O ciclo do PlayStation 4 parece já estar se encerrando, mas ele vai pendurar os DualShocks em grande estilo, provavelmente no fim do ano que vem. Afinal, o console foi líder absoluto da geração, com quase 100 milhões de unidades vendidas e games inesquecíveis. Fica uma responsabilidade enorme para o seu sucesso. Porém, como é a relação com os anteriores?

A marca PlayStation nasceu em 1994 com o primeiro videogame da Sony, e viveu grandes momentos com o PlayStation 2, de 2000, e o PlayStation 3, de 2006. O Play 2, inclusive, é, até hoje, o mais vendido da história dos games, com mais de 155 milhões de unidades. Ou seja, tem muito background na empresa japonesa antes do PS4.

Contudo, há quem acredite que o PlayStation 4 é o grande console da franquia. O domínio dele frente à concorrência nos últimos anos é impressionante. E o Meu PS4 vai analisar o retrospecto do aparelho em relação aos seus “irmãos mais velhos”. Afinal, não são apenas vendas que dizem o quão marcante foi um produto para sua indústria, não é mesmo?

A origem

O início dos anos 90 foi o “boom” dos games. E o PlayStation foi um dos responsáveis por isso. Afinal, vendeu mais de 104 milhões de unidades. Ele é o quarto mais comercializado da história, atrás apenas do PS2, Nintendo DS e Game Boy. Ou seja, dentre os chamados “consoles de mesa”, ele é o segundo.

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O aparelho, de geração 32-bits com leitor de CD, marcou época, com títulos inesquecíveis. Porém, a maioria deles vinha de third-parties. De exclusivo, só mesmo Crash, que virou o “mascote” da marca, e o jogo de corrida Gran Turismo. Mas os destaques mesmo foram de outras empresas.

Resident Evil, Silent Hill, Tomb Raider, Medal of Honor, Dino Crisis, Twisted Metal, Final Fantasy, Winning Eleven, Syphon Filter. Quem teve o prazer de jogar isso no aparelho original, sem dúvidas, não se esquece. E, claro, o saudosismo vem à mente quando o jogador fala do primeiro PlayStation.

Porém, o seu sucessor veio para provar que ele era somente o primeiro passo. Afinal, o PlayStation 2, emoções à parte, foi muito mais marcante do que o console original.

A popularização

A liderança dele na história das vendas de consoles de todos os tempos é indiscutível. O PlayStation 2 foi o que popularizou, de fato, a marca. Claro, muita gente migrou do PS1, porém a quantidade de novos usuários que chegaram ao Play 2 – e o têm até hoje como inesquecível – é absurda.

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Só no primeiro dia após seu lançamento, em 2000, no Japão, foram mais de 980 mil PS2 vendidos. Os destaques foram o começo da conexão online, a nova versão do DualShock, e a retrocompatibilidade com games e acessórios do seu antecessor. Era um pacote completo. Especialmente com os novos jogos exclusivos.

Sim, ele também teve games de third-parties inesquecíveis. Mas foram os títulos da própria Sony Computer Entertainment que brilharam nessa geração. ICO, Shadow of the Colossus, God of War, Jak and Daxter, Ratchet & Clank… Tudo isso abriu espaço para as sequências e as novas criações do PS3 e do PS4.

O PlayStation 2 era uma clara evolução do 1. Não chegou a ser um grande salto em termos de tecnologia, como foi dele para o PS3, mas sim um upgrade. A Sony pegou o que foi bem sucedido no seu primeiro console, aprimorou e lançou o segundo – agora, adotando o preto como cor. Não poderia ter dado mais certo, não é mesmo?

A dúvida

O sucesso do PlayStation 2, porém, teve um ponto “negativo”: o PlayStation 3. O console não foi o que todos esperavam. Dos quatro até hoje, é o que vendeu menos, com “só” 87 milhões de unidades. Ele teve um começo conturbado no mercado e só fez sucesso mesmo muitos anos depois do lançamento, com a versão Slim.

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A apresentação do console foi desastrosa. O joystick novo foi reprovado pelos fãs, o preço (US$ 600) assustou e o trabalho com third-parties para criarem jogos não foi fácil, devido às características do console. Até a fabricação do PS3 teve problemas, a distribuição dele para o mundo, também. Enfim, foi um começo com o pé esquerdo.

Talvez por isso a Sony tenha investido tanto em exclusivos; e que bom que fez isso, aliás. A franquia Uncharted, The Last of Us e God of War 3, por exemplo, são experiências muito aclamadas pelo público e crítica desse período. Sem dúvida, eles foram os responsáveis por muitas vendas do console.

Além, claro, de blockbusters de outras empresas. Vale destacar GTA V, que é um sucesso até hoje, seis anos depois. Produto mais lucrativo da história do entretenimento, o game, com história envolvente e componente online viciante, fez tanto sucesso que ganhou até versão para o PS4 posteriormente.

O PlayStation 3 consolidou a “presença da Internet” nos jogos, valorizando a jogabilidade online e também as relações sociais pelo console. Além disso, era reprodutor de Blu-Ray, facilitando o acesso a filmes nesse formato. Foi descontinuado em 2017, mas longe de ser aquela decepção do começo. É uma bela história de volta por cima.

O auge

O lema do PlayStation 4 diz tudo: “4 The Players”. Ou seja, “para os jogadores”. A Sony ouviu seu público, aprendeu com a sua história e lançou o seu videogame mais refinado. Seu primeiro ano foi tímido em termos de jogos, mas a chegada ao mercado foi bastante superior ao que vimos no PS3. A reta final forte da última geração foi decisiva para isso.

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Tanto que muitos títulos de sucesso, como The Last Of Us e o próprio GTA V, “voltaram”, com edições adaptadas para as novas possibilidades técnicas trazidas pelo PS4. Com os gráficos em um nível bem acima do que se viu anteriormente e novas tecnologias para a interação com os amigos, ele chegou com tudo.

Mas o que chamou a atenção mesmo foram seus jogos. A Sony abriu os cofres, comprou estúdios e licenças, reviveu clássicos, criou novidades… A era que vivemos, sem dúvida, pode ser considerada de ouro para a empresa e para os games em geral. O PlayStation 4 atropelou seu concorrente inicial, o Xbox One.

Uncharted 4, Uncharted Lost Legacy, Horizon Zero Dawn, God of War, Marvel’s Spider-Man, Bloodborne, Days Gone. Sem falar no que ainda está por vir, como Death Stranding, The Last of Us Part 2 e Ghost of Tsushima. Nesse quesito, que é o mais importante, nenhum outro console da Sony agradou tanto os jogadores.

Assim como seus antecessores, também teve uma versão Slim, que agradou. Mas inovou com uma edição “.5”. O PS4 Pro, que é um upgrade para o console se adequar aos novos tempos de TVs de alta resolução, com suporte ao 4K. Além do PSVR, óculos de realidade virtual que trouxe a tecnologia imersiva para todos a um preço acessível.

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Ou seja, o PlayStation 4 não é o que mais vendeu, mas é o que teve mais jogos exclusivos de qualidade e o que mais inovou. Ser o mais poderoso é óbvio, afinal, ele é mais recente. Porém, ter a coragem de investir tanto e conseguir entregar algo com tamanha qualidade, tanto em hardware quanto em software, não é fácil.

Por isso, não é nenhum absurdo dizer que o PlayStation 4 é o maior console da história da marca PlayStation. Pelo menos, até o seu sucessor ser lançado, não é? Mas como o PS3 já nos mostrou, nem sempre o aparelho que vem depois de um hit consegue superá-lo. Resta torcer para que a Sony tenha aprendido com isso e se supere mais uma vez.