Teorias: qual o motivo do “ódio” de Ellie em The Last of Us Part 2?

Ellie está em busca de vingança e queremos saber o porquê.

Ashley Johnson (Blindspot) é Ellie

A Naughty Dog permanece um tanto enigmática sobre a história que veremos em The Last of Us Part 2. Poucos detalhes sobre a trama foram realmente divulgados, mas temos algumas pistas do que pode acontecer neste novo jogo.

Segundo Neil Druckmann, o diretor criativo, o conceito por trás do game será o sentimento de ódio.

“Se o primeiro jogo foi sobre o amor entre Ellie e Joel e como construímos isso, o segundo é o oposto. É sobre ódio. Sobre como usamos toda essa construção para que você sinta isso por Ellie, que é a protagonista. E isso é tudo o que vou dizer. Joel foi a estrela no primeiro, Ellie é a do segundo. Há evoluções, revoluções, mas vamos falar disso no futuro”.

No game, a protagonista está com 19 anos e desde a jornada com Joel no primeiro jogo, vive com tranquilidade no Condado de Jackson, no estado do Missouri nos Estados Unidos. Ela teve a chance de ter uma adolescência tranquila e de construir relacionamentos duradouros. A suposta paz é abruptamente destroçada com um ato de violência, e Ellie é jogada em uma jornada brutal de vingança, alimentada pela necessidade de trazer aqueles que a fizeram mal à justiça, levando-a a descobrir seus limites.

É bem provável que o local em que Ellie vive estes momentos de paz seja a comunidade criada por Maria (a esposa de Tommy) em torno de uma usina hidrelétrica. O local realmente parecia perfeito para viver uma vida normal: energia elétrica, recursos, fortificações pessoas de boa índole e conhecidas.

O grande mistério de The Last of Us Part 2 são as motivações de Ellie e o que pode ter causado o “ódio” que a move em uma nova jornada.

Os alvos de Ellie

É provável que os alvos do ódio e da vingança que Ellie parece tramar no primeiro trailer de The Last of Us Part 2 seja o grupo que aparece no vídeo divulgado na Paris Game Week de 2017.

O tal grupo aparenta ser uma espécie de seita com regras próprias, cujo objetivo é expurgar os “pecados” das pessoas através da execução, tortura ou da violência física.

No trailer, a personagem misteriosa é literalmente levada à forca e confrontada por uma mulher chamada Emily, que parece ser uma espécie de líder. Emily afirma que a personagem misteriosa está “infectada pelo pecado” e ameaça cortar sua barriga. Ela também se refere a seus inimigos como “apóstatas” uma palavra um tanto arcaica para se referir a “infiel”, reforçando que possa existir alguma motivação de cunho religioso por trás do grupo.

As pessoas lideradas pela “vilã” do trailer usam as mesmas roupas (capas de chuva escuras) que o os oponentes de Ellie no trailer de gameplay divulgado nesta E3. Ao que tudo indica, nestes dois momentos diferentes, vemos o mesmo grupo ou seita em ação.

Durante a Paris Games Week, Druckmann afirmou que The Last of Us Part 2 terá “voltas ao passado“, trazendo flashbacks de momentos que, inclusive, precedem a história do primeiro jogo.

Isso levou muita gente a cogitar que a cena apresentada no evento seja um desses momentos de “volta ao passado”. Na época, surgiram teorias de que a mulher enforcada – a única cujo nome não foi revelado pela Naughty Dog – fosse a mãe de Ellie.

Uma questão que também chamou a atenção no trailer da Paris Game Week é o fato de a personagem misteriosa ser ameaçada com uma faca no ventre baixo, bem onde costuma-se fazer o corte de uma cesariana, por exemplo. Esta poderia ser uma indicação de que ela estaria grávida na cena. Membros da Naughty Dog também já afirmaram que uma personagem estará grávida em The Last of Us Part 2, o que pode reforçar esta teoria.

Todas estas questões nos levam a cogitar que as relações entre Ellie e este grupo – e o motivo de sua vingança – sejam muito antigos e que datam de até antes de seu nascimento.

O beijo é um flashback?

O trailer mais recente de The Last of Us Part 2 nos apresentou parte da comunidade da qual Ellie faz parte em Jackson. O vídeo introduz Jessie, um amigo de Ellie e Dina, interesse amoroso da protagonista.

A cena do beijo entre as duas nos leva até um trecho de gameplay que mostra Ellie lutando contra um grupo de inimigos. A associação entre estes dois momentos bastante contrastantes – de ternura e de violência – é mais uma forte indicação de que o grupo religioso pode estar associado ao tal “evento traumático” que faz com que Ellie perca sua vida normal em Jackson.

No entanto, se o jogo é sobre esta jornada de vingança de Ellie, este é o “momento presente” – a luta contra o grupo religioso. Então é provável que a cena da festa e o beijo com Dina seja um flashback ou até mesmo o ponto de partida de The Last of Us Part 2.

Ainda não se sabe as motivações reais da tal seita, mas considerando todo o discurso sobre “o pecado” e que a mulher misteriosa do vídeo da Paris Game Week pode estar sendo caçada por estar grávida, talvez Ellie esteja sendo perseguida por ser homossexual. Isto também colocaria Dina como um alvo do grupo.

A possível morte de Dina

Shannon Woodward (Westworld) é Dina.

O fato de Dina ser apresentada como namorada de Ellie em na Part II acendeu um sinal vermelho para ela ser uma vítima desta história. A morte da personagem poderia ser o motivo pelo qual Ellie busca vingança.

Usuários do Reddit perceberam um detalhe bastante importante. Durante a cena do beijo, Dina usa uma pulseira que vai parar no pulso de Ellie durante os trechos de gameplay.

Nos fóruns, um fã apontou que a pulseira de Dina contém um hamsá, uma espécie de amuleto em formato de mão, com função de proteção. Apesar de ter uma origem pagã no Oriente Médio, o hamsá se tornou um símbolo dos judeus.

A origem judaica de Dina, inclusive, foi confirmada por Neil Druckmann. O diretor criativo de The Last of Us Part 2 viveu em Israel durante a infância e confirmou que era um desejo seu incluir um personagem com esta característica – especialmente com a política atual da Naughty Dog de trazer temas mais inclusivos.

Portanto, o adereço de Dina não é uma mera “bijuteria”. É um símbolo de suas origens e, certamente, algo muito importante para ela. O fato de o objeto ter parado no pulso de Ellie é mesmo um alerta de que Dina não tem um destino feliz e que esta pode ser mais uma motivação para a protagonista buscar vingança.

Assim como Ellie, Dina pode ter sido morta pelo grupo misterioso por ser homossexual ou por estar alinhada à outro tipo de crença religiosa. Não se sabe também se a seita é movida por questões étnicas, por exemplo. Este fator também poderia colocar outra pessoa em risco: o amigo de Ellie que vimos no trailer da E3, Jessie, que é oriental.

E Joel?

Joel anda muito sumido, o que está deixando os fãs de The Last of Us bastante preocupados.

A primeira teoria que tomou conta da internet após o trailer de anúncio de The Last of Us Part 2 foi a possibilidade de Joel estar morto – esta seria a grande motivação por trás do ódio e vingança de Ellie.

Uma série de detalhes estariam por trás da teoria. A primeira seria a forma como Joel entra em cena no trailer: o personagem vem caminhando de uma luz branca que dá um efeito meio “etéreo” ao seu andar. O vídeo também é bastante focado em Ellie, e quase não mostra Joel. O rosto do personagem sequer aparece e até hoje sequer temos uma arte ou imagem de Joel em The Last of Us Part 2.

Até Dina e a vida normal de Ellie aparecerem neste trailer da E3, Joel é realmente a coisa mais preciosa que a personagem possui. Perder uma figura como ele, certamente seria um baque. No entanto, ainda não se sabe como fica a relação de dos dois após a mentira do final de The Last of Us.

Porém, ainda que existam evidências de que a morte de Dina seja a força que move Ellie em seu caminho de vingança, talvez Joel também não esteja seguro.

O personagem é citado durante este trailer da E3 2018. Jesse o chama de “Your Old Man” – “o seu velho”, claramente uma alusão à figura paterna de Joel para Ellie – e comenta que levou um puxão de orelha sobre as patrulhas no entrono da comunidade. Portanto, Joel está, sim, em Jackson.

O curioso é o diálogo chamar atenção para as patrulhas. O mundo de The Last of Us certamente não é seguro, e a comunidade deve ser protegida tanto dos infectados quanto de outras pessoas que podem ser até mais mortais do que os clickers. O local vive sob constante risco de ataques.

Para que Dina seja morta, é provável que o tal grupo acabe invadindo a comunidade em Jackson. A situação do trailer da E3 2018 é propícia: muitos dos habitantes estão distraídos na festa. Se Joel está na comunidade, ele também é uma vítima em potencial dos grupo misterioso.

Vale lembrar que:

A Naughty Dog está evitando falar sobre Joel.

Neil desviou de perguntas sobre o personagem várias vezes e apenas afirmou que “ele está em algum lugar lá fora”.

Ellie é o único personagem jogável em The Last of Us Part 2.

Isso não é exatamente inesperado, considerando que ela é a protagonista e a possibilidade de jogar com Ellie no primeiro jogo foi algo totalmente movido pela própria narrativa. No entanto, no gameplay da E3 vemos Ellie lutar sozinha, o que pode indicar que Joel não estará presente ao longo desta jornada por vingança. Isto pode acontecer ou por que ele foi um alvo do grupo ou por que, por algum motivo ainda não explicado, não se uniu à Ellie.

Talvez seja mais simples do que tudo isso

A imagem da pulseira de Dina depõe fortemente pela morte da personagem, mas este ser o único fator que motiva Ellie ir atrás de vingança parece muito clichê para as narrativas da Naughty Dog.

O que Ellie conquista em Jackson certamente é algo muito grande para ela. Agora, a protagonista tem uma namorada, amigos, uma família e liberdade. Algo que nunca esteve presente em sua vida até ela e Joel rodarem os Estados Unidos atrás dos Vaga-Lumes.

Ellie cresceu dentro de uma cidade sitiada, em quarentena. Ela queria ver o mundo lá fora e ter as mesmas experiências da amiga, Rilley. Talvez o que mova a protagonista em direção ao caminho da vingança seja a perda desta “vida normal” em Jackson – a morte de várias pessoas queridas, não apenas a da namorada. O tal “evento traumático” para Ellie pode ser a destruição deste sonho, de algo que ela idealizou desde criança, e Dina seria apenas um símbolo de tudo isso e não exatamente o único motivo.