar conteúdos originais, a Capcom do Japão se tornou a Capcom do mundo" , diz a empresa

por Thiago Barros
Fábricas de Sonhos: zumbis, hadoukens e o brilho único da Capcom 

A frase descritiva da história da Capcom no seu site oficial diz muito sobre a trajetória que a empresa trilhou pelo mercado dos games: “Por continuamente criar conteúdos originais, a Capcom do Japão se tornou a Capcom do mundo”.

Criada nos anos 80 como uma divisão de uma grande fabricante de arcades (e daí vem o seu nome, Capsule Computers), hoje ele é uma das maiores representantes de todo esse sucesso dos games no mundo, sendo a criadora de algumas das franquias mais icônicas da história. Mega Man, Resident Evil, Street Fighter e muito mais.

Por isso, a Capcom é a nova Fábrica de Sonhos apresentada nessa série especial do Meu PS4 sobre as grandes developers e publishers dos jogos eletrônicos. Conheça os primeiros passos e relembre os principais momentos da empresa abaixo. 

Da cápsula pro globo

A Capcom foi fundada em 1983, como parte da Sanbi, em Osaka, no Japão. A missão dela, primeiramente, era comercializar os projetos do grupo, que era formado por uma empresa chamada IRM Corporation e pela Japan Capsule Computer.

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Máquinas como essa eram o foco da Capcom no seu começo (Foto: Reprodução)

Essas marcas se uniram para criar os tais “computadores em cápsula”, que nada mais eram do que arcades. Eles tinham esse nome por dois motivos: eram “cápsulas cheias de diversão” e também havia a ideia de armazenar todo o conteúdo em “cápsulas”, pra evitar cópias e outros tipos de problemas.

O que Kenzo Tsujimoto, seu fundador, não sabia é que o sucesso logo viria para tirar a Capcom da cápsula e levá-la para o globo. Ainda em 1983, a empresa lançou os “coin-ops” Little League e Fever Chance e, no ano seguinte, saíram os primeiros arcades da companhia, Vulgus e 1942.

Mas foi em 1985 que houve o primeiro salto: a companhia, que lançou Commando e Ghosts n’ Goblins nos fliperamas, criou uma sede nos Estados Unidos, em agosto, e logo entrou para o ramo dos videogames. Em dezembro, 1942 foi ganhou sua versão para o Nintendinho.

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1942 ganhou versão para o Nintendinho em 85 (Foto: Reprodução)

Isso se repetiu em 1986 com Commando e Ghosts n’ Goblins e, então, claramente a companhia passou a dividir as atenções entre suas cápsulas originais e os consoles, que se tornavam cada vez mais populares. Prova disso é 1987, com um lançamento fortíssimo para cada área: Street Fighter e Mega Man, respectivamente.

Hadouken!

Mas, assim como a grande maioria das empresas de games da época, a Capcom teve seu grande “boom” nos anos 90. Final Fight, sucesso dos arcades, chegou ao NES no ano 1990 mesmo. Só que a parada foi mesmo Street Fighter II. Se o primeiro game foi até bem visto nos flipers, o segundo se tornou uma febre em 1991.

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Street Fighter II foi uma baita febre (Foto: Reprodução)

Um dos mais influentes e revolucionários jogos de todos os tempos, Street Fighter II é uma baita evolução do primeiro. Movimentos especiais, configuração com seis botões, vários personagens com estilos próprios de luta, sistema de combos… O vício de uma grande parcela dos gamers em jogos de luta começou ali.

O próprio elenco de personagens já tinha diversidade muito antes disso ser “moda”: uma chinesa (Chun-Li), um ex-militar dos EUA (Guile), um “homem-besta” brasileiro (Blanka), um mestre de yoga da Índia (Dhalsim), um wrestler da URSS (Zangief) e um lutador de sumô japonês (Honda), além de Ryu, protagonista do primeiro, e Ken, seu amigo/rival.

Se o jogo já era popular no fliper, você já imagina o que aconteceu quando, em 1992, ele chegou ao Super Nintendo, não é? Hit absoluto, sendo até hoje um dos títulos de maior vendagem da história da Capcom, com mais de 6 milhões de unidades. Depois, saiu ainda pra PC, Mega Drive, Game Boy, Master System, Sega Saturn e PlayStation.

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Lançamento do jogo no SNES mudou a história da Capcom (Foto: Divulgação/Capcom)

Em 1994, virou filme. No ano seguinte, desenho animado. Depois dele, a série decolou e faz sucesso até hoje, seja com versões especiais de SF II ou com os novos títulos, como Street Fighter III, Street Fighter Alpha, Street Fighter IV e Street Fighter V. Ryu e Ken se tornaram dois dos mais significativos personagens da história dos games.

Zumbis

Depois de surfar na onda de Street Fighter II e tomar importantes decisões de business, como abrir a Capcom Asia em Hong Kong, para atingir também o gigantesco mercado da China, construir uma nova sede em Osaka e registrar novas empresas nos Estados Unidos, a Capcom revolucionou mais uma vez.

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Resident Evil e PlayStation: sucesso instantâneo (Foto: Divulgação/Capcom)

Criada por Shinji Mikami, Biohazard, que você conhece como Resident Evil, nasceu em 1996 no PlayStation e, desde então, deixou seu nome gravado na história do mercado de entretenimento. Não só games, como quadrinhos, livros, filmes… Inclusive, a nova abordagem de Resident Evil 2 já é um dos jogos mais esperados de 2019.

O primeiro Resident Evil se inicia em julho de 1998, nas Montanhas Arklay, onde um grupo de policiais do esquadrão Alpha precisa investigar uma série de assassinatos beirando o canibalismo. Com muitos sustos, sangue e zumbis, o game teve até uma série de cenas censuradas nas versões não-japonesas.

Nele, o jogador pode assumir o controle tanto de Chris Redfield como de Jill Valentine, com várias diferenças de habilidades, itens e personagens de apoio com cada um deles. Portanto, além do tema inovador, era revolucionário também na jogabilidade. Por isso, é lembrado até hoje como um clássico e foi um mega sucesso à época.

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Assim como Street Fighter, Resident Evil virou filme(s) (Foto: Reprodução/Embarr)

Depois, ganhou versões também para outros consoles e, claro, diversas sequências. A série, no geral, já soma mais de 84 milhões de cópias entregues ao público e às lojas – sendo que quatro jogos dela estão no Top 10 vendas Capcom: Resident Evil 5, Resident Evil 6, Resident Evil 7 e Resident Evil 2.

Monstros

Só que o jogo mais vendido pela Capcom em todos os tempos, e que fez a empresa ter seu melhor ano da sua história, não é Street Fighter ou Resident Evil. Mas sim Monster Hunter World. Lançado em janeiro desse ano, ele já superou a marca de 10 milhões de unidades comercializadas.

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Monster Hunter World é o jogo mais vendido da Capcom (Foto: Divulgação/Capcom)

Mas antes do primeiro Monster Hunter ser lançado em 2004, a Capcom fez muita (sério, MUITA) coisa boa. Em 1999, veio Dino Crisis, sucesso no PlayStation. Em 2001, foram dois hits no PS2, Onimusha e Devil May Cry, e ainda saiu Phoenix Wright no Game Boy. Em 2002, sede no Reino Unido, e no ano seguinte a CEG Interactive na Alemanha.

Se Street Fighter II e Resident Evil foram revolucionários nos seus gêneros, Monster Hunter seguiu o mesmo caminho nos RPGs. Com o conteúdo offline, mas focado no online, quests de caçar monstros, coletar ícones e capturar animais, além de eventos semanais, Monster Hunter trouxe um elemento competitivo grande e muita dificuldade.

Basicamente, ele coloca o jogador no papel de um caçador de monstros, que não só precisa matar essas criaturas, como em alguns casos também capturá-las vivas, e ir cumprindo objetivos de forma mais eficiente do que outros jogadores. A ideia é tentar subir no ranking online de melhores caçadores.

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Jogo evoluiu bastante desde as primeiras versões, não é? (Foto: Reprodução)

Mas a série explodiu mesmo nos anos 2010. Se Resident Evil tem quatro títulos no Top 10 de mais vendidos da Capcom, Monster Hunter tem cinco: Monster Hunter 4, Monster Hunter 4 Ultimate, Monster Hunter Generations, Monster Hunter Portable 3rd e o mais recente, Monster Hunter World, recordista disparado. 

E muito mais

Apesar de essas três franquias serem as mais relevantes comercialmente, a Capcom fez muito mais do que isso nesses 35 anos de vida. Mega Man, por exemplo, nasceu ainda em 1987 e faz sucesso até hoje, Marvel vs. Capcom marcou o fim dos anos 90, além do início dos anos 2000, com combates frenéticos entre personagens.

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Mega Man é uma franquia bem sucedida até hoje (Foto: Divulgação/Capcom)

Em 2019, séries amadas irão voltar. O “remake” de Resident Evil 2 lidera uma lista de títulos que terá ainda Onimusha: Warlords e Devil May Cry 5. Nesse ano, tivemos não somente Monster Hunter World, como Mega Man 11, uma edição de 30 anos de Street Fighter e uma coletânea de Mega Man.

Com tanta franquia de sucesso, a Capcom nem precisa criar novas IPs. Essa lista, com todos os jogos desenvolvidos por ela, mostra como a companhia costuma investir nas séries mais populares da sua história. Quase todo ano tem um novo capítulo ou nova versão de um game de uma dessas franquias.

O catálogo da empresa é gigantesco e, mais recentemente, a companhia vem investindo também nos eSports – com iniciativas como Capcom Cup, Capcom Five, DreamHack e Evolution Championship Series. Ou seja, o direcionamento da Capcom é bem claro: dar novas roupagens e usar as novidades atuais para manter sua história sempre viva.

Kenzo Tsujimoto, CEO da companhia, inclusive, emitiu um comunicado ao público e aos stakeholders, em fevereiro, falando sobre isso. Frisando a aposta no eSport “há 10 anos”, frisando a importância do “marketing e do controle de qualidade para produzir produtos de alto nível e solidificar a posição da empresa no mercado”.

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Kenzo Tsujimoto é o CEO da Capcom (Foto: Reprodução)

Atualmente, a Capcom tem quase 3 mil funcionários, com sua sede principal em Osaka e um prédio em Tóquio, além de duas sedes no Canadá, duas nos EUA, duas no Reino Unido, uma na Alemanha, uma na França, uma na Coreia do Sul, uma em Taiwan e uma em Hong Kong.

Assim como suas principais franquias, não é mais “só” japonesa, mas sim global. Sem deixar em nada a desejar a suas concorrentes – e com tantos ou mais personagens de fácil reconhecimento quanto qualquer uma por aí. Vida longa a Claire, Leon, Ryu, Ken, Mega Man e companhia!

Lista de Franquias da Capcom

  • 1942 (1984)
  • Commando (1985)
  • Ghosts n’ Goblins (1985)
  • Mega Man (1987)
  • Street Fighter (1987)
  • Final Fight (1989)
  • Breath of Fire (1993)
  • Resident Evil (1996)
  • Marvel vs Capcom (1998)
  • Dino Crisis (1999)
  • Onimusha (2001)
  • Devil May Cry (2001)
  • Ace Attorney (2001)
  • Monster Hunter (2004)
  • Sengoku Basara (2005)
  • Okami (2006)
  • Dead Rising (2006)
  • Lost Planet (2006)
  • Dragon’s Dogma (2012)
  • Confira a lista completa de jogos, em ordem alfabética, aqui.
  • Confira a lista de jogos que venderam mais um milhão de cópias aqui.
  • Confira a lista de franquias (e os números de suas respectivas vendas) aqui.
  • Confira também o número de jogos comercializados por cada plataforma aqui.
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