Por muito tempo me indaguei diante do óbvio: por que jogamos? Por que ficamos tão entretidos por tanto tempo apenas pressionando botões?

Mas a resposta nunca vinha com tanta clareza. Era só divertido – e não exigia reflexões muito mais avançadas.

E eis que a Rockstar Games me ofereceu a doce resposta com o saboroso nome de Red Dead Redemption 2.

RDR 2 é a congregação de todos os elementos. É a junção de partes no todo. É o verbo. “Aquele que é”.

Quando monto em “Pangaré”, a vida traça seu sentido puro de ser. Cavalgar sem rumo é entender o motivo de tanto rebuliço em torno do Velho Oeste digital.

Em meio a um dos passeios sem grandes objetivos, encontro uma donzela sendo assediada por um troglodita. Sem pensar muito, tomo partido da moça e ameaço de morte o burucutu, que entende “o recado”.

Apenas aceno com chapéu aos agradecimentos calorosos e sigo.

Um pouco adiante, em um rincão, encontro um caipira peneirando ouro em um riacho. Arrogante, ele diz que não quer minha desagradável companhia.

De olho na pilhagem, saco duas pistolas e dou cabo do pobre homem. Minha honra é maleável e distante qualquer princípio mensurável.

Pangaré segue trotando vagarosamente. Ainda que possa fazer uso do fast-travel, prefiro apreciar toda beleza ricamente criada.

Impossível não se impressionar com tantas possibilidades. A aleatoriedade dos eventos me faz deixar em segundo plano o que deveria ser o principal. Aliás, não tenho dúvidas de que a Rockstar Games criou uma narrativa sem igual, todavia este mundo grita para que eu o explore em parcimônia.

Como um bom vinho francês, vou bebericando, sentindo o sabor, degustando quase como um sommelier.

Só que o Velho Oeste não é conhecido só por isso. Foi a era do bang-bang, com duelos decididos em favor daqueles que possuíam os dedos mais velozes.

Ainda que você tente fugir desta sina, não dá. Você vai topar com malfeitores ou você mesmo será um deles! E minha honra pendular faz com que eu seja o que eu quiser. Talvez resida aí a captura do jogo. Seja o cowboy que você quer ser.

Saqueio caravanas, salvo desconhecidos, executo testemunhas, caço recompensas. Sou eu quem traço meu destino.

Mas em algum momento vem a cobrança, e sou obrigado a pagar uma dívida, “a dívida que todos os homens pagam”.